A mesa do tamanho do mundo
por Evandro Barreto
Este texto é dedicado à Helena, que nasceu na Bahia, mora hoje em outro estado, estudou na Europa, é casada com europeu e faz esculturas gastronômicas com um produto inventado pelos mexicanos, muito antes de um italiano descobrir a América a serviço dos espanhóis.
O que coloco aqui não é uma crônica, ensaio, tratado ou reportagem. È uma proposta a todos os amigos, comentaristas e leitores dos “Comensais”. Quem de nós jamais chegou a uma cidade estranha do próprio país ou do exterior, sem a mínima idéia de onde comer, beber ou divertir-se? Quem de nós, por isso mesmo, não teve experiências que gostaria de esquecer, mas foi compensado com descobertas até hoje lembradas com prazer? E então, vamos compartilhar esse acervo de conhecimentos?
Dou eu o pontapé inicial. Pior experiência: uma pizza em restaurante de estrada no interior de Goiás. “Aquilo” em cima do queijo muzzarella não era orégano nem manjericão, era folha de louro crua e picada, Acrescento o último must do segmento afluente-deslumbrado nacional: queijo Brie recoberto de geléia de damasco. Pauvre Brie.
As mais inesperadas e deliciosas descobertas: um bistrot em Arles, em frente à arena, onde comi os melhores aspargos frescos da minha vida.
Outros achados: a sopa de cabeça de garoupa da “Peixada do Lula”, na orla marítima do Recife, facilmente identificável, no mais superficial dos exames da FIFA, como poderoso dopping; o creme de feijão branco do “Golden Stadt”, restaurante tcheco de Munique.
La blonde acaba de me lembrar do pitty panna, um quebra-galho experimentado em meio à neve que nos isolava em Linköping, no interior da Suécia, circunstância que tornava qualquer outro pedido de difícil execução. Simples, substancial e saboroso, o pitty panna consiste em cubos de batatas cozidas e presunto cozido refogados na frigideira e acrescidos de picles e de ovos fritos por cima.
Como bebida, outra bela surpresa foi o vinho grego Boutari Naussa, que nada tem a ver com o preocupante “retsina”.
Bola com vocês.
Abraços a todos,
Dodô, o globetrotter da fome.
Comments
Dodô,
Que carinho !
O primeiro parágrafo é pura poesia.
Depois do seu pontapé inicial, dou seqüência ao jogo, contando o que comi pelo mundo.
Muito jovem , ganhei o mundo. Da Bahia diretamente para Paris aos 17 anos.
Convidada para um jantar, fui apresentada ao abacate com uma roupa nova: fatias da fruta com camarões ao molho vinagrete . Não consegui ”engulir’ tal excentricidade. Eu, que me deliciava com nosso creme de abacate açucarado, me assustei ao ver que o mundo não girava ao redor do meu umbigo, digo, estômago.
Ainda jovem tive um novo desafio , uma nova culinária pela frente , a alemã. Barra pesada ? Qual o quê ! Me entendi muito bem com as salsichas alemãs( é lógico !), os Knödels, o Spätzle, o Sauerkraut( la choucroute française) e o Sauerbraten.
Não me ocorre qual foi a pior experiência gastronômica que tive. A melhor, sem dúvida foi em um restaurante no lago de Como, Itália.
Mas estranho mesmo foi parar na frente de um restaurante francês, na cidade de Lapoutroie, Alsácia, e ler o nome do estabelecimento :
Hotel du Faudeé, onde fomos para comer, não para f………
HELENA,
Considero o seu comentário como apenas um primeiro capítulo. E do jeito que ele termina, aguardamos o próximo com ansiedade maior do que a de torcedor na copa.
Bjs,
DODÔ
E assim você vai fisgando “as meninas”. Um bom pescador.
