Tudo fresquinho

Por Márcia Luz | 21 de Maio de 2008

Se há uma coisa que considero fundamental para levar a sério um estabelecimento que serve comida é o frescor do que vêm à mesa. Basta desconfiar de uma alface desanimada na salada e todo o meu ser se enche de desprezo pelo lugar – pior ainda se for um restaurante caro.

Pois bem, esse definitivamente não é o problema da churrascaria Badida, tradicional restaurante de Curitiba, aberto há mais de duas décadas no bairro do Batel. Não costumo freqüentar a Badida, pela distância da minha casa e também porque sempre impliquei um pouco com o ambiente. O que é uma questão pessoal, obviamente. O ambiente me causa uma certa claustrofobia, poucas janelas, sempre fechadas (porém, devo ressaltar que o sistema de ar-condicionado é impecável), e também acho tudo muito branco, claro, antisséptico demais para uma adoradora de madeiras, verdes e afins. Bem, mas a comida compensa. E como.

É um dos restaurantes prediletos da minha mãe, e fazia muito tempo que não almoçávamos juntas na Badida. O Dia das Mães foi a ocasião perfeita para agradar família e paladar a um só tempo. O primeiro ponto favorável do restaurante é o serviço ágil. Mal o cliente senta-se à mesa, o garçom prontifica-se a fazer o pedido de bebidas. Mais alguns minutos, nos servem um esfuziante prato de salada - agrião bem verdinho, cenouras e pepinos crus cortados em palitos, alface americana no auge da crocância. É aqui que enfatizo a importância do frescor. Penso ouvir os gritinhos dos vegetais: acabamos de sair da horta! Estamos vivinhos! Imediatamente, todos estendem os dedos para o prato.

Junto vem uma cesta de pães quentíssimos – pães de queijo recém-saídos do forno e o pão da casa, macio, cortado em fatias grossas. Fácil esquecer que se está numa churrascaria e é necessário guardar espaço para uma generosa quantidade de carne. Bem, mas ainda estamos no couvert, que ainda inclui uma espécie de chutney de berinjela e as bolinhas de manteiga de sempre.

A Badida serve a la carte – poucas forças da natureza podem me fazer entrar num rodízio de qualquer espécie – mas a carne vem aos poucos, conforme o cliente vai consumindo, e pode-se escolher o ponto de cada pedaço. O pedido foi o seguinte: picanha para todos, ao ponto para mal passado. A família queria sangue! Também pedimos dois acompanhamentos, que considero obrigatórios para quem vai na Badida: alho no azeite, que consiste em uma grande porção de fatias crocantes de alho imerso em azeite quentíssimo, em uma pequena caçarola; e farofa de ovo, molhadinha e bem temperada.

A ogrice têm início, e todos seguem o mesmo ritual. O garçom traz as fatias de picanha, rigorosamente macias e suculentas, embora um pouco finas na minha opinião (gosto da peça mais alta). Cada um pega a sua, cobre-a com uma porção de alho, coloca mais alho sobre a farofa e em seguida comporta-se como um tigre faminto e sem escrúpulos. Picanha por picanha, alho por alho, tudo vai pro papo, o que não significa que as porções sejam pequenas.

No fim, espantamos a consciência pesada com uma tacinha de licor. Não há espaço para a sobremesa.

Rating: ★★★☆☆
Badida
Avenida Batel, 1486.
Tel: (41) 3243-0473

A Vida é uma Festa - parte 2

Por Mariana Souza | 19 de Maio de 2008

Eu não tomo café mas, claro, não dispenso os petit four que sempre vêm acompanhando os chazinhos e cafezinhos ao final das refeições. Até porque, para mim, eles normalmente substituem a sobremesa, que eu evito ao máximo pedir (ok, como se petit four fosse muito diet…).

E de todos aqueles biscoitinhos insossos com gosto de fécula de batata, o único que normalmente se salva é o financier de amêndoas. Aliás, o financier de amêndoas há muito deixou de ser guarnição de cafezinho e ganhou vida própria. E a prova disso segue abaixo.

