Comensais

Curiosidade insaciável

A Luxúria e a gula

by Márcia Luz

por Evandro Barreto

Sexta-feira, 12 de junho, Dia (noite) dos Namorados. Restaurantes lotados de casais de todas as idades, etnias e sexos, sem contar quem preferiu comer em recintos privados.
A primeira opção no ranking dos pecados capitais era a gula, seguida da luxúria, que mal podia esperar pela sobremesa. O único outro pecado da lista do Bento a dar algum ibope era a inveja, segundo a companhia de cada um(a).
Porque era sexta-feira em Curitiba, e quase todas as sextas levamos a neta para jantar, decidimos-nos pela Cantina do Délio. Porque era Dia dos Namorados, não levamos a neta.
A Cantina é tudo de bom. O Délio entende a noite e as pessoas que transitam por ela, tem bom gosto de antiquário surrealista, lidera uma equipe tão profissional que parece trabalhar por puro prazer e serve uma comida ótima, criativa, sem frescuras além do necessário. Simples assim.
Na noite dos namorados, só mesas para dois, próximas o bastante para se ouvir como os outros namoram. Não há muito a dizer. Ritos, códigos e mensagens orais em ritmo de torpedo. Enquanto as personagens entram e saem, falamos-comemos-bebemos-fumamos, que na Cantina ainda se permite tudo isso. E o que fala-come-bebe-fuma um casal que já compartilhou tudo, ou quase? Fala-se de si próprio, do que se vai escolher no cardápio comemorativo e inédito, das eleições no Irã, do próximo jantar em Paris, programado no inverno daqui para o próximo inverno de lá.
Bebe-se com moderação, fuma-se daqueles que só dão doenças horríveis estampadas no maço.
Come-se, pela ordem, e com grande prazer:

Entrada

Bruschetta com azeite de alecrim e alho, cobertura de presunto de Parma, pera e nozes.

Prato principal

Meu: Ravioli, recheado com camarões, alho porró e salsão, servido com molho bechamel e redução de espumante demi-sec

Dela: Medalhão de mignon com presunto de Parma e cobertura folhada, servido com vinho do Porto, brocolli e batatas na manteiga.

Sobremesa: Strudel de damasco com creme de gengibre e sorvete de queijo.

Suíte: café, licor, botão de rosa e direito ao resto da noite.

Cantina do Délio:

Rua Schiller, esquina com rua Itupava – Jardim Ambiental – Curitiba

Paixão nova iorquina…

by Pedro Arraes

*na verdade, esse Post foi escrito pela minha esposa, então:

 

por Alessandra Salgado

 

Muito populares nos Estados Unidos, mas pouquíssimos conhecidos no Brasil, os cupcakes são uma espécie de mini bolo com uma cobertura cremosa, feitos em diversos sabores e que viraram um hit em NY, como podemos ver pelo número de lojas que vendem o quitute, como também pela fama que o cupcake tomou após ter aparecido diversas vezes na série “Sex and the City” (quem não lembra da Carrie e da Miranda indo tarde da noite comer cupcakes e matar o desejo de doce??).

 

O cupcake surgiu pela primeira vez no século 19 e tornou-se popular basicamente porque era mais fácil de ser assado do que um bolo de tamanho comum, já que nesta época tudo era feito em um forno à lenha, onde muitas vezes o bolo passava do ponto certo, fora o fato de que levava muito tempo para ficar pronto, ao contrário de um mini bolo como o cupcake, muito mais fácil de ser assado e de se chegar ao ponto certo.

 

Em pouco tempo o cupcake acabou tornando-se uma tradição e muitas pessoas fazem cupcakes em casa,  mas no meu caso a falta de tempo e de espaço na cozinha me leva sempre a me aventurar nos cupcakes vendidos nas lojas especializadas daqui, as “bakeries”, que são deliciosos e vem em diversos sabores e tamanhos. A minha apetite voraz por açúcar e a companhia de uma amiga nas incursões às lojas de cupacke fez com que resolvesse criar uma espécie de lista com comentários dos melhores cupackes e lugares para comê-los aqui em NY.