Não me esqueço de um filé, cortado na parte chama “aranha” do boi, acompanhado com batatas cozidas e amassadas com manteiga. Este prato foi me apresentado após dias de febre alta. O gosto e a textura deste corte chamado também de “o pedaço do açougueiro”, as batatas rattes com manteiga fabricada por pequeno produtor normand, o sorriso de alívio do marido. A melhor refeição da minha vida.
Dodo,
Mais uma musa inspiradora, mais uma deusa.
Estou aqui a pensar e não consigo rever prazeres maiores dos que os que eu tinha, até minha adolescência, quando chegava faminta do colégio e encontrava sempre as delícias feitas “com açúcar e com afeto” por minha mãe. Acho que nada na vida supera tanto carinho e dedicação. Ali ficou a essência dos meus prazeres gustativos. Tudo com muita criatividade, muita simplicidade, muita sabedoria.
Beijos
Dodô,
adorei o “tema para reflexão”. Ainda criança, na Alemanha, meu pai tomou uma sopa que eu adorei. Perguntei do que era, e ele me respondeu “snail”. Como não sabia o que era – mas gostara – pedi uma pra mim também. Quando terminei, meu pai me esclareceu que “snail” era caracol / caramujo (àquela altura já não me interessava saber se eram de água ou de terra…argh!). Passado o choque inicial, ficou a lição de nunca ter preconceito à mesa. E é assim que, em viagem, sempre procuro comer o que os locais indicam (ao menos no Ocidente, tem dado certo). beijos.
Mari
Eu também morei na Alemanha quando era jovem, risos.
E adoro a comida deles. Pena que com os anos a culinária alemã venha se internacionalizando cada vez mais… Meu pai adorava sopa de ruibarbo, eu achava horrível!
Bjs.
Dodô:
Como a Helena, fiquei surpreso de comer abacate como salada nos EU principalmente nos restaurantes mexicanos… com muita pimenta.
Os alemães no Brasil comem alface com açucar!
Outra aventura que passei por aqui 40 anos atrás: Quando fui à cafeteria do hospital tinha um empadão de galinha. Perguntei o nome…Chicken Popeye. Muito bom prato e assim cada vez por mes eu comia o “chicken popeye” até 6 meses depois, tive a oportunidade de ler o nome. Epiphany! Eureka!… pois o nome era “Chicken Pot Pye”. O “t” neste caso é omitido.
Quando fui ao breakfast no dia seguinte de fazer um plantão fiquei horrorizado pela quantidade de comida ingerida pelos americanos as 7 da manhã…café, bacon, ovos mexidos, linguiça, country ham, waffle com maple syrup ou mel, french toast, panqueca e “grits”. Grits processado do milho é uma especialidade do Sul.
Mas, peguei um costume por aqui i.é tomar uma media com as refeições principais.
O meu breakfast ainda é como o feito no meu Brasil de 40 anos atrás…uma media e pão com manteiga!!! Até hoje, não me acostumei com o breakfast americano descrito acima.
Carlos Maria
Na Alemanha a salada de alface é temperada com uma mistura de Sahne (a nata sulista), vinagre e açucar, risos. Eu gosto!
Quando eu fui morar nos EUA eu achei a comida muito ruim. Hoje está muito melhor! Deve ter sido a inluência da Julia Child…
Abs.
LINA,
Não conheço este corte, mas pela descrição e pelo acompanhamento deve ser mesmo inesquecível.
E no seu caso, então, tinha um tempero inigualável: a recuperação da plenitude da vida!
DÔDO
PS – pescador também gosta de filé.
SUELI,
Comida de mãe. Será que existe memória de infância mais viva do que essa?
Abs,
Dodô
Lembrei-me de algumas situaçoes. Uma delas foi em Portugal. Fui experimentar a açorda. Sim. Sei que há varias. Mas o lugar prometia “a verdadeira”! Pedi. O garçom traz uma vasilha de barro com a sopa servida. Pensei que ja era para comer. Ele me dá uma dura do tipo: espera!!! Nao esta pronta! E, ato continuo, sem que eu pudesse me defender, quebra dois ovos crus e com duas facas faz um “ataque” na sopa servida….Eu nao tive tempo de reagir!!! Mas pela risada geral na mesa, imagino a minha cara. Eu simplesmente odeio ovo cru!!!!
