Chocolate – gosto de infância!

por Antigos(as) Autores(as)

Por Arthur Carvalho Filho

Eu não como chocolate! Eu sei que isso pode parecer uma heresia para alguém que acha que entende de comida, como é possível alguém que teoricamente gosta de comida e comer bem, pode ficar sem comer um petit gauteau ou um brownnie? Acredite em mim, já tentei algumas vezes gostar, mas o resultado é sempre um enjôo que dura por horas, mesmo com os chocolates de alta concentração.

It gets worse, sou de uma família baiana, e tradicional produtora de cacau! Será que Freud teria algo a dizer sobre isso? Mas a verdade é que simplesmente não gosto de chocolate e sou sempre o assunto favorito de uma mesa de mulheres, que sonham com ter a mesma doença que a minha. Na verdade, as pessoas tendem a ver isso como uma falha no meu caráter, que juntamente com o fato de eu não gostar de cachorros deve me tornar uma pessoa evil!

Mas não gostar de chocolate já me trouxe muitas frustrações! Quando criança eu não podia me deliciar com todos aqueles ovos de páscoa como as minhas irmãs, isso de alguma forma sempre me incomodou. No começo da década de 90, quando eu era criança não existiam sobremesas em Salvador a não ser algo chocolate ou mousse de maracujá, o que me fez acreditar que eu era uma pessoa que só gostava de salgados! Ledo engano, hoje me delicio com qualquer doce, mas esse foi um processo de descoberta longo, e cheio de desvios, principalmente das decorações de chocolate nas minha sobremesas.

Mas mesmo tendo me descoberto como um grande apreciador de doces os prazeres da infância que eu tinha perdido ainda me perseguiam. Ontem la estava eu na fila do caixa do supermercado Zona Sul, quando vi um BATOM de doce de leite! Pensei, será que é um chocolate com doce de leite? segundo a embalagem não. Peguei um entreguei para a caixa, e abri logo, ali mesmo no meio daquela confusão do supermercado, estava ansioso! Fui abrindo como sempre tinha visto minhas irmãs abrirem, desenrolando só um pedaço da embalagem, e notei que era clarinho, como uma barrinha de doce de leite! Bingo! Comecei a comer lembrando da cara de minha irmã chocoltotra que levava horas comendo um batom. Por coincidência no meu IPOD, em shufle, estava tocado “The musico of the nigth”, do Fantasma da Ópera, mais uma lembrança da minha infância. Ali no meio daquele caos, me senti com 10 anos, descobrindo o prazer de comer um Batom, anos depois!

Que venha a Páscoa! Agora eu já como Batom!!!