A mesa do tamanho do mundo

por Evandro Barreto

Este texto é dedicado à Helena, que nasceu na Bahia, mora hoje em outro estado, estudou na Europa, é casada com europeu e faz esculturas gastronômicas com um produto inventado pelos mexicanos, muito antes de um italiano descobrir a América a serviço dos espanhóis.

O que coloco aqui não é uma crônica, ensaio, tratado ou reportagem. È uma proposta a todos os amigos, comentaristas e leitores dos “Comensais”. Quem de nós jamais chegou a uma cidade estranha do próprio país ou do exterior, sem a mínima idéia de onde comer, beber ou divertir-se? Quem de nós, por isso mesmo, não teve experiências que gostaria de esquecer, mas foi compensado com descobertas até hoje lembradas com prazer? E então, vamos compartilhar esse acervo de conhecimentos?
Dou eu o pontapé inicial. Pior experiência: uma pizza em restaurante de estrada no interior de Goiás. “Aquilo” em cima do queijo muzzarella não era orégano nem manjericão, era folha de louro crua e picada, Acrescento o último must do segmento afluente-deslumbrado nacional: queijo Brie recoberto de geléia de damasco. Pauvre Brie.
As mais inesperadas e deliciosas descobertas: um bistrot em Arles, em frente à arena, onde comi os melhores aspargos frescos da minha vida.
Outros achados: a sopa de cabeça de garoupa da “Peixada do Lula”, na orla marítima do Recife, facilmente identificável, no mais superficial dos exames da FIFA, como poderoso dopping; o creme de feijão branco do “Golden Stadt”, restaurante tcheco de Munique.
La blonde acaba de me lembrar do pitty panna, um quebra-galho experimentado em meio à neve que nos isolava em Linköping, no interior da Suécia, circunstância que tornava qualquer outro pedido de difícil execução. Simples, substancial e saboroso, o pitty panna consiste em cubos de batatas cozidas e presunto cozido refogados na frigideira e acrescidos de picles e de ovos fritos por cima.
Como bebida, outra bela surpresa foi o vinho grego Boutari Naussa, que nada tem a ver com o preocupante “retsina”.
Bola com vocês.
Abraços a todos,

Dodô, o globetrotter da fome.