 

Magnolia Bakery: essa é a loja mais conhecida de todas, graças à série “Sex and the City”. Tudo começou em uma pequenina loja do Village e hoje eles já têm mais duas filiais. A Magnolia faz os sabores básicos de cupcake (baunilha/chocolate, chocolate/chocolate) e eventualmente eles fazem alguns sabores diferentes, como o Hummingbird (bolo de banana/cobertura de pecan), que para mim é o mais gostoso. O grande problema da Magnolia é que a massa do bolo é ressecada, o que tira um pouco do gosto do cupcake. Mas mesmo assim ainda vale a pena conhecer, principalmente a loja do Village, que apesar de pequena é muito charmosa.

 

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Tonnie’s Minis: loja do Village que tornou-se popular entre os estudantes da New York University pela sua proximidade com a universidade (e pelos descontos oferecidos aos estudantes), oferece uma variedade de sabores, como coberturas de limão, morango, côco (a massa do bolo é quase sempre baunilha). Achei a cobertura de alguns dos cupcakes muito doce, mas o cupcake deles de cenoura (bolo de cenoura, com cobertura de baunilha com canela) é uma delícia, tanto é que volta e meia este sabor esta em falta, tamanha a procura.

 

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Sweet Revenge: mistura de restaurante e loja de doces, é um ótimo lugar para você comer uma salada na hora do almoço e depois de sobremesa, um cupcake.  Eles nao possuem uma variedade muito grande de sabores, são sempre quatro sabores básicos e um especial do dia, mas o diferencial deles é que o cupcake é quase que artesanal, a massa é uma delícia, sendo que faço destaque para os cupcakes de chocolate (Dirty), que é feito com chocolate Valrhona, uma espécie de chocolate amargo que traz muito mais sabor a qualquer receita, e para o Red Velvet (Crimson Crim), que é uma espécie de cacau vermelho que eles misturam com amora, que é muito bom. Semana passada comprei uma caixa com quatro sabores e acabou praticamente em um dia. Parada obrigatória para quem está passeando por West Village.

 

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Crumbs: esta é uma cadeia de lojas que vende brownies, cookies, muffins, mas a verdadeira estrela é o cupcake. O ponto positivo desta loja é a variedade de sabores e de formas em que cupcakes são vendidos. Eles vendem degustação de mini cupcakes, como os da foto abaixo, assim voce pode provar diversos sabores sem tanta culpa, vendem em versões individuais e maiores e têm os sabores mais inusitados, como Menta com Chocolate, Oreo (não precisa de maiores explicações, não é mesmo?), Cookie Dough (bolo de baunilha com cobertura de biscoito, delícia!) e Baba Booey (chocolate e manteiga de amendoim, que aqui é super popular). Apesar de não ser artesanal como os outros, recomendo a todos!

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Ainda existem outras lojas de cupackes, como a Chikalicious (East Village) e a Little Red Hens (Upper East Side), que sempre recebem ótimas críticas, mas ainda não deu para provar todos. De qualquer jeito, ficam as sugestões acima para quem viajar e quiser se arriscar em um doce diferente.

 

Magnolia Bakery

401 Bleecker Street (w/ W 11th St)

New York, NY

(212) 462-2572

www.magnoliacupcakes.com

 

Tonnie’s Minis

120 W 3rd Street (w/ MacDougal St)

New York, NY

(212) 473-2002

www.tonniesminis.com

 

Sweet Revenge

62 Carmine Street (w/ Bedford St)

New York, NY

(212) 242-2240

www.sweetrevengenyc.com

 

Crumbs

37 E 8th Street (w/ University Pl)

New York, NY

(212) 673-1500

www.crumbs.com

 

Chikalicious

204 E 10th Street (w/ 2nd Ave)

New York, NY

(212) 475-0929

www.chikalicious.com

 

Two Little Red Hens

1652 2nd Avenue (w/ 86th St)

