Comida caseira metida a besta

Por Paulo Polzonoff Jr | 19 de Junho de 2008.

Sem mais delongas: Unique Garden. Considerado um dos melhores hotéis do Brasil. Resolvi celebrar cinco anos de casamento lá. Com direito a menu confiance do chef, que é o motivo deste texto.

Era uma noite de quarta-feira. O hotel estava vazio e o restaurante também. Sentamos e fomos bem atendidos com um maître atencioso, que nos falou sobre o vinho que seria harmonizado com os pratos. Infelizmente não anotei o nome ou a safra. Pena. Bom vinho. Que talvez até combinasse bem com pratos melhores.

Jantamos às nove. Estávamos com fome. Pedimos o couvert, sob o olhar algo reprovador do maître que nos avisou que teríamos cinco pratos pela frente. Era um couvert simples: pães e dois tipos de molho, um com palmito e outro de tomate com manjericão. Diante da advertência do maître, porém, comemos pouco. Eu era todo expectativas.

Eis que chegou o primeiro prato: carpaccio e alfaces com um molho que era ou azeite de ervas ou caramelo balsâmico. Como se verá adiante, estes foram os dois molhos usados em todos os cinco pratos. Sobre o prato em si, não há muito o que dizer. Otimista que sou, resolvi apostar que a criatividade e o sabor da comida do chef me seriam apresentados num crescendo. Aquilo era só o começo.

Mas meu otimismo cedeu no segundo prato. Que era tão sem graça que, veja só, não consigo sequer me lembrar dele. Pode haver algo mais sintomático? O terceiro prato era quinoa com camarões e molho de ervas (ou seria caramelo balsâmico?). O maître ainda falou alguma coisa sobre as propriedades nutricionais da quinoa, sobre os Andes e tal. Eram informações que serviam apenas para disfarçar a total ausência de sabor do prato.

Antes do último prato, tomamos um sorbet de limão com marjericão.

A esta altura, claro, o menu confiance já havia se tornado motivo de riso. A impostura, a falta de criatividade e, sobretudo, sabor eram motivo de gargalhadas. O vinho ajudava a tornar aquele jantar menos desastroso. E, claro, o hotel, que é verdadeiramente lindo. Não sei se por efeito do vinho ou da massagem ou da natureza, eu estava otimista demais naquela noite. Minhas papilas estavam ansiosas à espera do último prato, que eu acreditava que seria redentor.

Mas, novamente, a decepção. Escalopes de carne com risoto de parmesão e molho de ervas (ou seria caramelo balsâmico?). Olhei para minha mulher – e ri. Para piorar, vale dizer que a carne estava bem-passada. Bebi mais um gole de vinho e esperei pela sobremesa. A esta altura, estava esperando uma – sei lá – gelatina de morango (se calhasse, com molho de ervas ou caramelo balsâmico). Foi quase isso: panna cotta com mirtilo.

Todos os pratos estavam bem apresentados e eram servidos em lindas porcelanas. O que me obriga a constatar que aquele jantar não passava mesmo de comida caseira metida a besta. Não tenho nada contra comida caseira. Mas tenho tudo contra comida metida a besta.

Por sorte, quando voltamos para o quarto havia uma bela garrafa de champanhe, frutas e um delicioso ofurô nos esperando. O hotel vale muito a pena – desde que você não espere demais do jantar.

Rating: ★★☆☆☆ – pelo esforço.

Unique Garden
Estrada Laramara, 3500 – Mairiporã
(11) 4486-8700

www.uniquegarden.com.br

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