Dez coisas que eu odeio em bares e restaurantes
por Antigos(as) Autores(as)
Por Márcia Luz
Uma coletânea elaborada pela comensal mais cricri deste site.
• Garçom demorado. Você pede uma água mineral e tem a impressão que ele foi recolher direto da fonte. Pior, garçom inexistente, muito comum em bares no auge do sucesso. Ele só é visto como uma vaga sombra a dez quilômetros da sua mesa. Pior do pior: garçom desprezante – ou desprezível. O seu braço dói de tanto acenar e o cara só faz passar de um lado para o outro com olhar fixo no infinito.
• Garçons contratados em agências de modelos que não sabem nem responder o que vem a ser o “guisado à Cleópatra” do cardápio.
• Musiquinha ao vivo. Assim, mesmo, no diminutivo. Um carinha tocando violão elétrico e cantando com voz de falsete músicas de qualquer década, menos a atual. O pior é quando ele fecha os olhinhos e inclina a cabecinha para o lado.
• A dupla pretensão X comida ruim. Pior do que um lugar onde a comida é ruim é um lugar metido à besta com comida ruim. Semana passada, vivi uma experiência dessas, em um bar supostamente badalado da cidade. Já de início, a surpresa desagradável: cobram entrada. Mas fui em frente. Na mesa, o garçom sugere um petisco da casa elaborado especialmente para concorrer a um famoso concurso de petiscos promovido por uma marca de cerveja. Penso que deve ser no mínimo caprichado, já que o dono do bar em questão é notoriamente ávido por premiações gastronômicas. Decepção total: pedaços de carne gordurosa embebidos num molho seguramente engrossado com maisena. Uma tristeza, diretamente proporcional ao tamanho da conta. Enquanto eu tentava gostar do prato, um rumor desagradável chega aos meus ouvidos. Olho na direção do som, e o que vejo? O carinha com seu violão dedilhando “Andança”. Argh!
• Burocracia. Você tem que dar o nome para o segurança ou porteiro já na entrada, isso quando não pedem também telefone, endereço, etc. Te dão uma fichinha, que você não pode perder senão paga uma multa de mil reais. O cliente passa a noite entregando a ficha pro garçom e pegando de volta a cada pedido, sempre tendo que se lembrar de guardá-la em um local seguro e facilmente encontrável caso passe da conta na bebida. Na saída, uma nova surpresa: a fila do caixa. Um monte de patetas segurando fichinhas. Isso é que é terminar bem uma noite.
• Segurança na porta. A não ser em caso de danceterias ou boates, mas eu não vou a esses lugares. Quando falo em segurança, não me refiro a porteiros uniformizados gentis que abrem a porta do restaurante. Mas sim àqueles homens de preto com radinho e cara de enfezado.
• Invencionices temáticas. Entenda-se por isso lugares temáticos criados apenas para realizar um delírio do proprietário ou por razões financeiras – por exemplo, o México está na moda, então vou abrir um restaurante típico mexicano e ganhar um monte de dinheiro. Ou então, fui para o Caribe e passei os melhores momentos da minha medíocre vidinha e quero repartir isso com as pessoas e ainda ganhar um dinheirinho. Todo mundo vai adorar, vai ser um sucesso! Um restaurante típico caribenho em Curitiba. Apesar dos dias de geada. Nada contra o sonho alheio, mas normalmente esses lugares não costumam corresponder gastronomicamente à inspiração original. E, convenhamos, no caso dos mexicanos, por exemplo, nada mais idiota do que aquele cara de chapelão gritando e obrigando os outros a beberem tequila.
• Invencionices modernosas. Sorvete de alho. Coulis de inhame com cristais de pêra. Espuma de qualquer coisa. Comer espuma? Poupe-me. Brandade de bacalhau sobre leito de azedinhas marinadas em cerveja paquistanesa com mousse de abóbora, pimentas carameladas e chips de berinjela. Poupe-me de novo.
• Lugares sem janela. Lugares que dá medo de quebrar algo. Lugares com cara de hospital. Lugares com cara de instalação de artista plástico contemporâneo.
• Falta de conhecimento básico da arte de servir. Por exemplo, steinhaeger sem casquinha de limão, caipirinha com pouco gelo, uísque no copo errado, dry martini sem azeitona, pão de má qualidade no couvert, etc. Mas o pior, o mais abominável nessa categoria é… comida morna! E isso não é nada difícil de acontecer, mesmo nos lugares mais renomados. Você espera um tempão pelo prato para depois descobrir que ele já estava pronto há pelo menos dez minutos e ficou “esfriando” pelo garçom. Devia dar cadeia.
[bl]como abrir um bar, garçom, comida ruim, etiqueta básica, violão[/bl]
Comments
hahaha
queria ver voce aqui em Londres onde a maioria dos garcons e garconetes nao sabem nada. estao ali para ganhar uns miseros pounds e poder curtir uma temporada na Inglaterra. Eu mesmo fui garconete logo que cheguei aqui e nao sabia nada. Voce iria ter altos piripaques!!!
beijinhos
Márcia, adorei! Você leu meus pensamentos. Achei que eu fosse A mais chata e cricri, mas vejo que tenho uma alma gêmea…estou aliviada… Parabéns pelo texto!
Oi, Leila. Ah, mas aí seria diferente… conhecer Londres compensaria as falhas garçônicas. Até porque acho que eu nem teria dindim para ir comer fora… ahahah…
obrigada pelo comentário!
beijo
Oi, Mariana
Ah, que bom que você gostou,obrigada!
Ainda bem que não sou a única cricri. Unidas contra os lugares ruins!
beijinhossss
Marcia
O Marcel sempre pergunta, é vgiolão e voz?Então não quero ir…rsrs
abs.
Aí, Marcia!
Encha-me de orgulho!
Em compensão, existe o bar perfeito. É aquele que quando o telefone toca nunca é pra você. E se for,
não é ligação da sua casa.
Bjs,
Evandro
Oi, Evandro!
Obrigada pelo orgulho! Ah, e o bar perfeito também tem que ter um garçom treinado pra dizer que você não está lá quando te ligarem de casa!
beijo!
Nina;
Muito sábio o Marcel, hein? Gostei dessa!
bjs
Eu, nem de bar gosto, tem um a lado de casa e só tem gente futil.
Restaurantes e pizzarias sao muito melhores.
Se te ligam de casa, é por que estão preocupados com a tonta que, ao invés de estar em casa, está em um bar, como se fosse um homem.