New York, NY

(212) 452-0476

www.twolittleredhens.com

 

 

Rabugice atrasada

by Márcia Luz

Sou mãe. Amo ser mãe, de longe a melhor coisa que já me aconteceu. Mas detesto o Dia das Mães. Olha, não sei quem criou essa data (já ouvi várias versões), mas ela não faz o menor sentido. Ser mãe já é um prêmio. E é uma função full-time. Para sempre. Ninguém deixa de ser mãe. Ninguém precisa ser lembrado que é mãe, nem que tem mãe. Então, pra que serve o tal dia?
Ããããã… para movimentar o comércio? Eu quero a minha parte em dinheiro. Então passamos a vida inteira criando, educando e amando incondicionalmente os filhos e não levamos um centavinho do lucro astronômico gerado pelo Dia das Mães que, sem nós, nem existiria? Mãe que é mãe não está nem aí para presente, eu pelo menos não estou. Todos os anos, digo à minha filha que não quero que ela compre nada, prefiro que crie algo com as próprias mãos. Minha mãe também não liga pra isso. Pior: o Dia das Mães ganhou tanto prestígio que o presente passou a ter status de presente de Natal. Tem que ser grande, caro, espaventoso. Argh.
Bem, mas esse é um blog de comida, certo? Já vou chegar lá.
O fato é que além da falta de sentido da data, da inescapável neura por causa dos presentes, ainda temos que passar obrigatoriamente pelo torturante ritual do Almoço de Dia das Mães. Como mãe não pode cozinhar nesse dia, temos que nos acotovelar em restaurantes entupidos de adoráveis famílias loucas para celebrar esse momento tão especial. Nenhum sacrifício é grande demais nesse dia: filas de espera intermináveis, garçons atrapalhados, comida morna e outros singelos fatores que, afinal, contribuem para “abrilhantar” ainda mais o evento. E ainda ficamos por dentro dos conflitos das outras famílias (há ótimas brigas entre cunhados), podemos conferir como as outras crianças são educadas (este ano a novidade foi o lúdico arremesso de azeitonas com garfo. Ainda bem que foi longe da nossa mesa). Muito emocionante.
Vocês devem estar pensando: “tá, sua chata, porque não fica em casa nesse dia?”
Simplesmente porque também tenho mãe, o marido idem, a família é numerosa e dá menos trabalho encarar a tradição do que tentar provocar um boicote ao Dia das Mães. As conseqüências poderiam ser desastrosas.
Bem, esse ano o evento foi no restaurante do Clube. Curitibano. Toda a fina flor da sociedade compareceu, levando suas mamães para almoçar nos salões rosa, azul e furta-cor, com música ao vivo e etc. Demais! Por sorte, nossa família optou pelo restaurante do clube, que é só restaurante e serve boa comida. Apesar do inevitável tumulto, os familiares têm senso de estratégia: o almoço foi marcado bem cedo para evitar fila. Não é nosso costume, mas encaramos um almoço dominical às 13h30. Foi certeiro: zero de fila e a comida mais quente e fresca do dia. Encaramos a mistureba do bufê como um pitoresco passeio pela culinária mundial em três capítulos: sushis e sashimis com coquetel de camarão, salmão grelhado ao molho de maracujá com risoto de… sei lá, risoto com umas coisinhas róseas; e por fim, carré de cordeiro com batatas douradas e legumes na manteiga. Genial, né?
O mais divertido foi observar a multidão que se formava em volta das paredes do restaurante, que é todo de vidro - chegava a galera do segundo turno do almoço. Passamos a nos sentir parte de uma bizzarra vitrine viva. Dezenas de pessoas olhando para a nossa e outras mesas, inicialmente com cara de fome, depois de impaciência e finalmente de ódio. Decidimos ir embora antes que algum cunhado menos bem-humorado iniciasse um levante atirando a sogra contra os vidros.