Mari,
Suponho que Laurinha ainda não sabe o que é “snail’, embora esteja indo muito bem no aprendizado de inglês. Mas sabe o que é “escargot” – e adora. Mérito aos pais, Marcia e Paulo, que a educaram, desde a primeira dentição, para não ter preconceito alimentar.
E concordo com você: degustação às cegas é uma aventura que costuma trazer mais prazer do que decepção.
Bjs,
Dodô
Beth,
Sopa de ruibarbo com “condensied milch”?
Irlibidichi.
CARLOS MARIA,
Seu comentário me remeteu ás “memórias de guerra” de um brigadeiro que conheci. Ainda tenente, a FAB o enviou aos Estados Unidos para treinar combate aéreo, antes de seguir para a frente italiana. No sufoco do seu parco inglês, entrou várias vezes em fria. A mais chocante foi num dia de calor em que entrou no bar e pediu “chopp double”. Já ia reclamar da demora quando puseram à sua frente duas enormes costeletas de porco. Daí pra frente,desenvolveu um vocabulário de emergência. E no breakfast de cada dia passou a pedir “não me negues,ai papai”, sabendo o que viria: ham & eggs e apple pye.
Abraço,
Dodô
EYMARD,
Quem conhece a lógica férrea dos garçons portugueses, pode imaginar a cena.
Você pasmo com o corpo estranho na terrina e ele
explicando:
“Meu senhor, depois de misturados com a sopa quente, os ovos não estão mais crus”.
Abraços, ó pá!
Dodô da Maia
Dodô,
Muito antes de amarrar meu cavalo no Obelisco ( pegou, hein? Eymard), vinha, com meus pais passar as férias de julho, no Rio.
Viajávamos pela Varig, quem não? Vários Alemães Reunidos Enganando Gaúchos – era assim que os gaúchos brincavam com a companhia que tanto amavam, usando as iniciais, com a exceção óbvia do “enganando”. O som salvava o trocadilho.
O voo saía de Porto Alegre, ao meio dia. Almoço no avião Talheres de prata, guardanapos de linho, pratos de porcelana e copos de cristal.
Era assim que a Varig, por muito tempo, tratava seus passageiros; mesmo nos voos mais curtos
Eu tinha uns sete/oito anos. Serviram a entrada: caviar. Eu nunca havia comido, sequer conhecia. Não quis. Meus pais insistiram para que eu pelo menos provasse. Nada me demoveu. Pedi um ovo frito com arroz. Para acompanhar: guaraná caçula, servido numa taça, igual àquelas que serviam champagne. Acho lindas Gosto mais do que das flutes.
Jamais esqueci esse almoço.
Entre uma garfada e outra, procurava os anjinhos entre as nuvens.
Bem mais tarde, quando li a crônica do Rubem Braga sobre a menina que, do avião, também, procurava anjinhos; tive uma terna, cálida e definitiva certeza: aquele almoço, foi, sem dúvida, um dos melhores da minha vida.
Quando já entendia o mundo dos adultos, soube que o caviar era Beluga.
Hoje, adoro caviar.
Mas não foi nas asas da Varig que comi o meu primeiro caviar.
Nas asas da Varig comi o meu melhor ovo frito com arroz.
A minha madeleine.
SONIA S,
Lindas lembranças, do tempo que avião lembrava mais Saint-Èxupery do que Constantinos e Canedos, que colaram asas em ônibus. A Varig foi minha cliente, asim como a Panair, a Panam,a Air France e várias outras empresas aéreas.E guardo boas lembranças do meu envolvimento com o setor, dentro e fora das chamadas aeronaves. Uma das melhores recordações é a de um almoço “primeira classe special” oferecido pela VARIG à confraria “Companheiros da Boa Mesa”, no solo – em seu hangar do Galeão. Digno de matar o Bocuse de inveja. Nnca tive tão pouca pressa de descer do avião.