Sempre que eu e Marido recebemos amigos em casa, fazemos questão de comprar uns financier de amêndoas para acompanhar o cafezinho. Isso, claro, fez com que eu acabasse provando múltiplos exemplares, de lugares diversos. Para variar, tenho os meus favoritos.

O primeiro que provei foi o do Cafeína. Já se vão alguns anos, e os financier deles eram campeões. Bem pequenos, ficavam bonitinhos para acompanhar um cafezinho (tanto assim que acompanham os cafezinhos servidos no restaurante). Antes eram vendidos em saquinhos, e, depois, passaram a ser vendidos por peso. Essa mudança foi ótima, já que às vezes queríamos apenas 4 ou 5, mas tínhamos que levar para casa um saco com pelo menos o triplo. Acontece que, com o tempo, a qualidade do financier do Cafeína foi caindo. Como são pequenos, rapidamente ficam ressecados e duros. Além disso, começaram a ficar um pouco gordurosos, diferente de como eram tempos atrás. Mas continuam gostosos e têm a grande vantagem de, além de serem vendidos por peso, serem de fácil acesso, já que há uma loja do Cafeína a cada 5 quarteirões no trajeto Copacabana / Ipanema / Leblon.

Outro que provei e logo me apaixonei foi o do Garcia & Rodrigues. Os financier de lá são um pouquinho maiores que os do Cafeína, e muito gostosos. O problema é que só vêm em embalagens grandes, umas caixinhas que devem ter umas 25 unidades. Com isso, a brincadeira fica cara. Claro que, sendo de onde são, não seriam baratos. Mas multiplicado por 25 fica ainda pior…

Muito tempo depois de conhecer os financier do Cafeína e do Garcia & Rodrigues, descobri os da Brasserie Rosário, que são espetaculares! São bem grandinhos (para tamanho de petit four), parecem uns bolinhos. Têm variações com ou sem chocolate, mas ainda prefiro os tradicionais, só de amêndoas. O preço é bem razoável, e vêm em saquinhos com mais ou menos 10 unidades. A grande desvantagem é que só é possível comprar no restaurante, no Centro da cidade. Portanto, não é sempre que dá para comprar, ainda mais para um evento planejado para um fim de semana.

Quando achei que já conhecia todos os bons financier de amêndoas da cidade, eis que conheci os da La Marquise. E o mais curioso foi a maneira como aconteceu.

Um dia fui almoçar no restaurante Oliveira, um português chiquezinho que abriu perto do meu trabalho. Na hora do café vieram os financier…maravilhosos!!! Parece que são recheados com óleo de amêndoas, de tão molhadinhos e saborosos. Na hora perguntei ao garçom se eram de fabricação própria, e ele me disse que não, eram de uma padaria em Copacabana, La Marquise.

Comentei com a minha mãe que, por coincidência, conhecia essa padaria dos tempos dela de infância. Como se aproximava o dia do meu casamento – e, claro, eu queria servir aqueles financier na mesa do café – fui me aventurar por Copacabana para encontrar o lugar. É preciso descer a Rua Duvivier e entrar à esquerda. A rua parece de pedestres, tem algumas casas e prédios baixos. Logo à esquerda está a La Marquise. O lugar parece uma padaria abandonada. Vitrines vazias e apenas algumas bandejas com docinhos, alguns chocolates e os famosos financier. O atendimento é feito pelos donos que, pela idade, devem ser os mesmos que atendiam a minha mãe 40 anos atrás.

O preço é bem honesto e é possível fazer encomendas (mas nada de entrega em casa, claro). Nem preciso dizer que fizeram o maior sucesso no meu casamento e continuam sendo a sensação do cafezinho do Oliveira. É, disparado, o melhor financier de amêndoas que eu já comi.