Comidas traumáticas

by Márcia Luz

Todo mundo deve ter algum trauma gastronômico de infância. Eu acho que nunca superei os meus. Até hoje implico ferozmente com certas coisas, algumas delas muito apreciadas por praticamente todas as pessoas. Isso às vezes me torna um tanto impopular. Por exemplo, azeitonas. Todo mundo adora azeitonas, eu odeio. Quanto maior, pior. Se for daquelas pretas, então, argh. Não é que eu não curta sabores diferentes, ao contrário, quanto mais exótica a comida mais eu tenho vontade de experimentar. Mas é que para algumas coisas meu paladar permanece infantil. Por exemplo (continuem meus amigos depois disso, please):

A maldição da bolinha verde – Entre as maiores crueldades que já se cometeu contra a felicidade infantil está a criação da cereja falsa. Quem nunca estendeu os dedinhos para aquela tentadora esfera vermelha em cima da torta e descobriu que não se tratava de uma cereja de verdade? Feitas de gelatina, borracha ou sei lá o que, tem gosto de qualquer coisa menos de cereja. Mas o pior, o pior mesmo são as malditas bolinhas verdes que, tenho quase certeza, são feitas de doce de mamão verde. Eu era louca por cerejas em calda, e um belo dia, numa festinha, deparei-me com uma cereja verde em cima de um doce. Pensei: “uau, existe cereja verde, como acontece com as uvas!” E nhac! O gosto era tão horrível, amargo, enjoativo, que abri o berreiro. Até hoje tenho vontade de bater em quem diz que gosta de doce de mamão verde. Aliás, lembrei, o empenho em iludir pobres criancinhas gerou algo ainda mais aterrador: o brigadeiro falso!!!! Eu caí muitas vezes nessa. Na confeitaria, aquele brigadeirão tentador praticamente implorava para ir parar na minha boca… eu dava uma bela mordida, de olhos fechados, e… eeeeca! Era uma espécie de massa de bolo de chocolate encharcada de rum, maquiavelicamente enrolada em forma de brigadeiro, com chocolate granulado e tudo. Deve ser por isso que tenho pavor de rum ou qualquer outra bebida alcoólica em doces.

Pedacinhos de desprazer – Talvez por causa das bolinhas verdes, também detesto frutas cristalizadas. Aliás, elas são uma grande incógnita para mim. Será que realmente tem alguém que goste delas ou são apenas meros instrumentos de cozinheiras sádicas para estragar nosso prazer de enfiar os dentes numa fatia de bolo ou outro doce qualquer? O pior é que geralmente a gente só nota a presença delas quando já estão na boca, destruindo o paladar.

Peixe de pano – Bacalhau. Pronto, falei. Bacalhau é um dos maiores mistérios da humanidade. Como tanta gente pode ser tão fissurada e gastar tanto dinheiro com um peixe que tem textura de pano? Não acho bacalhau ruim, como numa boa, mas realmente não sei qual é a grande graça. Antes que os fuzis sejam apontados, confesso que nunca provei o bacalhau fresco – dizem que é algo celestial, mas primeiro preciso ganhar na mega sena – nem fui a Portugal. Mas já comi o peixe preparado das mais diversas maneiras, em ótimos restaurantes e continuo na mesma. Com um preparo maravilhoso e acompanhamentos fantásticos, até pano fica gostoso.

Larvinhas – Gosto muito de coco, desde que seja em pratos onde ele é a atração principal – quindim (mas prefiro a gosminha amarela que vem em cima), cocada, manjar branco, essas coisas. Tirando o leite de coco em pratos salgados, amaldiçôo as pessoas que acham que tudo fica melhor com coco. Você acha que vai comer uma clássica nega maluca e alguém misturou coco ralado na massa. A sensação é a de morder larvinhas no meio da massa macia. E o gosto do coco se impõe sobre qualquer outro sabor. Tortas de qualquer fruta com coco só tem gosto de coco. Doce de leite com coco idem, pavê de chocolate idem, tudo idem. E com as aflitivas larvinhas, ai…