Tenho a certeza de que o seu ovo frito com arroz estava à altura.
Bjs,
Dodô
PS – Experimente “vários alemães reunidos ILUDINDO os gaúchos”…
Já experimentaram Kedgeree?
Especialidade britânica.
Eu digo especialidade britânica pois inglês é só quem nasce na ilha, britânico continua sendo aquele do império onde o sol nunca se punha. Reino Unido.
Agora só Inglaterra, Escócia, Irlanda (do Norte), Wales.
God Save The Queen!
Aprendi a fazer o prato com um namorado também britânico, manx que morou 2 anos na Índia. Engenheiro de RR. Turbinas.
Ele me ensinou que kedgeree era servido para café da manhã em tempos vitorianos, bem antes da invenção do “frigid air”.
Resiste até os dias de hoje, bom para qualquer horário. Aparecendo no cardápio, escolham, juro que é ótimo.
Consiste em sobras de um suposto magnífico jantar de ontem. Dizem, mas é mentira .
É arroz refogado na manteiga, haddock defumado, mas pode ser salmon ou atum aos pedaços, cebola partidinha, cogumelos, um punhado de ervilhas, tudo misturado. Decora-se com bastante salsa, raspas de casca de limão e metades de ovos cosidos.
Um tico de curry para lembrar do tempo que a Índia era colônia. Depois de pronto e enfeitado, quando destampa-se a panela o aroma é delicioso. O sabor divino.
Dizem que o Kedgeree é de origem indiana, mas os escoceses afirmam que foram eles que o levaram para lá.
Não acreditam em mim?
Perguntem a Nigella!
LuciaC,
tudo anotado para um Kedgeree. Acho que essa receita até eu piloto. Será? Tenho mania de procurar comida dos paises nos dias de jogos da copa. Algo para “movimentar” a casa com os filhos. Ja tenho o menu para o proximo da Inglaterra! E, ao final, um brinde: God Save the LUCIAC!!!!
Comida ruim? Viajando?
No nosso conceito, as comidas ruins em viagens são somente estranhas!
E pensando bem, as comidas não são ruins. Nós é que pedimos errado!! rs
Pra se ter uma idéia e na nossa paleontolítica primeira viagem a Paris, fiz ares de enólogo e pedi um belo vinho branco pra acompanhar a nossa refeição: um Sauternes. Resultado: passei a refeição inteira tomando um belo vinho de sobremesa!! rs Detalhe: era uma garrafa de 750ml.
Quanto a melhor, é difícil escolher, mas a mais lembrada foi certamente comer um prato de salumeria na Toscana, em Volpaia e tomando um tinto feito ao lado do barzinho. Com vista pro vinhedo, claro!! Ah! Estava chovendo!!
Abs e parabéns por mais um grande tema.
Dodô,
viagens e comidas sempre renderam recordações, para o bem ou para o mal.
Meu primeiro choque gastronômico foi aos doze anos, num vôo da Japan Air Lines, peixe cru, ou niente.
As kidney pies inglesas que teimavam aparecer semanalmente no jantar me causavam arrepios, mas um estranho pastel de feijão doce da mesma época me dão nostalgia, assim como os kebabs, girando, simples e baratos. Até hoje, quando vejo um,corro para matar as saudades.
E o fígado frito no café da manhã num hotel da África do Sul?
Agora, a refeição decente mais memorável foi na Borgonha, no L’Espérance.
Dodô:
A frase…”não me negues , ai papai” foi muito engraçada.
O Inglês come vc sabe não é como o Português onde as silabas são pronunciadas como são escritas.
Veja a história do português Paiva que abriu um restaurante em Massachusetts.
