A imposição da batata-frita
por Paulo Polzonoff Jr
Olhei para minha mulher com minha melhor cara de coitado. Primeiro eu a adverti:
- Tenho uma coisa muito séria pra falar pra você. Talvez você me odeie mortalmente por isso.
Sou exagerado. Ela se ajeito na cadeira. E eu disse:
- É que. Bem. Eu estava pensando…
- Desembucha!
- É que eu não gosto muito de batata-frita.
Fez-se um silêncio na mesa. Achei que ela iria se separar de mim naquele instante. Mas, para minha surpresa, ela disse:
- Eu também não.
Daà é que percebemos: parece que somos obrigados a gostar de algumas coisas. Batatas-fritas, por exemplo. Eu como, claro. Quase sempre em lanchonete, porque nunca faço batata-frita em casa. Mas não é algo saboroso. Não adianta tentar me convencer. Não é. Não passa nem perto disso.
De batata, prefiro purê a batata-frita. Ou então batatas assadas.
Mas não posso deixar de dizer que, sei lá por quê, me sinto um pouco pária por causa disso. Acho que vou comer batatas-fritas para ver se a culpa vai embora.
[bl]batata-frita, batata[/bl]