Comensais

Curiosidade insaciável

Road Trip – Savannah, GA

by Pedro Arraes

Há quase um ano atrás comecei a planejar uma viagem aos EUA, de costa a costa, onde o objetivo era passar de carro pelo maior número de estados americanos possíveis. No início do planejamento listei todas as cidades que gostaria de visitar, mas depois de calcular o tempo de permanência em cada uma a viagem ficou com mais de 60 dias, impossível, tive que cortar várias da lista e ajustar o roteiro para apenas 20 dias. Começa aqui uma série de posts sobre as minhas aventuras gastronômicas dessa viagem!

A primeira cidade visitada foi Orlando, na Florida, mas não tem glamour nenhum em ficar mostrando foto de junk food, concordam? Vamos ao que interessa! De Orlando fui para Savannah, na Georgia. Aproximadamente 450km de carro.

Savannah é uma pequena cidade no leste da Georgia com 136 mil habitantes. Possui uma importância histórica enorme por causa da Guerra Civil Americana e é considerada a cidade mais mal assombrada dos Estados Unidos. Eu tinha que conhecer!

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De manhã fiz um tour guiado a pé para conhecer a história e os locais mais importantes da cidade, recomendo muito o Savannah Dan Walking Tour. O Dan é um guia muito simpático que conhece a cidade como ninguém e recebe a todos vestido de terno e gravata borboleta. Para maiores informações sobre os serviços oferecidos por ele, clique aqui. Depois do tour, fui a uma lanchonete estilo anos 50, a Leopold’s Ice Cream. Um dos melhores milk shakes que tomei na vida!

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De noite fui jantar no restaurante The Olde Pink House, que tem uma história muito interessante. A casa colonial foi construída em 1789 por James Habersham Jr. e teve seus tijolos externos pintados de rosa, cor preferida de sua esposa. Depois da morte de James em 1799 (ele se enforcou no porão da casa), a propriedade foi vendida e revendida algumas vezes e sempre que uma nova família se mudava decidia pintar o exterior de uma nova cor, normalmente branco. O estranho é que aproximadamente 1 semana após as novas pinturas, o exterior da casa simplesmente voltava a ficar rosa!

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No século 20 vários estudos foram feitos para descobrir o motivo desse mistério e a conclusão foi de que o tijolo usado na época tem uma composição que absorve a tinta aplicada. O rosa é a única cor que se mantém por ter sido a primeira. Lógico que os moradores locais não aceitam essa versão e dizem que a casa é mal assombrada e que a cor rosa sempre predomina por desejo da Sra. Habersham, esposa de James, que está retratada no quadro abaixo.

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A casa é enorme e dividida por vários cômodos, cada um com sua decoração singular. Eu jantei, acreditem, no cômodo acima na mesa logo abaixo desse quadro. A garçonete que me atendeu fez questão de dizer que a casa era de fato mal assombrada e que a Sra. Habersham saia de seu quadro à noite para vagar pela casa. Ótimo… minha noite de sono depois de sair do restaurante, sozinho no hotel, seria muito tranquila…

Ainda no restaurante, não pedi entrada, mas ela trouxe uns pãezinhos maravilhosos, meio salgado meio doce, uma delícia. A manteiga também era especial, devorei os quatro em tempo recorde.

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Para o prato principal, eram muitas as opções gostosas no menu. Li em alguns blogs antes da viagem que o prato mais famoso da casa era o Tavern Platter (Fried Green Tomato, Portabella Mushroom and Artichoke Fritters – tomates verdes fritos, cogumelo portobelo e alcachofra frita), mas acabei optando por um dos meus pratos preferidos, que era a sugestão do chef do dia, o Lamb Chop with wild potatoes – costeleta de cordeiro com batatas assadas selvagens. Estava simplesmente divino! A carne macia, super bem temperada e as batatas assadas no tempo certo. Entrou para minha lista “Top 3” dos lamb chops.

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Confesso que ao levantar da mesa dei uma conferida se a Sra. Habersham ainda estava na mesma posição do quadro. Deve ter sido o efeito do vinho parrudo que bebi durante a refeição, mas tive a ligeira impressão que ela me deu uma piscada de olho…. E como dormir sozinho essa noite? Nada como uma vibrante luz acessa no quarto para afastar o medo, ou melhor, medo não… apenas precaução.