O nome original era Paiva’s Restaurant. O povo começou a chamar Peiva’s Restaurant e assim o portuga não gostou e mudou o nome para Peiva. O povo também mudou a pronuncia para “piva” e assim o português trocou novamente sendo que o nome ficou Piva’s Restaurant…. o povo dizia Paiva que era a pronuncia original para o deleite do português
Abs,
Carlos M.
Lucia,
Mexer na geladeira para em seguida mexer a presa na frigideira quase sempre resulta num amálgama cheiroso,gostoso e modelo único. Com os mesmos ingredientes e mesmo preparo, na outra vez não sai com o mesmo gosto. Não necessariamente melhor ou pior, mas diferente. E aí é que está o encanto da coisa. De vez em quando eu me aventuro numa alquimia dessas e la blonde não costuma reclamar.
Mas esse seu kedgeree tem um apelo irresistível!
Vou seguir a receita na primeira oporunidade.
Bjs,
Dodô
Eymard,
Junto-me ao brinde: God save Lucia, indeed.
Abs,
Dodô
Eduardo,
Obrigado pelo apoio e contribuição.
E se a gente temq ue pagar para aprender na vida, há cobranças mais salgadas que um vinho de sobremesa.
Abraço,
Dodô
Cláudia,
Kidney pies existem para a gente falar mal delas, com furor e arrepios. Para não me acusarem de anti-britânico, eles fazem um roastbeef ótimo. Mas o fígado frito do Mandela me remete de volta a outro comentário desfavorável aos ex-ploradores da África do Sul.
Saco o meu G.B.Shaw de cabeceira: “Só os gatos e os ingleses conseguem comer arenque defumado de manhã”.
Dodô
Carlos,
O brigadeiro tinha um repertório extenso, eu é que esqueci.
Abs,
Dodô
Eymard,
se você vai mesmo fazer o prato preciso dizer que o verdadeiro Kedgeree é feito com haddock.
Aqui ou em dellis no Rio só tenho encontrado Damm que é uma boa marca mas é haddock genérico. Bem pequenininho, na embalagem vem escrito, peixe “tipo” haddock. Esta foi minha experiência.
Não é aeglefinus do Atlântico Norte, vê-se logo pela espessura.
Para descompromissar, sabe como é, epecificam em letrinhas miúdas.
Com gadus morua nem se importam mais, é sem vergonhice explícita sabe-se lá “o peixe que se vende”, o que se compra e o que se come.
Esperamos que pelo preço pago, consiga-se o melhor.
Para a receita é necessário dessalgar o haddock no leite e eu esqueci também de um ingrediente imprescindível, a noz moscada ralada.Veja na web uma que dê as quantidades, por certo que você encontra e vai dar tudo certo.
Pode usar a técnica do risoto, faze-lo mais cremoso acrescentando um pouco de vinho branco seco ao arroz na hora do cozimento.
A combinação de texturas e sabores é especial.
Enjoy.
Dodo,
você descreve o mexidinho, um requinte!
Especialidade do mais inglês dos brasileiros, o mineiro.
I say…você já “encarou” um fry up? Um full english breakfast?
“Bom demais da conta”!
E honni soit qui mal y pense!
Lucia
Gostei do detalhe da noz moscada no leite para dessalgaro haddock no leite! Eu costumo colocar grãos de coentro, risos.
Vou experimentar na próxima vez, deve ficar muito melhor!
Bjs
Claudia
Sua experiência de comer sushi num avião aos 12 anos foi incrível, dei boas risadas…
Aliás, em matéria de viagem as suas aventuras são das melhores que conheço. Especialmente o seu cruzeiro pela Grécia, risos.
Bjs.
Beth,
nos dias de hoje sushis e sashimis são mais que conhecidos pelas crianças, mas nos meados dos anos 70 não eram mesmo e foi na marra que tive que comê-los. Hoje como numa boa, mas prefiro os peixes crus da culinária peruana.
