Ouvi falar em absinto pela primeira vez ainda adolescente. Eu lia Goethe e, entusiasmado, comecei a estudar os poetas românticos, tanto os brasileiros quanto os europeus. O absinto era a bebida que movia esta turma, assim como hoje a cerveja é a bebida que move uma multidão de maus poetas em botecos pelo mundo afora. Dizia-se, porém, que a bebida azul esverdeada (ou verde azulada, depende de quem vê) era alucinógena. O que, aos ouvidos de um adolescente, pode soar uma coisa e tanto.
Não me levem a mal. Nunca fui chegado a drogas. Na verdade, minha educação neste sentido sempre foi pautada pelo medo – e deu certo. Minha vontade de beber absinto por causa de suas propriedades alucinógenas nada tinha a ver com certo pendor para a sarjeta. Era mais uma comunicação improvável com um passado em que as pessoas bebiam o que bebiam para ver o mundo de forma mais… poética.