A doçaria napolitana é uma doçaria pesada, de gente que não brinca à mesa, derivada da inventividade de um povo cuja miséria proverbial o levou, sempre, a respeitar aquilo que dá além de força e saúde, uma noção de saciedade. Nenhuma preparação aerada e delicada existe entre os doces napolitanos: somente coisas substanciosas. Naturalmente esses doces, de sabores e perfumes bastante pesados, podem não agradar a todos e sem dúvida não agradarão se forem comidos em jejum ao invés de sobremesa ao final de uma refeição, a menos que a pessoa não seja realmente um bom garfo, como é o napolitano em geral. De qualquer maneira, a doçaria partenopea é rica e apetitosa, mesmo que se leve em consideração as atuais manias de manjares menos gordurosos e menos doces, e a evolução pós-moderna do gosto por comidas mais delicadas e mais facilmente digeríveis.
Algumas de suas receitas afundam suas raízes na antiga Grécia e a maioria delas sofre de evidentes influências orientais. Não se pode esquecer que Nápoles foi uma cidade fundada por colonos gregos e chamava-se Neapolis (cidade nova) e que árabes e bizantinos foram povos que deixaram marcas bem fortes na cultura de seu povo. Isto pode ser facilmente verificado no que diz respeito à cozinha pela presença do mel e das frutas secas e cristalizadas.