Confeitaria La Marquise
Rua Carvalho de Mendonça, nº 29 A, Copacabana
(21) 2541-9148

Garcia & Rodrigues
Av. Ataulfo de Paiva, nº 1251, Leblon
www.garciaerodrigues.com.br

Cafeína
R. Farme de Amoedo, nº 43, Ipanema
www.cafeinabistro.com.br

Brasserie Rosário
Rua do Rosário, nº 34 – Centro
www.brasserierosario.com.br

Uma pausa no trabalho com pinhão e quentão

Por Paulo Polzonoff Jr | 16 de Maio de 2008

Faz frio em São Paulo. Muito. Estou assoberbado de trabalho. Feliz, podendo, finalmente, planejar algumas coisas muito boas na vida. Mas ainda assim assoberbado. Como é que vou dar conta disso tudo?, me pergunto. Sem obter respostas, às vezes me rendo. Foi assim no fim de semana. E tudo se tornou muito mais fácil com um pouco de pinhão e quentão à moda do sul.

Memórias de festas juninas, tenho muitas. Duas são especiais. Aos doze anos, por exemplo, passei toda a festa fugindo da menina de que gostava, por medo de que ela, veja só!, retribuísse o sentimento. Eram tempos inocentes, aqueles. Noutra festa junina de colégio, já corrompido, fiquei responsável pela barraca de quentão. Contrabandeei cachaça para dentro do colégio e, entre uma mexida e outra no caldeirão, adicionei álcool à mistura que era para ser apenas um suco de uva quente.

O quentão, aliás, foi motivo de controvérsias há alguns anos, quando descobri, pasmado, que no Nordeste não se usa vinho, e sim cachaça. Meu quentão é quentão do sul, isto é, de vinho. Sem adição de cachaça. Apenas com canela, gengibre, açúcar, cravo e água. O álcool do vinho evapora quase todo. Trata-se de uma bebida para a família, não algo para se embriagar. A não ser, claro, que esta seja a intenção primeira.

E o pinhão? Ah, o pinhão. Minha mulher, a Paula, carioca, nunca tinha experimentado pinhão. No ano em que nos conhecemos, levei para o Rio de Janeiro alguns quilos da iguaria. Devidamente cozida na panela de pressão por uma boa hora, é para se comer entre amigos, com goles de quentão. Foi o que fiz, entre outros cariocas. Para minha surpresa, nenhum deles gostou muito do pinhão. O que me levou a algumas elucubrações melancólicas.

A mais importante delas: o pinhão não é bom. Digo, em se tratando de sabor absoluto. Por isso, entendo a resistência da minha mulher e meus amigos cariocas, sobretudo depois de toda a propaganda que eu, ingênuo, fiz a respeito da semente. Para quem não tem memórias de noites geladíssimas comendo pinhão, ele é tão-somente um feijão superdesenvolvido ou, sei lá, uma batata subdesenvolvida, com uma carca dura demais. Para mim, contudo, ele é a madeleine no meu chá.

Cada pinhão que coloco na boca é uma fonte de memórias. Nem todas boas. Mas lembranças más também têm sua serventia, não? Gosto de me lembrar dos erros do passado, nem que seja para perceber o quão afortunado sou hoje. Pinhão após pinhão, sou capaz de ouvir vozes, a minha e a de outros, e de me lembrar de roupas e assuntos evocados nas mais enregelantes das noites. Se um dia construíssem uma máquina do tempo, ela teria de ser feita a partir de cascas de pinhão.

Há quem use o pinhão em receitas diferentes. Sopa de pinhão, risoto de pinhão, purê de pinhão. Conservador que sou, dispenso o que considero uma excentricidade. Pinhão, para mim, só ao natural, cozido a ponto de quase sair da casca. Nem mesmo pinhão assado eu tolero. Para mim, seria o mesmo tomar o chá de Proust com uma bolacha de maizena ou coisa que o valha.

De volta ao trabalho, nestes dias frios, às vezes fecho os olhos e me lembro do gosto da minha infância invernal: o cheiro da geada pela manhã, o quentão fervendo na panela, o quentão chiando sob a pressão. Não há, na minha memória, espaço para lareiras ou fogões à lenha, infelizmente. Este espaço eu o preencho com a imaginação. Há, no entanto, pessoas. Meus pais, minha irmã, amigos imberbes e ingênuos, amigos imberbes e nada ingênuos, meninas que achei que amava e meninas que talvez eu tenha amado. Há ainda a solidão, que nada mais é do que a presença da ausência de pessoas queridas.