Beijos.
Claudia
É verdade!
Eu mesma só comi o meu 1o. sushi/sashimi ali pelos 25 anos, risos.
Já Marcinha e Laurinha começaram a gostar bem cedo. Aliás, Laurinha além do sushi começou a tomar sakê “infantil”com 7 anos! Explicando melhor: ela tomava guaraná em taça de sakê e achava o máximo! Daí a começar a tomar caipinha “infantil (limonada suiça) mais vinho tinto (suco de uva) foi um pulo! Ruim foi explicar para a minha mãe que ela não bebia “cerveja” com autorização dos pais, mais sim refrigerante numa tulipa!
Abs.
Dodô,
Eu lhe disse contaria a história do meu Camarão Fra Diavolo do domingo passado. Ela não se encaixa perfeitamente no seu pedido, mas como foi uma supresa agradável, uma experiência gastronômica notável, e seu passou no exterior, muito embora Miami para mim, depois de quatro anos, já está se tornando interior, vamos lá:
Bob Holmes é um bom companheiro de saídas fotográficas. Nunca diz que não. Sua aparência e vitalidade de 65 anos enganam. Está quase com 80. Sua mulher, Margie, tem problemas nos ombros e nos joelhos, e, Bob me contou que, há uns quinze anos, lhe prometeu que faria o jantar para os dois todos os dias. Nesse domingo fui convidado para o jantar: Camarão Fra Diavolo.
Primeiro ele foi com uma tesoura no fundo do quintal colher manjericão e salsa. Começou aí a degustação. O cheiro do manjericão novo, de folhas pequenas, como se usa aqui, encheu a cozinha. Fiquei alguns minutos extasiado com uma das folhas do manjericão na frente de meu nariz.
Os camarões cinzas, depois de descansarem no sal e em pimenta vermelha seca, foram salteados em óleo bem quente por pouco mais de um minuto, e postos à parte.
Numa panela, salteou cebola por uns 15 minutos, e juntou o único ingrediente industrializado – polpa de tomate da marca Progresso(disse que testou várias, mas essa é a melhor) – vinho branco, alho picado, e orégano seco. Depois de dez minutos, enquanto o espaguete italiano cozinhava, juntou os camarões, e adicionou o manjericão e a salsa.
Estava fantástico.
Os camarões ficaram crocantes e o apimentado entre médio e forte, como gosto. Sobre o crocante dos camarões, ele me disse que não podem ser salteados por mais de um minuto e meio.
Acompanhou um Pinot Grigio, e de sobremesa sorbet de tangerina.
Bob se mostrou um cozinheiro maduro e me surpreendeu.
É bom ter bons amigos, que se tornam ainda melhores quando sabem cozinhar bem.
Cesar,
Minha admiração por quem fez e por quem comeu. A receita é tentadora e de fácil execução. Concordo e aplaudo; camarão, só o cinza. O manjericão de quintal é insubstituível. Já em matéria de tomate industrializado, prefiro comprar tomates pelados italianos em lata, cortar grosseiramente e temperar a meu gosto, servindo o molho com os pedaços. Restou uma dúvida: a pimenta vermelha seca é pimenta mesmo, natural,inteira e “mumificada”, ou em pó? Ou seria paprika?
