Comidas extintas

Por Márcia Luz | 21 de Fevereiro de 2008.

É engraçado como alguns pratos vão gradualmente sumindo do cardápio cotidiano. Não apenas saem de moda, mas simplesmente caem no esquecimento.

O estrogonofe é o mais conhecido prato desaparecido. De prato principal de casamentos e festas sofisticadas, o pobre virou recheio de batata suíça e outros acepipes de lanchonete.

Outro que anda à beira da extinção é o suflê. Antigamente, toda semana tinha suflê em casa, você ia almoçar na casa de um amigo e lá vinha a mãe dele com uma travessa de suflê. Espinafre, cenoura, abobrinha… onde foram parar os fofos e aerados suflês?

E as tortas de pão? Um pão de forma cortado em fatias no sentido longitudinal recheado com várias camadas de maionese, verduras, sardinhas, o que fosse. Toda avó que se preze tinha a sua receita de torta de pão. Era a típica receita de “lanche de senhoras”.

Absolutamente extinto é o canudinho, ou melhor, cone, recheado com maionese. Quem com mais de trinta não se lembra deles? Qualquer festinha tinha a sua travessa cheia de coninhos recheados de maionese. Normalmente duros. Pensando bem, não foi má idéia decretar seu fim.

Mingau é outra coisa que ninguém mais faz. Nem para as crianças. Com tanta comida de potinho, com tanto lactobacilo e fibras invisíveis e ômegas e betas e alfas recheando todo tipo de creme plastificado, quem precisa de um belo mingau de aveia polvilhado com canela? Saudades…

Maçã assada. A empregada de uma tia fazia as melhores. O ritual era demorado: retirar o miolo de uma dúzia de maçãs, recheá-las com açúcar cobri-las com papel alumínio, levá-las ao forno onde assavam por longo tempo. Eram servidas ainda quentes, com uma colher de creme de leite. Foram-se junto com a infância…

E o arroz de forno, meu Deus, o que fizeram com ele? Esse eu sei: foi substituído pelos risotos de arroz arbóreo, aqueles que você tem que mexer até absorver todo o molho, acertar o ponto, deixá-lo al dente. Antigamente, arroz bom só precisava ser soltinho. Prato de domingo-com-preguiça, o arroz de forno era o melhor recurso para a dona-de-casa sonolenta. Enchia-se uma travessa com arroz, ervilhas, frango desfiado, milho, uma tonelada de queijo desfiado, meia hora no forno e pronto. Sempre era servido naquelas travessas tipo pirex retangular.

Pudim de pão, sopa de tomate feita em casa com quadradinhos de torrada, cozido, bolinho de arroz, gelatina de quadradinhos, cassata, bife rolê, ovo poché… a lista é extensa e saudosa.

Licença que vou ligar pra minha avó e pegar aquela receita de suflê de cenoura.

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