Bela vista, aconchegante ambiente e boa comida (apesar de errada)
Por Giuliano Fernandes | 31 de Março de 2008.
Após uma festa de proporções etílicas intensas, acordamos no sábado com o corpo desnorteado pela fadiga. Aquilo que o público chama de ressaca. Perguntado sobre o que faríamos e diante de um (atípico) fim-de-semana sem casamentos, aniversários ou outros compromissos sociais, sugeri: “Vamos para Guaramiranga”.
Aqui cabe uma importante observação: o Ceará pode ser famoso por suas praias, mas há, pelo menos, três complexos de serras que merecem maior fama no meio turístico. O mais próximo é o Maciço de Baturité, sendo que seu destaque fica pela mais conhecida e charmosa cidade: Guaramiranga.
Para não me perder em maiores explicações, posso dizer que é algo semelhante à Petrópolis ou Teresópolis. Não na dimensão da cidade, mas no diferencial do clima. Em épocas quentes no resto do Ceará (e qual época é fria por aqui?), lá dormimos em atípicos 15º C.
Fomos sem qualquer local definido. Minha consorte comenta de uma pousada da qual ouviu falar. Localizamos a placa de identificação do caminho. Enfrentamos uma via de calçamento (estrada com pedras) estreita e enlameada. Uma estrada digna de uma desistência. Mas perseveramos e chegamos à Pousada Le Monte Cristo.
Um atencioso funcionário se dispõe a mostrar os ambientes da pousada. O lugar é decorado com bom gosto, mesmo assumindo não me considerar um fã de enfeites religiosos, que predominam no local. Quartos simples, aconchegantes e reservados em devida privacidade. Convencidos pelo ambiente e, particularmente, pela vontade de não rever a desagradável estrada tão cedo: escolhemos um quarto e nos hospedamos.
Darei um salto para finalmente chegarmos ao evento gastronômico. O funcionário que nos recepcionou já havia elogiado sua cozinha sem nenhuma modéstia. Dentre os adjetivos lançados, gravei “a melhor pizza da serra”. Fiquei curioso, mas a pizza não era servida no almoço. Pena.
Já comentei sobre a decoração, mas permitam um pouco mais. O encanto era traduzido especialmente pelos comentários feitos pela minha companhia: taças de vidro trabalhado, discreto adorno com velas no meio da mesa, mesas e cadeiras em cipó retorcido, sendo as últimas devidamente cobertas por confortáveis almofadas.
O principal destaque do ambiente é a vista. Algo que poucos (inclusive locais) imaginam existir no árido Nordeste. A pousada fica na encosta de uma das serras, uma das mais altas, e a vista é de um vasto verde, com belos açudes e cachoeiras. Digna de nota a presença da Filomena, uma “papagaia” de setenta anos de idade que ficava sobre uma árvore baixa pouco à frente e que encarava minha companhia com olhar raivoso. “Não gosta de mulheres” - advertiu o francês proprietário, em um português quase incompreensível.
Peço desculpas aos apreciadores (como eu), mas uma debilidade nas cordas vocais nos fez optar por sucos. Pedi o de acerola e me arrependi um pouco. Não era feito da própria fruta, mas de polpa industrializada.
Direto ao prato principal, não há cardápio. A cozinha varia diariamente, sendo os pratos do dia identificados e explicados pelo garçom no ato da decisão sobre pedido. Optamos pelo filet au poivre. E aí veio o único momento de efetiva estranheza e de (breve) decepção. Recebemos um filé à milanesa, coberto com um molho à base de tomates e vinho tinto. Mais parecia um filé à parmegiana.
A fome e a boa cara do prato me impediram de questionar ao francês se ele sabia o que tinha nos servido. Comemos e qualquer crítica pela estranheza do prato se perdeu. Delicioso. Os acompanhamentos não ficavam por menos. Um risoto de ervas - que foi o que mais encantou minha companhia - um tomate recheado, batatas assadas e salada.
Não agüentávamos a sobremesa, mas fomos convencidos a provar chocolates caseiros. Recheio de creme de castanha. Não comi inteiro e cedi o meu, pois não sou um chocólatra. Mas atesto novamente o agrado ao paladar.
A falta de cardápio levou à surpresa quando “servida” a conta. Afinal, o atencioso garçom descrevia o cardápio do dia com maestria, mas esquecia de mencionar os preços de cada iguaria. O problema maior nem foi o preço um pouco alto, mas o fato de não se aceitar nenhum cartão de crédito. Isto quase seria um problema, não tivesse tido o cuidado de sacar dinheiro antes da viagem. Cuidado raro, no meu caso.
A pousada Le Monte Cristo merece recomendações muito positivas, desde que não seja do tipo apegado demais ao seu carro, goste de apreciar a natureza e aceite se deleitar com um prato, digamos, surpresa.
[bl]guaramiranga, pousadas no ceará, filés, papagaios, acerola[/bl]



Ele não deu estrelinhas! haha, essa é a parte mais difícil, não alivia ele não, Paulo!
Também queremos detalhes sobre a ‘companhia’…não vai se safar não, gracinha!
Eu nunca ando com dinheiro na carteira, apenas algumas moedas. Tenho esse hábito terrivel e sempre tenho que me certificar de que aceitam cartoes, principalmente quando nao estou com meu marido pois este sim, sempre tem dinheiro na carteira.
abracos
Leila,
Sinceramente, que tipo de estabelecimento, em pleno século XXI, não aceita cartões? Eu me recuso…
Bem vindo….
Já provou o Lautrec…. de Guaramirangua!? Fiquei surpreso!!
Abs
A
O lautrec é excelente, pelo que dizem. Só conheço o de Fortaleza e este é ótimo.