Leopold’s Ice Cream
212 E Broughton St, Savannah, GA
(912) 234-4442
www.leopoldsicecream.com

The Olde Pink House
23 Abercorn St, Savannah, GA
(912) 232-4286
www.plantersinnsavannah.com/savannah-dining.htm

*Esse post é dedicado à memória de Alair Ferreira Filho, apaixonado pelos EUA e pela Harley-Davidson, que nos deixou de forma trágica 10 dias antes da minha viagem

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Na Mesa Cabe o Mundo

by Pedro Arraes

“Na Mesa Cabe o Mundo. De Paris ao bar da esquina, o gosto que a vida tem”. Esse é o título do livro escrito pelo nosso querido colega e Comensal Evandro Barreto, o Dodô, que será lançado na semana de 27 de maio de 2013 pela editora Conexão Paris.

Dodô é publicitário e co-fundador da confraria gastronômica “Companheiros da Boa Mesa”, do Rio de Janeiro. Foi jurado de restaurantes da edição 2007 da revista Veja em Curitiba e aqui no Comensais já assinou mais de 40 posts, todos com muito estilo e com o requinte de quem conhece do assunto.

Para maiores informações sobre o livro, acesse o site da Conexão Paris, clicando aqui.

 

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The World’s 50 Best Restaurants 2013

by Pedro Arraes

Foi divulgada a edição 2013 da já famosa lista que elege os 50 melhores restaurantes do mundo, The World’s 50 Best Restaurants. O ranking, que é organizado pela Restaurant Magazine e patrocinado pelas mundialmente famosas S.Pellegrino e Acqua Panna, está em sua décima segunda edição. Os melhores restaurantes do mundo são escolhidos por um seleto grupo internacional de 800 críticos de gastronomia, chefs, escritores e gastrônomos, divididos em 27 regiões de todo o mundo.

O Brasil está representado na seleta lista por dois restaurantes: o já consagrado D.O.M., em São Paulo, do chef paulista Alex Atala e pelo Mani, também em São Paulo, da chef gaúcha Helena Rizzo. O restaurante de Atala veio subindo no ranking nos últimos anos e em 2012 chegou ao impressionante 4° lugar. Nesse ano caiu duas posições e ficou com o 6° lugar. O Mani por sua vez ficou em 51° lugar na lista de 2012 e pela primeira vez entra na seleta lista dos 50 primeiros!

Confira abaixo a lista completa da edição 2013. Em verde os restaurantes que não constavam na listagem ano passado.

  1. El Celler de Can Roca (Girona, Espanha)
  2. Noma (Copenhagen, Dinamarca)
  3. Osteria Francescana (Modena, Itália)
  4. Mugaritz (Errenteria Gipuzkoa, Espanha)
  5. Eleven Madison Park (Nova York, EUA)
  6. D.O.M. (São Paulo, Brasil)
  7. Dinner by Heston Blumenthal (Londres, Inglaterra)
  8. Arzak (San Sebastian, Espanha)
  9. Steirereck (Viena, Áustria)
  10. Vendome (Gladbach, Alemanha)
  11. Per Se (Nova York, EUA)
  12. Restaurant Frantzen (Estocolmo, Suécia)
  13. The Ledbury (Londres, Inglaterra)
  14. Astrid y Gaston (Lima, Peru)
  15. Alinea (Chicago, EUA)
  16. L’Arpège (Paris, França)
  17. Pujol (Cidade do México, México)
  18. Le Chateaubriand (Paris, França)
  19. Le Bernardin (Nova York, EUA)
  20. Narisawa (Tóquio, Japão)
  21. Attica (Melbourne, Australia)
  22. Nihonryori RyuGin (Tóquio, Japão)
  23. L’Astrance (Paris, França)
  24. L’Atelier Saint-Germain de Joel Robuchon (Paris, França)
  25. Hof van Cleve (Kruishoutem, Bélgica)
  26. Quique Dacosta (Denia, Espanha)
  27. Le Calandre (Rubano, Itália)
  28. Mirazur (Menton, França)
  29. Daniel (Nova York, EUA)
  30. Aqua (Wolfsburg, Alemanha)
  31. Biko (Cidade do México, México)
  32. Nahm (Bangkok, Tailândia)
  33. The Fat Duck (Bray, Inglaterra)
  34. Fäviken (Jarpen, Suécia)
  35. Oud Sluis (Sluis, Holanda)
  36. Amber (Hong Kong, China)
  37. Vila Joya (Albufeira, Portugal)
  38. Restaurant Andre (Singapura)
  39. Otto e Mezzo Bombana (Hong Kong, China)
  40. Combal.Zero (Rivoli, Itália)
  41. Piazza Duomo (Alba, Itália)
  42. Schloss Schauenstein (Furstenau, Suíça)
  43. Mr & Mrs Bund (Shangai, China)
  44. Asador Etxebarri (Atxondo, Espanha)
  45. Geranium (Copenhagen, Dinamarca)
  46. Mani (São Paulo, Brasil)
  47. The French Laundry (Yountville, EUA)
  48. Quay (Sydney, Austrália)
  49. Septime (Paris, França)
  50. Central (Lima, Peru)