Abraço,
Dodô
Adorei a idéia! Quem não teve a melhor e a pior comida numa viagem? E quem não teve a experiência de entrar num bequinho de uma cidade desconhecida pedir a primeira coisa que consegue destrinchar do cardápio pq já andou tanto q a fome tá desesperando, e comer uma das melhores coisas q já provou?viajar e comer grandes prazeres q p/ mim tem q andar juntos, não tem jeito. Não entendo gente q viaja p comer só aquilo que come em casa.Viajando como “quase” tudo q me passa pela frente – a exceção de maionese de comício. Esta daí nem morta- Aliás, tem uma maionese mais perigosa:Aquelas servidas em casamentos no interior do RS nos idos anos da minha infância. Alguém por aí sabe do q estou falando? ovos crus, bacias de alumínio, em cima da mesa o dia todo, minha mãe não deixava chegar nem perto. Em compensação a massa com galinha das festas paroquiais eram as melhores. Bem voltando ao assunto: a pior comida, não é bem uma comida, mas com a mania q tenho de provar tudo íamos andando pelo centro de Amesterdan e a minha cunhada, que mora lá, me mostrou aquelas máquinas( parecem uma vitrine) q vc coloca a moeda e tira um salgado. Lá fui eu – tirei um croquete e na primeira mordida tive q cometer a indelicadeza de jogar fora, muito ruim! Na mesma viagem, já em Paris, agradável surpresa, depois de vários dias lá, andando a cidade de “baixo p/ cima” gastos vários carnês de metrô e comendo nos mais variados lugares, numa volta p/ o hotel, naqueles dias q eu tava arrasada de tanto caminhar, e já jogando a toalha, subimos a estação do metrô quase em frente ao hotel(Lemon Cardinale? acho q era essa)Veio a idéia: “Vamos comer aqui mesmo” Le Petit Cardinale, um bristot pequeno, frequentado por pessoas do bairro, meu marido pediu uma carne e eu um tartare de salmão, veio bonito e gostoso. Pronto! eu tava feliz de novo e pensando “Pq q eu tenho esta mania de nunca comer perto de onde me hospedo?” Por fim deixo aqui, a versão gaúcha/baiana do Kedgeree q meu Pai cozinhava nos seus dias solitários de fazenda:rodelas de cebola na figideira, linguiça, bacon ou qualquer coisa que substitua, sobra do feijão, do arroz, tampa e deixa dar “a liga” ,abre, cava um pouquinho e acomoda uns ovos cruz e fatias de queijo caseiro,tampa de novo, depois de quase pronto, por cima, salsa e cebolinha.Meu marido aprendeu e até hoje, qdo bate a fome e a preguiça, ataca de “revirado do seu Machado”.
Marilise,
Senti daqui o perfume do revirado do Seu Machado…
Você tem razão, aquela área da rue Cardinal Lemoine e adjacência reservas ótima surpresas. Passando pela Contrescarpe e entrando na rue Mouffetard você vai encontr lojinhas de comidas e bebidas – charcuteries, epiceries etc -
uma atrás da outra. Elas tem um pequeno caramujo do mar, o bigornot, que você extrai da carapaça com alfinete e é um delicioso tira-gosto.
Apareça sempre.
Abraço,
Dodô
Dodô,
É pimenta seca ralada, tipo chili. Paprika não entra na receita.
Abraço,
Cesar
Cesar
Estou gostando de ver a troca de receitas!
Acredite vc ou não, Dodô vai muito bem na cozinha…
Como todo bom marido vez por outra ele entra na cozinha para fazer comidinhas para o seu amor…
Ele faz uma potage parmentier que é uma Glória!
Abs.
Beth,
essa propaganda do Dodo já esta indo longe demais (risos)!!! Diga, pelo menos, que essas “comidinhas” sao horriveis…que voce so come mesmo por amor…(rs).
Caso contrario ja estou vendo um novo Interblogs com o Edu do DCPV. O Dodo da o cardapio para o Edu realizar e Edu manda um cardapio para o Dodo realizar….tudo devidamente registrado por Beth e Dé para o deleite dos comensais que ja foram da cachaça pro vinho em plena conexao paris!!! Abraços saudosos, Eymard.
Estão no ícone dos favoritos do meu cpto, Conexão Paris, Da cachaça p/ o vinho e agora O
s comensais. Q bom q existem! Abços
MARILISE,
Obrigado pela inclusão nos seus favoritos dos Comensais, em tão boa companhia.
Apareça mais vezes.
Abs,
Dodô