Tudo isso num pinhão?, você me pergunta. Bem, talvez seja o quentão fazendo algum efeito.

Receitas

Não há mistério em se fazer pinhão. Na panela de pressão, cubra os pinhões com água e coloque um bocado de sal. Cozinhe por cerca de quarenta minutos ou uma hora. Se estiver difícil de tirar o pinhão da casca, cozinhe mais um pouco.

Quanto ao quentão, também há pouco mistério. A receita básica é vinho, que pode ser seco ou suave. No caso de usar vinho seco, é preciso colocar mais açúcar ao final. Numa panela, você despeja o vinho, com um pouco de água. Eu usei uma xícara de água para um litro de vinho. Coloque uns pedaços generosos de gengibre, uns paus de canela e cravo. Deixe ferver, mas não muito, porque se não o quentão perde todo o álcool. Se quiser algo mais forte, convém acrescentar um pouco de cachaça no final.

Nem só de camarão…

Por Giuliano Fernandes | 15 de Maio de 2008

Eu sentia uma carência. Gosto de um bom hambúrguer. Convivi com os servidos pelo Joe & Leo´s e sentia falta desta possibilidade. A opção de comer um hambúrguer farto, assado ao gosto do cliente, bem acompanhado. A opção de me desviar do McDonald’s ou do Burger King.

Porém, acontecimentos da vida me levaram a optar por retornar e por ficar em Fortaleza. Adoro minha cidade. Ela oferece algumas coisas que só se encontra por aqui. Mas, até algum tempo atrás, faltava-nos um bom restaurante de hambúrguer. Bem, felizmente, já não falta.

Admito que não é recente a existência do restaurante ora analisado. Recente é minha vida de colaborador deste site. Recente foi meu retorno ao Sputnik em tal condição. Então, vamos à análise.

A fome não era intensa. Afinal, era dia das mães e o almoço com tal motivação foi longo. Mas a perspectiva de um regime por se iniciar fez-me descartar qualquer opção mais light e acompanhar minha namorada na pedida da especialidade da casa: sanduíches. No meu caso, optei pelo hambúrguer denominado Dallas, assado ao ponto para bem. Descrição: hambúrguer, queijo cheddar, alface, tomate, bacon crocante e molho barbecue servido em separado.

Suculento, ligeiramente oleoso, ingredientes frescos. Enfim, tudo o que se esperava de uma “chutação de balde”. De acompanhamento, ontem, recorri aos persistentes refrigerantes “zero”. Mas, com base em experiências anteriores, recomendo um Milk Shake. Ao final, petit gateau compartilhado pelo casal com elogios feitos especialmente pela – em regra - maior autoridade em doces: a mulher.

(O que foi? Por que essa cara de reprovação? Era domingo. Regime só se começa na segunda. No meu caso, na terça, só por teimosia.)

A decoração do ambiente é de uma agradável irreverência. Colorida, com toque de começo dos anos 80. Baldes com clássicas balas daquela época são postos em cortesia. Lembram da bala soft ou ela tinha outro nome nos demais Estados?

Telões apresentam vídeos musicais condizentes com a música tocada. Odeio locais em que o telão transmite imagens de um show do Queen enquanto você escuta Britney Spears. Meus olhos gostam da companhia dos meus ouvidos.

O preço não é barato para padrões locais, mas compensa pela comida e, não poderia esquecer, pelo serviço. Constante, rápido e atencioso.

Enfim, se estiverem em Fortaleza e não agüentarem mais a idéia de frutos do mar ou comidas típicas, experimentem. A visita é mais do que válida.

Rating: ★★★★☆

Sputnik Casual
Av. Senador Virgílio Távora, 1085-A
www.sputnikcasual.com.br/

O futuro do vinho

Por Mariana Souza | 14 de Maio de 2008

Ouvidas em botecos

Por Evandro Barreto | 13 de Maio de 2008

Às vezes, um simples fragmento de conversa, ouvido por acaso, já vale a ida ao boteco da esquina – qualquer esquina de qualquer cidade. Quando tenho disposição e um guardanapo por perto, anoto o que ouvi, com o vago propósito de, um dia, organizar uma antologia de balcão.
Por ora, partilho com vocês algumas declarações inesquecíveis, com o devido registro do local da ocorrência.

