Delicias gastronômicas de Paris
por Maria CecÃla Couri
Outubro 2011, me esbaldei em Paris. Boa companhia, excelente comida, lugares charmosos e imperdÃveis. Â Dois, em especial, merecem ser lembrados:
- Almoço de domingo no L’Avenue
- Jantar de sábado no La Grand Venise
Ambos só com reserva. InesquecÃveis e mágicos. Valem cada centavo.
Vamos começar pelo  L’Avenue.
Tem gente que diz que são snobs. Nada disso. Staff impecável. Delicado, atencioso e solÃcito. Comida dos deuses e reis. Sentamos no salão refrigerado, com vista para a avenue Montaigne, localização das melhores. Distancia entre as mesas suficiente para manter a privacidade, dar água na boca e suspiros com os pratos dos outros comensais. Tudo com requinte e à meia voz, na medida exata.

Entrada – Â fois gras de canard suffisant pour deux .
Acompanhado de torradas mornas, crocantes e douradas, combinaram à perfeição com o sabor e a textura quase cremosa do fois gras

Prato principal – risotto aux gambas.
Acompanhado de  camarões graúdos e firmes, o risoto úmido, saboroso e consistente, foi servido com um  tipo parmesão crocante, enorme e delicioso que finalizou o prato com louvor.

Sobremesa, a preferida. Pra quem ama figos firmes e carnudos como eu,  foi um deleite. A tarte fine aux figues é para ser repetida enquanto houver um amanhã.
Massa fina, quente e crocante que derrete suavemente na boca, coberta de figos carnudos, dourados e tenros, assados ao ponto, polvilhados com açúcar de confeiteiro. Crocantes por fora, carnudos por dentro. Uma delÃcia, para saborear devagar, agradecendo a cada anjo pela delicadeza e prazer daquele inesquecÃvel domingo. Aproximadamente 100 euros por pessoa, com uma taça de vinho.

O jantar no La Grand Venise é um ritual inesquecÃvel, onde  recomendo a total entrega ao prazer,  para degustar, sem pressa, o que há de melhor na estação. A dica é dispensar o almoço porque tudo é tão gostoso e especial que  vale a pena experimentar o que tiver vontade. O jantar  flui durante três a quatro horas de puro deleite e prazer.
O restaurante é  classudo, aconchegante e familiar,  com ricos arranjos florais  da estação. Lembra um pouco o Antiquarius (RJ), onde cada cliente se sente especial.

A dona é muito simpática, vem em cada  mesa, pergunta as  preferencias  e oferece, sob medida,  um rico antepasto com o que há de mais fresco e saboroso. Uma verdadeira mamma no burburinho chique e caro de Paris. Como eu adoro provar de tudo, não opus restrições.
E foi fantástico.
Nossa  mesa ficou repleta de fartas travessas de parma e salames fatiados finÃssimos, lindas e deliciosas abobrinhas grelhadas em tiras sob filete de azeite, grãos de feijões gordos e tenros, quadrados de berinjelas grelhadas e cobertas de cebolas crocantes e caramelizadas, pimentões com azeitonas gigantes ao pesto,  torradas variadas e pães fumegantes, tomates enormes e suculentos, folhas verdes frescas e, por fim, uma sucessão de legumes tenros, em combinações caprichadÃssimas e saborosas, sem limite de quantidade, que trazem a sensação de fartura, plenitude, bom gosto e prazer.

Depois dessa farra, você escolhe com calma o prato principal. A carta é bem ampla. Eu pedi um linguine com pinoles ao pesto, que foi servido al dente, muito saboroso, com  apresentação que deu personalidade ao prato.

A sobremesa e os amuse bouche merecem um capÃtulo a parte. Nunca vi nada igual.
No intervalo após o prato principal, a mesa é brindada com deliciosos docinhos, biscoitinhos de amêndoas crocantes, geleinhas e potinhos de compotas caseiras de todos os sabores. Um pecado não provar.

E quando você pensa que já experimentou de tudo, eis que aparece a surpresa especial da noite, le grand finale – A SOBREMESA; eleita de todos, embora a carta  seja rica e generosa.  O que é, o que é? DifÃcil de descrever, melhor ver a foto e experimentar.

Cada um diz uma coisa. Verdadeira obra de arte, que lembra uma montanha nevada, com feitio de rocha, de consistência mais firme que a do sorvete, poderia ser um torrone gigante, caramelizado por cima. Essa é a sÃntese de tudo que ouvi. É enorme,  alta, linda, um show para os olhos, que passeia, vagarosamente, em destaque, pelas mesas do salão, no topo do  carrinho de doces, de onde todos podem assistir  ao maitre  cortar as fatias em lascas grossas, até que o caramelo vá escorrendo, aos poucos, por cima do sorvete antes de chegar ao prato .  É engraçado e lindo, e deixa todos olhando e com vontade de provar.

E quando ela chega ao seu prato… é realmente um prazer único, sentir, de uma garfada só,  o gosto do caramelo viscoso e morno derretendo na montanha branca  com cara de sorvete e de torrone, que você até esquece de descobrir o que é, para se entregar de corpo e alma ao último mimo dessa noite mágica de culto ao prazer.
Recomendo com louvor. Preço aproximado de 160 euros por pessoa, com 1/2 garrafa de vinho.

L’Avenue
41, Avenue Montaigne
(+33) 1 4070-1491
www.avenue-restaurant.com
La Grand Venise
171, rue Convention
(+33) 1 4532-4971
Comments
Maria Cecilia,
Bem-vinda à mesa. Estrear com Paris é um fantástico começo.
Dodô, vulgo Evandro Barreto
Obrigada, Dodô
Tão bom quanto comer, foi reviver o prazer.
Gostei da brincadeira. Vou copiar.
Cissa, vulgo Maria CecÃlia
Eat well and do it in Paris is fantastik !!
I agree, Gina. Paris is one of my favourite places. Regards,
Cissa
Maria Cecilia, quer dizer que tÃnhamos comensal e post novos e eu estava nas folias do momo? Gostei de tudo, mas para falar a verdade a torta de ameixas é minha preferida. Muito bem vinda e será um prazer acompanhar suas viagens gastronomicas.
PS: por falar nisso o Antiquarius (RJ) abriu portas em BrasÃlia. Gosto sempre de escrever sobre locais e coisas que gostei. Mas tenho que dizer que nao gostei do antiquarius daqui. Achei pretensioso. Serviço ora ostensivamente atencioso. Ora completamente desatendo e a comida…sem gosto. Era tanto molho que o bacalhau…coitado…sumiu. Mas acho que é coisa de inÃcio. Só vejo falar bem do Antiquarius do Rio.
Olá Eymard
Pois é, eu aproveitei um dia chuvoso de Momo pra me deliciar com as lembranças de Paris e deu no que deu.
Mas onde me esbaldei mais ainda foi na Provence. Um festival diário de entrega ao prazer. Aliás, acho que enquanto estiver viva, vou me dar esses momentos de estado de graça.
Bom, nao sei se voce conhece o filhote do Antiquarius na barra. É despretencioso, onde já comi divinamente no fim de semana e abaixo da critica durante a semana. Acontece. Sempre o bacalhau a Lagareira, que na quarta boiava no prato enxarcado de azeite e no domingo flutuava e estalava de tão gostoso. Portanto, te recomendo num almoco de domingo. Boa sorte !!!
Cecilia