Na sequência da lista, mais um restaurante brasileiro:

.80. Roberta Sudbrack (Rio de Janeiro, Brasil) – da chef gaúcha Roberta Sudbrack

Fonte: www.theworlds50best.com

Você já foi a algum desses restaurantes? Conte a história para a gente, iremos publicar aqui no Comensais!!! Entre em contato abaixo deixando seu e-mail.

 

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Eu em Buenos Aires

by Mariana Souza

Eu adoro Buenos Aires – Buenos, para os íntimos.  Mas com a correria do dia a dia, e também porque o Marido não é muito fã do lugar, acabamos visitando pouco aquela cidade, apesar da proximidade e da vasta opção de bons programas (inclusive os gastronômicos).

Mas por conta de um compromisso profissional, eu e Marido tivemos que passar 4 dias lá – o que, claro, não foi nenhum sacrifício. Eu tratei de colher dicas, com familiares e amigos frequentadores, de hotel, museus, lojinhas legais e, claro, restaurantes.

Uma indicação praticamente unânime foi o Tegui. Coincidentemente, dias antes da minha viagem O Globo publicou uma matéria sobre restaurantes em Buenos, e novamente lá estava ele. Então não perdi tempo e garanti logo minha reserva (que, como pude comprovar mais tarde, é absolutamente essencial).

O lugar é super interessante. Para começar, o exterior não dá a menor dica de que naquela casa há um restaurante. Não tem movimentação externa, porteiro, nada. Apenas um muro desenhado e uma porta fechada.  Como já havia sido avisada disso, pude orientar o taxista, que estava completamente perdido.

Mas lá dentro o restaurante não deixa nada a desejar. Decoração sóbria, uma adega deslumbrante que ocupa toda a parede da entrada, e ainda mesinhas em área externa.  A cozinha é aberta, no meio do salão, o que dá um charme especial.

O couvert era composto de pãezinhos gostosos e manteiga, além de pequenos cones com creme de brie e delicadas colheres com gaspacho.

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O cardápio dá opção de preço para um prato, dois, três, degustação de 8 pratos ou ainda degustação harmonizada com 3 taças de vinho.  Apesar das tentações, eu optei por 2 pratos e o Marido por apenas um.

De entrada, escolhi o soufflé de queijo de cabra com compota de marmelos no fundo, que estava absolutamente divino.

De principal, optei pelo gnocchi de ricota com pinhões, moelas, espuma de trufas e queijo parmesão. Confesso que, depois da primeira garfada, discretamente tirei os pedaços de moela do prato e coloquei no pratinho lateral. Não que estivesse mal feita, nem nada do gênero, mas eu realmente não gosto do sabor (e da textura), então preferi investir apenas no gnocchi, que estava sensacional.

O Marido se esbaldou com um lombo argentino (nosso filé mignon) com molho chimichurri, batatas ao carvão, ovo e farofa, que também estava de lamber os beiços.

Ao final, a conta retratou o que já esperávamos: foi a refeição mais cara da viagem, e com apenas uma garrafa de vinho.  Mas valeu cada peso!

Tegui
www.tegui.com.ar
Costa Rica, 5852
Buenos Aires, AR
info@tegui.com.ar

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Eu em Nova Orleans

by Mariana Souza

A expectativa era grande. Depois de 9 anos eu voltaria a Nova Orleans (ou NoLa).  Sozinha, pós Katrina e por apenas 3 dias.  Eram muitas emoções para muito pouco tempo!

Quando morei lá, levava vida de estudante.  Isso significa que, na maioria das vezes, comia na faculdade ou cozinhava em casa, e acabei conhecendo relativamente pouco da culinária local, que é riquíssima.  Dessa vez, como turista, pude curtir a cidade e descobrir lugares (inclusive restaurantes) nunca antes visitados.