Bofetada (Ipanema) – “Toda loura tem um fundo preto”.

Clipper (Leblon) - “Criança sem trauma não sobrevive”.

Bar do Hotel Marriot (Hamburgo) – “Alemão se aprende na cama”.

Stuart (Curitiba) – “Mãe, comer sem beber faz mal?”

Le Coin (Leblon) – “Uma empada de siri, sem espinha”.

Cabeça Chata (Copacabana) –“Se estiver bebendo cachaça, não faça barulho de uísque”

Bar dos Caixotes (Copacabana) – “Se não tem o que fazer, não vem fazer aqui”.

Bar Brasil (Lapa) – “O problema das crianças de hoje em dia é a falta de carência”.

Baiuca (São Paulo) – “Pensei a noite inteira. Se tudo der certo, até sábado eu me mato”.

Botecos de Belo Horizonte

Por Autor Convidado | 9 de Maio de 2008

Por Délio Canabrava

Experiente botequeiro curitibano, proprietário da Cantina do Délio e sócio da Bella Banoffi; Délio Canabrava é um hiperativo pesquisador do mundo gastronômico. Viaja constantemente atrás de novos lugares, idéias, aromas e sabores. Sua aventura mais recente foi uma visita ao festival Comida di Buteco, em Belo Horizonte, quando se tornou correspondente temporário do Comensais. Délio conseguiu uma façanha: visitou 30 botecos em três dias, numa espetacular média de dez botecos por dia, alimentando-se basicamente de torresmo e cachaça. Incrivelmente, ele afirma que não teve azia, problema que o atormenta constantemente. Talvez esteja surgindo uma nova descoberta medicinal: torresmo e pinga evita acidez do estômago.

Dessa jornada pelo universo botequístico de BH, Délio tirou algumas conclusões gerais:

• Simplicidade e autenticidade – ninguém faz pose, os donos de bares são pessoas simples e têm muito orgulho de suas raízes. A simpatia reina absoluta.

• Dono da casa na casa – invariavelmente, os proprietários dos botecos estão sempre presentes em seus estabelecimentos, seja atendendo o público, cozinhando ou servindo. Talvez esse seja um dos elementos mais importantes para garantir as casas sempre cheias.

• Democracia – no boteco, todos são iguais, por mais diferentes que sejam. Os botecos de BH são cenário de grande diversidade humana.

• Todos os botecos oferecem pinga e torresmo. E há também o KAOL – carne, arroz, ovo e lingüiça – prato mineiríssimo, oferecido em qualquer casa.

• Copo Lagoinha – é como eles chamam o copo americano. Lagoinha é o bairro das, digamos, senhoras de vida fácil.

• O termo usado para os estabelecimentos “menos sofisticados” é copo sujo, ao invés do comum pé sujo.

• A grande maioria das casas têm mesas na calçada, em alguns casos até na rua, não aceita cartões e não utiliza computador. Quase todos têm um quadro de regras, as mais variadas possíveis, como “não pode subir nas mesas”; “não servimos angu nas terças-feiras”, etc etc.


• Vários botecos têm a cozinha no meio do salão e o caixa é junto da cozinha. Vai entender o porque…

• Os mineiros amam jiló, usam como se fosse cebola.

A seguir, alguns destaques da cobertura de Délio:

BARTIQUIM – O dono, seu Bolinha, costuma sentar-se estrategicamente na esquina, de onde observa tudo. Vende 80 kg de língua e 40 kg de torresmo por dia. Lema: “experimente minha língua e depois coma o rabo do vizinho”. É que o bar ao lado, o Temático, é conhecido pela rabada. O carro-chefe da casa é Pirei com a Língua (língua ao molho com purê de batata e torresmo).

BAR TEMÁTICO – A especialidade da casa é a rabada, e os nomes dos pratos fazem várias gracinhas com a palavra “rabo”. É o caso do prato Com a Mão no Rabo Doce, composto de rabada assada no bafo, servida com batata doce e agrião. Detalhe: é para comer com a mão mesmo, e ao invés de talheres o cliente recebe uma luva de plástico.