Ervas metidas – Muitas ervas têm duplo poder: o de tornar uma comida especialmente deliciosa ou absolutamente intragável. Um pequeno erro na medida, um punhadinho a mais e… tcharaans! Comida horrível. Isso pode acontecer com qualquer temperinho, com exceção do cheiro-verde. Mas o campeão da intragabilidade, pelo menos para mim, é o coentro. Ele foi a única fonte de sofrimento que tivemos em Recife, quando nos hospedamos na casa de um amigo e ficava feio recusar os almoços e jantares preparados com capricho pela cozinheira da casa. Porque tanto coentro, Senhor? Será que ninguém percebe que coentro tem gosto de pneu de caminhão? E que deixa tudo com gosto de pneu de caminhão? Mas naquele contexto, tudo bem, vai, é uma questão regional. O problema é quando me deparo com coentro em comidas “normais”. Saladas, quibes e outros, por exemplo. O maldito é igualzinho à salsinha, e quando é tarde demais percebo que ficarei horas sentindo o gosto de pneu. Blergh!
Outras ervas têm esse poder de predominar na comida, mas com menos agressividade. Sementinhas de erva-doce, tomilho, alecrim, etc. Quando usadas com sabedoria podem valorizar incrivelmente a comida. Com exceção do orégano, que considero o banalizador universal das pizzas. Não entendo essa mania de colocar orégano na pizza. Ou melhor, considerar que qualquer disco de massa coberto com queijo e qualquer outra coisa, acrescido de orégano, pode ser chamado de pizza. Desprezo o orégano. Orégano tem gosto de tédio.

Chocolate - gosto de infância!

by Arthur

Eu não como chocolate! Eu sei que isso pode parecer uma heresia para alguém que acha que entende de comida, como é possível alguém que teoricamente gosta de comida e comer bem, pode ficar sem comer um petit gauteau ou um brownnie? Acredite em mim, já tentei algumas vezes gostar, mas o resultado é sempre um enjôo que dura por horas, mesmo com os chocolates de alta concentração. 

It gets worse, sou de uma família baiana, e tradicional produtora de cacau! Será que Freud teria algo a dizer sobre isso? Mas a verdade é que simplesmente não gosto de chocolate e sou sempre o assunto favorito de uma mesa de mulheres, que sonham com ter a mesma doença que a minha. Na verdade, as pessoas tendem a ver isso como uma falha no meu caráter, que juntamente com o fato de eu não gostar de cachorros deve me tornar uma pessoa evil! 

Mas não gostar de chocolate já me trouxe muitas frustrações! Quando criança eu não podia me deliciar com todos aqueles ovos de páscoa como as minhas irmãs, isso de alguma forma sempre me incomodou. No começo da década de 90, quando eu era criança não existiam sobremesas em Salvador a não ser algo chocolate ou mousse de maracujá, o que me fez acreditar que eu era uma pessoa que só gostava de salgados! Ledo engano, hoje me delicio com qualquer doce, mas esse foi um processo de descoberta longo, e cheio de desvios, principalmente das decorações de chocolate nas minha sobremesas. 

Mas mesmo tendo me descoberto como um grande apreciador de doces os prazeres da infância que eu tinha perdido ainda me perseguiam. Ontem la estava eu na fila do caixa do supermercado Zona Sul, quando vi um BATOM de doce de leite! Pensei, será que é um chocolate com doce de leite? segundo a embalagem não. Peguei um entreguei para a caixa, e abri logo, ali mesmo no meio daquela confusão do supermercado, estava ansioso! Fui abrindo como sempre tinha visto minhas irmãs abrirem, desenrolando só um pedaço da embalagem, e notei que era clarinho, como uma barrinha de doce de leite! Bingo! Comecei a comer lembrando da cara de minha irmã chocoltotra que levava horas comendo um batom. Por coincidência no meu IPOD, em shufle, estava tocado “The musico of the nigth”, do Fantasma da Ópera, mais uma lembrança da minha infância. Ali no meio daquele caos, me senti com 10 anos, descobrindo o prazer de comer um Batom, anos depois! 

Que venha a Páscoa! Agora eu já como Batom!!!