Decepção à segunda olhada

Por Paulo Polzonoff Jr | 18 de Junho de 2008.

O Ruella foi um dos primeiros restaurantes que freqüentei desde que me mudei para São Paulo. Fiquei, naquela primeira visita, há quase um ano, encantado. A decoração era um pouco exagerada demais para o meu gosto, mas nada que comprometesse. Na época (minha memória é boa) pedi o Confit de Pato. E, durante quase um ano, fiquei com o gostinho do prato na boca. Eu queria mais.

Mas nunca houve oportunidade. Sabe como é: vida corrida, falta de dinheiro, restaurantes novos para se conhecer, trânsito. Até semana passada, quando, na companhia da minha amiga Mariana Souza, minha mulher e dois amigos, voltei ao Ruella para me deliciar com o Confit de Pato mais uma vez.

Pelo menos era o que eu esperava. Mas, desta vez, minha impressão sobre o restaurante mudou. A decoração me pareceu opressivamente cafona. Eu não diria isso se não tivesse reparado, numa parede, versos de Non, Je Ne Regrette Rien. Eu gosto da música, mas reproduzir aqueles versos em caligrafia adolescente foi demais.

Ainda em relação ao ambiente, vale a bronca por causa do cigarro. Longe de mim ser um destes chatos anti-tabagistas. Desde que não soltem fumaça na minha cara, não estou nem ao se você fuma ou não. Divirta-se. O problema, no Ruella, é a ausência de uma área separada para fumantes e não-fumantes. Minto. Há uma separação. Uma separação virtual. Nossa mesa, de não-fumantes, estava a duas ou três mesas de distância das reservadas aos fumantes. Num ambiente fechado, quem garante que a fumaça não chegaria até nós, se o restaurante estivesse mais cheio?

E o atendimento? Da primeira vez que estive no Ruella, fiquei com uma boa impressão. Ouso dizer até que uma ótima impressão. Mas vale o adendo: estava na companhia de um habitué da casa. Semana passada, porém, fomos mal atendidos - até que este mesmo amigo habitué chegasse. Um bom restaurante deve servir bem a todos os clientes, sejam eles amigos dos proprietários ou não.

Antes de entrar no prato propriamente dito, vale falar ainda sobre a música ambiente: alta demais. Demais, demais, demais. Havia momentos em que conversar estava difícil. Nem vou entrar no mérito da qualidade das músicas, porque não convém. Basta que nos atenhamos ao volume.

Por fim, a comida. O couvert é delicioso, mas mirrado. Depois de muita conversa e nenhuma dúvida de minha parte, decidi repetir o Confit de Pato cujo sabor me marcou tanto na primeira visita. Bom? Bom. Nada especial. Claro que fico me perguntando se minhas expectativas não estavam exageradas. Será? Não. O pato realmente estava diferente. Aquém de qualquer expectativa. Mel de menos. Bifum demais.

Dispensei a sobremesa. E me concentrei na deliciosa bebida de gim, maracujá e gengibre.

Apesar dos pesares, minha avaliação do restaurante ainda é positiva. Sobretudo por causa daquela visita que fiz há quase um ano. Sei que há dias e dias na rotina de um restaurante. E quero acreditar que peguei o Ruella num daqueles dias. Acontece.

Rating: ★★★☆☆

Rua João Cachoeira, 1507
Vila Olímpia - Zona Sul
(11) 3842-7177

www.ruella.com.br/

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