KÖBES BAR – Esse alia a mineirice ao sotaque alemão, já que a mulher do dono é uma gaúcha de ascendência germânica. Não por acaso, o prato que participa do festival é o Mineirice com Sotaque Alemão – torresmo estalinho com molho negrito, bolinho de carne e croquete de cenoura com molho de mostarda. Há 300 garrafas de pinga dispostas numa mesa no centro do bar, à disposição dos clientes.

BAR DO ANTÔNIO (PÉ-DE-CANA) – Há dois pés de cana plantados na frente do bar. Apesar de o prato concorrente do festival ser Rolinho de Lagarto com Presunto de Parma, Délio aprovou mesmo foi o Galopé – galo velho cozido com pé-de-porco.

BAR BRASIL – Não participa do festival, mas é um local antigo, tradicional. O orgulho da casa é servir o maior torresmo de BH, com aproximadamente 15 cm. Serve um prato à base de pescoço de peru que, segundo nosso correspondente, lembra uma rabada e é uma delícia.

CASA CHEIA – Fica no mercado central, e faz jus ao nome: mal dá pra se mexer de tanta gente que concentra. Todos os pratos levam orapronobis, famosa verdura mineira, parecida com almeirão.

PAULO´S BAR – Um local simples, “de vila” (expressão autoexplicativa do Délio). Servem uma excelente carne-de-sol com manteiga de garrafa. Uma curiosidade: os clientes têm que pagar se quiserem ver jogo de futebol pela televisão do bar, algo como R$ 1,00 a hora. Em dia de decisão é mais caro.

222 BAR – Era um salão de beleza, e a cabeleireira costumava servir café e bolo para os clientes. Evoluiu para boteco, mas ainda mantém os serviços de cabeleireiro. Dentro do bar. Imagine, cortar o cabelo tomando cerveja.

BAR DO DOCA – Único na cidade a servir torresmo na grelha (normalmente o torresmo é frito). As mesas chegam a invadir o asfalto nos dias mais cheios.

BAR PALHARES – No centro de BH, é um dos melhores na avaliação do Délio. Resume-se a um balcão em forma de U com 24 banquetas em volta, mas serve até 300 almoços por dia.

MERCEARIA LILI – No mínimo intrigante. O dono não tem cartão de visitas, não tem telefone nem celular. Ligações para ele, só no telefone público em frente ao bar. O local é escuro, inclusive a cozinha. A cozinha é mínima, só há uma cozinheira, mas o cardápio oferece 90 pratos. E muito bons, incrivelmente. O destaque é o Pé no Rabo – rabada com pé de porco. Ah, esses mineiros…

BAR DA ANA – O dono faz tudo: atende, cozinha, limpa, lava, passa. A comida é ótima, tudo feito com banha. O bar é famoso pelo ossobuco, mas também merece igual respeito o granito – carne de maçã-de-peito, bem gordurosa, lembra o cupim, e é uma delícia.

BAR DO ZEZÉ – Serve um rabinho de porco cozido delicioso – a essa altura, nos impressionamos com a resistência do fígado do nosso correspondente – jiló recheado, galinhada e angu… tudo maravilhoso.

BAR DO CAIXOTE – Literalmente. Não tem mesas nem cadeiras, só caixotes. No cardápio, além de comida e bebida a casa serve Sonrisal e Sonridor.

BAR PATORROCO – Decoração criativa e cardápio idem: servem uma espécie de acarajé mineiro, com massa de milho e recheio de pernil.

BOLÃO – Lugar de respeito, onde os verdadeiros boêmios mineiros terminam a noite (a casa fecha às sete da manhã), freqüentado por gente como Lô Borges, músicos do Sepultura, J. Quest, Skank, entre outros. Serve um excelente espaguete, prato de resistência da casa.

Agradecimentos do Délio: à gentil acolhida do pessoal de BH e especialmente à família Canabrava Damas, que tornou possível o cumprimento da intensa jornada.