Camarões Potiguar – O Original
Por Giuliano Fernandes | 14 de Abril de 2008.Aproveitando-se das férias da namorada e de autorizações bondosas dos chefes, transformei uma sexta e uma segunda normais em feriados. Rumamos para um passeio por Natal e Pipa, no Rio Grande do Norte.
Noite de sexta em Natal. São Pedro, com seu senso de humor direcionado ao meu feriado particular, joga tanta água sobre as nossas cabeças que há de se pensar em construir uma arca e salvar um casal de cada bicho (menos uma dupla de mosquitos da dengue e uma de Pinschers, pois estas são espécies dispensáveis).
Diante do “toró”, dispensamos o barzinho legalzinho e fomos ao restaurante Camarões. Fila de espera. Os deuses sabem que eu odeio fila de espera, mas a curiosidade pelo tão falado restaurante era grande. E a fila de espera era guarnecida de serviço e de bancos. Então, enquanto se toma uma cerveja e se come um excepcional pastel de camarão, esperar já não é difícil.
Finalmente, conseguimos nossa mesa para seis pessoas. Seis? É que minha irmã mora em Natal e, conosco, foram ainda três amigas dela. Uma delas, mostrou-se especialista no cardápio da casa. Primeira observação que considerei duvidosa: os pratos servem três pessoas. Costumo ser incrédulo diante de pratos que se propõem a abastecer números impares.
Enquanto deixo que o grupo feminino discuta o cardápio (e maquiagem ao mesmo tempo), observo o ambiente. Muito interessante. Uma proposta de ser mais para “bonito-confortável”, ao invés do “pretensioso-chique”. Mas há um certo requinte na decoração. Discreto e, por isto, agradável.
Detive-me pouco na observação do ambiente, guardando mais sensações do que detalhes. Tive que retornar os olhos, ouvidos e boca à discussão sobre o que pedir. Colhi um dos cardápios. Pratos com ingredientes bem explicados, o que é uma virtude. Seguindo a recomendação da amiga, optamos por um peixe grelhado cercado por uma casca leve de gergelim, coberto por um delicioso molho à base de manga.
Já estou descrevendo o prato, pois não gravei seu nome. Porém, o sabor era imbatível. O peixe era o sirigado, provavelmente, o pescado melhor explorado pela culinária da nossa região. O molho era impecável, não era adocicado, apesar de ser feito à base de fruta. Havia até um toque de azedo.
Como falei, o grupo era de seis pessoas. Então, mais um prato foi pedido. Este era da linha principal da casa: camarões. Diante da fartura (realmente, um prato serve três pessoas) e aproveitando-me de ser o maior glutão presente na noite, experimentei prato alheio. Era algo parecido com milanesa, mas não era. Grelhado e coberto com uma casquinha. Gostoso, mas meio seco e nada marcante. O peixe ganhou de goleada.
Na ânsia de falar dos pratos, esqueci de destacar que o serviço, desde a fila de espera, era bastante atencioso e célere. E mesmo diante do adiantar da hora, não nos sentimos sob olhares ameaçadores pela desocupação do ambiente. Conversamos animadamente, reinando assuntos da infância minha e da irmãzinha. Basicamente, um entregando o passado do outro…
Um detalhe importante: o local não é caro. Na verdade, considerei até barato, mas talvez porque estivesse esperando algo mais caro diante do ambiente e por não ter acreditado desde o começo na fartura dos pratos.
O Camarões possui duas unidades em Natal. As duas são bem próximas. A unidade que foi aqui comentada é a que não possui vista para a praia. Dizem que os cardápios são diferentes. Algo a conferir em próximas viagens.
Um cuidado importante: se estiver chovendo e eles emprestarem um guarda-sol (pelo tamanho, não dá para chamar de guarda-chuva) para ir até seu carro, não traga o guarda-sol aberto, segurando-o para o lado de fora da janela do carro, enquanto dirige com a outra mão. Esta brincadeira eu já fiz e, apesar dos risos e das caras no restaurante, o moço da recepção não ficou lá muito feliz. Pena, nós ficamos bem felizes com a bem-servida noite.



Adorei esse texto, gosto desses se feeling mais jornalístico
abraços