Boa e Velha Casa Nostra

Por Giuliano Fernandes | 5 de Setembro de 2008.

A tradição é algo que, por vezes, descamba em decadência. Restaurantes saudosos de tempos de maior e melhor freqüência. Carentes por um cozinheiro que faleceu e levou consigo seus temperos mais secretos. Restaurantes que só persistem por um capricho persistente de um dono que prima por honrar o passado glorioso da casa esquecida.

Não é o caso do restaurante deste texto. O floreio intencional, melancólico e cafona do parágrafo anterior não se aplica ao velho Casa Nostra.

Velho sim. Daqueles que os amigos falam em momentos de lembrança de almoços ou jantares em família. Mas a velhice não tirou o capricho.

O ambiente foi remodelado, segundo me informa a memória da minha namorada. Mas nem precisava. Percebe-se que é um restaurante de estrutura antiga, ainda que bem conservada, limpa e com pintura em tons claros agradáveis.

Os garçons são a maior pista da tradição do local. Senhores com peles envelhecidas, cabelos grisalhos e/ou raros, e (aqui poderia se esperar um “mas”, se fosse o caso de subestimarmos alguém avançar da idade) uma rapidez, presteza e cortesia raras de se encontrar em alguns dos modernosos restaurantes atuais. O restaurante deveria deixar de lado o pudor de já não incluir a gorjeta na conta, deixando ao critério do cliente. Os garçons fazem por merecer.

O comentário acima indica que não sou marinheiro de primeira viagem no restaurante ora avaliado. Mas, para falar de comida, falemos da experiência mais recente.

Não esconderei que era dia em que acumulamos café-da-manhã e almoço. A fome poderia justificar eventuais elogios excessivos. Mas, pelo tanto que comemos, já não era mais a fome, mas o pecaminoso prazer da gula.

A entrada foi uma “provoleta”. Queijo provolone assado ao forno, temperado com orégano. Como descrever? Sabe aquele queijo coalho assado em frigideira? Não tinham esse hábito pelas regiões mais ao sul? Bem, é queijo provolone, o que para mim já justificaria elogios.

Um pecado é a cesta de pães. Bem servida até, com torradinhas, bisnagas, pães temperados. O que falta é maior diversidade de recheios. Só vem a tradicional manteiga. Mas confesso depois ter visto que havia uma opção diferente.

Aos pratos principais: optei por um composto por tiras de file de frango ao molho de queijo gorgonzola, com fettucine no mesmo molho. Molho excelente, massa ótimo, frango só bom. Era como se o molho não combinasse tanto com o frango e eu acho que a culpa de tão estranhamento emocional era deste.

O que surpreende no prato é a sua fartura. Alguns – como a lasanha que também foi pedida na nossa mesa – poderiam ser facilmente divididos sem maiores indignações por estômagos vazios.

A fartura se mostra ainda mais positiva diante da conta. Preços bem honestos. Algo essencial à proposta do lugar: vá com fomo e leve sua família. Afinal, é isto que se trata a Casa Nostra.

Rating: ★★★★☆

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