Depois de tanto tempo, alguns restaurantes que eu gostava não existem mais.  Por outro lado, claro, outros tantos novos foram abertos, e a cidade está linda, animada, alegre, e cheia de amor para dar aos turistas.

Uma feliz descoberta foi o Amelie Café.  Um restaurantezinho escondido na Royal Street, entre lojinhas charmosas e galerias de arte, bem na meiuca do French Quarter.

Pelo jeito, mais gente já o havia descoberto, pois às 14h havia fila de espera, mas valeu muito a pena.  Passada a porta, chega-se a um enorme pátio com chafariz, muitas plantas, e mesinhas ao ar livre, cobertas por enormes ombrelones.  Há também mesas do lado de dentro (com ar condicionado), mas que perdem em muito em charme para as externas. O restaurante é conhecido pelo maravilhoso brunch dos finais de semana, que não cheguei a experimentar.  Mas o almoço que tive não deixou nada a desejar.

Pedi uma limonada da casa, que não chegou a impressionar, mas não liguei muito porque suco natural da fruta não é mesmo o forte dos americanos…  De entrada pedi uma porção de torradas de pão integral com queijo de cabra, geleia de figo e nozes, que estava absolutamente divina. Tão boa, na verdade, que perguntei de onde era a geleia e, no dia seguinte, me despenquei para o outro lado da cidade para comprar, mas isso é outra estória…

De principal, pedi uma salada de folhas com queijo de cabra (sim, eu gosto!), morangos e vinagrete de morango, que estava deliciosa.

Lugar charmoso, boa comida, preços honestos. Super recomendo.

Outro lugar que visitei (revisitei, na verdade) foi o Mother’s.  O estilo é o oposto do Amelie: restaurante americanão; faz-se o pedido no caixa, pega-se o prato no balcão. Cardápio enorme e somente de comidas altamente calóricas.  O forte deles é o PO’ Boy, que são sanduíches feitos no pão de leite e super tradicionais da cidade.

Como já estava mesmo no inferno, pedi um PO Boy de camarão empanado. O sanduíche (enorme) é basicamente pão, molho tártaro e dezenas de bolinhas de camarão. Nem preciso dizer que sobrou mais da metade, né?

Esse é um lugar que vale a pena conhecer pela tradição; talvez até pedir um PO Boy para dividir com alguém, mas não dá para passar muito disso.  E o Mother’s ainda sustenta produzir o melhor Black ham do mundo, mas esse eu passei.

Além desses, fiz questão de revisitar também o La Madeleine.  É uma cadeia de restaurantes com lojas no Sul dos EUA, de estilo francês, com boa comida e ambiente super aconchegante.  Existem 6 lojas em NoLa e o cardápio é sempre o mesmo.  São algumas variedades de quiches, outras de sopinhas, saladas para montar na hora, e sobremesas dos deuses.

Pedi uma sopa de tomate e uma quiche lorraine.  O almoço estava gostoso, mas nada que se comparasse à sobremesa, que foi a torta de frutas (daquelas que tem a crosta, o creme de baunilha no fundo e várias frutinhas no topo).  Confesso que a visita ao restaurante tinha como propósito apenas a torta, mas como tinha companhia, tive que almoçar antes…

Ah, e antes que eu me esqueça: a geleia de figo! Segundo a garçonete do Cafe Amelie, era comprada na St. James Cheese Company, em uptown NoLa.  Então no último dia me mandei para lá, achando que era uma fábrica – o que seria um tanto inusitado naquela parte da cidade – ou ao menos algum tipo de galpão.  Nada disso.  Graças ao google, descobri que era um simpático restaurante que serve/vende nada menos que 50 tipos de queijos, além de frios, mostardas, apetrechos para casa e…geléias! Infelizmente a cozinha fecha cedo, então só deu tempo de provar poucas variedades de queijo.  Mas garanti alguns exemplares da geleia de figo, e otras cositas más que a alfândega nem pode desconfiar….

Café Amelie
http://www.neworleansrestaurants.com/cafe_amelie/?q=cafeamelie/
912 Royal Street
New Orleans, LA 70116

Mother’s Restaurant
http://www.mothersrestaurant.net/
401 Poydras
New Orleans, LA

La Madeleine
http://www.lamadeleine.com/

St James Cheese Company
http://www.stjamescheese.com/
5004 Prytania Street
New Orleans, LA.
(504) 899-4737

 

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