Aventuras da Dani Busarello em Paris - Jules Verne

Por Dani Busarello | 13 de Março de 2008.

“Tudo que eu inventar, tudo que eu fizer, eu sempre estarei aquém da verdade. Sempre vai existir um momento que as criações da ciência ultrapassarão as criações da imaginação.” Jules Verne (1825-1905)

“Vinte mil léguas submarinas. A Volta ao mundo em oitenta dias. Da Terra à Lua. Um longo caminho, para este encontro notável… Finalmente a Dama de Ferro encontra seu marido.” Assim principiava a inspirada matéria do Le Figaro, edição de 22 de dezembro de 2007, noticiando a reabertura do restaurante Jules Verne, no coração da torre Eiffel.

Sob a batuta do colecionador de estrelas no Michelin Alain Ducasse, o Jules Verne já se tornou coqueluche, acumulando monumentais filas de espera. Mas consegui garantir meu lugar ao sol, ou melhor, à mesa.

A torre brilhava, como uma gigantesca chuva de estrelas, enfeitando lindamente o céu de Paris, como o faz todas as noites. Ao chegar, olhei para cima, espiando a gigantesca dama de ferro como se estivesse olhando por baixo de uma saia que voa ao vento. Penetrei rumo aos segredos mais profundos e saborosos, reservados ao olhar e ao sentir.

Começa a viagem…

Aço inox do começo ao fim. O elevador panorâmico desliza pela estrutura de cento e tantos anos, formando literalmente um cenário de Jules Verne. Uma viagem de retorno às inesquecíveis estórias da infância, quando tudo é possível. A 125 metros acima do solo, a atmosfera é toda de bronze, pensada para não interferir na beleza da Torre e da vista.

Na entrada, pode-se avistar o laboratório-cozinha: inquieto, borbulhante, surpreendente. São três salas: Champs-de-Mars, Branly e Trocadéro. Os maîtres, sommeliers e garçons usam costumes de cena Lanvin, especialmente desenhados para a casa e batizados de “Lanvin 15 Faubourg”. Chique, mas sem ostentação. Peço uma taça de champagne para comemorar!

À mesa, passados os minutos de contemplação da vista de Paris, sou hipnotizada pelo prato de apresentação: seu design “structure” intriga. Inspirado pelas formas geométricas da Torre, o “prato vulcânico” foi especialmente concebido por Pierre Tachon, da manufatura Limoges, para a reabertura do Jules. Os talheres têm desenho clássico, tonalidade oscilando entre o aço e a prata. Há hashis, concebidos pelo artesão português Paulo Vale. Para ir além da imaginação, com muito conforto: as poltronas convidam a ficar e conversar horas e horas.

Tudo perfeito, vamos à degustação. De início, um agrado da casa: delicadas mandioquinhas e uma colherada de crème fraiche. Eis que uma mão mágica derrama delicadamente velouté de abóbora sobre duas folhinhas de salsinha crespa. Dois dedos de vinho tinto depois, giro a taça, sinto o bouquet e admiro Paris aos meus pés.

Chega a entrada de foie gras – tenho experimentado todos os foie gras de Paris, doces e salgados, para descobrir qual o melhor. Uma missão quase infinita, mas não impossível. Mas que terá a duração de algumas vidas, uma só não será suficiente. O foie gras vem acompanhado de lâminas finíssimas de maçã verde, rabanete e erva-doce. Chegam brioches quentinhos, ainda dentro da fôrma. Sinto-me em casa. A entrada acompanha uma taça de sauterne, um casamento perfeitamente doce.

Em seguida, sou convidada a morder um suave linguado, cozimento no ponto, com pequenos cogumelos, azeite de oliva e manteiga. Para atacar o prato com o pão, segundo o costume francês.

Gira a roda-gigante, lá vem a sobremesa! Pêras ao vinho com mont blanc (creme de castanhas, aquelas do marrom-glacê) e delicados suspiros-pétalas de flores. Açúcar no ponto certo, para deixar lugar para novas tentações: cubos de trufas com cacau medindo exato um centímetro de aresta, impossível de comer uma só, duas, três, quarto, cinco, todas! Sem comentários. Há marias-moles irresistíveis até mesmo para quem não é fã, como eu. Temperadas com gotas de limão, são extremamente macias.

U-la-lá…Termino o sonho com café e caminhada até Saint Germain de Prés.

Jules Verne
Torre Eiffel, entrada sul. Tel: 00 33 01 45 55 61 44. Paris, França.

[bl]jules verne, torre eiffel, paris[/bl]

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