Crianças em restaurantes: um dilema (2)
Por Márcia Luz | 24 de Janeiro de 2008.Entre as situações mais irritantes da vida, uma das campeãs é a seguinte: você vai a um restaurante especial, em ótima companhia, na expectativa de viver horas agradáveis regadas a bom vinho, boa comida e conversa animada. A noite promete. A entrada está maravilhosa, os eflúvios da bebida começam a impregnar seu cérebro de pensamentos poéticos…
É aí que “eles” chegam. A família sem-noção. A mãe invade o restaurante com um imenso carrinho de bebê, deixando um rastro de cadeiras arrastadas atrás de si, obrigando vários comensais a se levantarem abrindo caminho para a comitiva. Garçons afastam a mesa para a jovem senhora estacionar o veículo. Logo atrás, vem o marido, carregando o pimpolho mais velho no colo e parecendo um cabide de utensílios infantis: mantas, bolsão, brinquedinhos, mamadeira. Ao sentar, a mamadeira cai e o bebê acorda. Choro. A outra criança acompanha o coro com uma série de birras e reclamações, comportamento típico infantil quando passa da hora de estar na cama.
Os clientes do restaurante se entreolham, num misto de resignação e indignação. Você bebe mais uma taça de vinho, acende um cigarro e tenta retomar a conversa apesar dos gritos do bebê, agora no colo da mãe, sendo convulsivamente sacudido. Ato contínuo, a família sem noção te fulmina com um olhar de ódio. Você apaga o cigarro e dá mais um gole, pensando no que fará para salvar sua noite. Pedir a conta ou subornar o garçom para envenenar o refrigerante da família sem noção? Os companheiros de mesa o acalmam e sugerem que se peça o prato principal. Você chama o garçom, mas ele está ocupado anotando o pedido da mamãe da mesa ao lado, que pergunta se tem bife com batatas fritas, já que o pimpolho mais velho não come confit de pato com molho de framboesa. E pede pra cozinha se apressar, já que o garoto está com fome e sono.
Passa das dez da noite, e você decide ignorar a família sem noção, acendendo outro cigarro – quem manda eles sentarem na área de fumantes? Novo olhar de ódio, desta vez recebido com um sorrisinho irônico. Você dá de ombros e pede o pato. E mais uma garrafa de vinho.
A situação é fictícia, mas quem nunca viveu momentos semelhantes? Há milhares de famílias sem noção pelo mundo e, infelizmente, não há como evitá-las: um dia uma delas aportará no seu restaurante favorito. Portanto, se você tem ou pretende ter filhos, não se torne um membro da comunidade sem noção. Há lugares e momentos que simplesmente não combinam com crianças. E pode apostar: elas – principalmente as mais novas - não sentem prazer algum em serem obrigadas a permanecer em um local cheio de adultos cuja única atração é a comida e a bebida.
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Por estas e por outras, às vezes penso, por que não cobrar IPVA de carrinho de nenem?
Nossa, Marcia, você leu meus pensamentos! Sempre cruzo com uma família sem-noção pelos restaurantes e bares da vida. E quanto a mãe resolve que vai amamentar o pimpolho ali, no meio do restaurante, na sua frente? você é obrigado a participar daquele momento de intimidade, e ainda ficar de cara para o peito da mulher…muito sem noção mesmo…
Cheguei a conclusão que este tipo de criança tornou-se um estorvo por culpa dos pais. Elas não têm culpa, fazem estas coisas para chamar a atenção (e conseguem), querem receber orientação (escutar NÃO é importante).
Não sei se um manual para ter filhos resolva, primeiro teria que educar os pais.
Muitas vezes, eu e o Marcel temos comportamente egoísta (típico de quem não tem filhos): escolhemos jantar em restaurantes que não possuem cardápio e/ou infraestrutura para receber crianças. Afinal, vcs sabem que não são como maioria: os filhos educadíssimos de vcs tbm devem arregalar os olhos ao se depararem com crianças/pais “sem noção”.
bjoca.
por essas e outras que eu aprovo restaurantes que tem por policy nao aceitar criancas. aqui, infelizmente, nao ha nenhum.
eu sou mae, talvez esteja ficando velha e ultrapassada, mas o que eu vejo hoje em termos de educacao de criancas eh o mais completo oba-oba. falta de nocao eh pouco, acho que falta mesmo eh capacidade.
bjs!
A primeira vez que me deparei com um lugar que não aceitava a entrada de crianças foi na Pousada do Patrick, na Praia do Francês. Na época estava com meu primogênito com 5 anos e o máximo que nos foi permitido, já que estávamos de passagem pelo lugar, foi conhecer o local e pegar um folder. Achei um procedimento antipático do proprietário, pois meus filhos sempre souberam se comportar fora de casa (já dentro é outra estória). Mas hoje, com a proliferação das famílias sem noção, eu concordo plenamente com esse tipo de proibição. Ganha quem paga - e geralmente paga-se caro - para desfrutar de locais aprazíveis, mas perde quem costuma ser civilizado e respeita os direitos do outro. Acho que é o mal da minha geração, os nascidos nos anos 60, que apanharam muito em casa - bem feito , quem mandou nascer décadas antes do surgimento dos “conselhos” tutelares - e que depois que parimos, grande parte adotou o inverso da educação que recebeu, ou seja, liberdade total, nada de repressão, e azar de quem discordar disso.
Olá, meninas. Agradeço pelos comentários espirituosos e digo: ninguém aqui é egoísta ou ultrapassada. É o mundo que fica cada vez menos civilizado.
beijos a todas.
sorry, babes… se Deus um dia for bondoso e vocês merecerem, vocês irão parir! E então quem sabe entendam o que é benção… os incomodados que se retirem..
Jamiroquem,
pelo que entendi, ninguém acima tem nada contra crianças, pessoalmente sou até avó, mas sim contra crianças/pais mal educados ou sem noção.
jamiroquem,
ninguém acima parece ter nada contra crianças, sou até avó, mas sim contra crianças/pais mal educados, sem noção…