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	<title>Comensais</title>
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	<description>Curiosidade insaciável</description>
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		<title>Bistronomia</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 02:24:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Evandro Barreto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A crítica assumiu o neologismo, muitos tentaram copiar a fórmula, mas não havia fórmula – havia atitude. Desde 1992, quando abriu sua primeira casa, que batizou de Regalade, Yves Camdeborde faz alta cozinha em ambiente de bistrô, a preços de bistrô.  Simples assim. Depois de doze anos de mesas cheias e prestígio sem fronteiras, ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A crítica assumiu o neologismo, muitos tentaram copiar a fórmula, mas não havia fórmula – havia atitude. Desde 1992, quando abriu sua primeira casa, que batizou de Regalade, Yves Camdeborde faz alta cozinha em ambiente de bistrô, a preços de bistrô.  Simples assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de doze anos de mesas cheias e prestígio sem fronteiras, ele cansou de fazer o mesmo sucesso no mesmo lugar. Ao invés de acomodado, sentia-se cada vez mais incomodado pelo medo da acomodação. E resolveu começar tudo de novo.</p>
<p style="text-align: justify;">Comprou um hotel no Carrefour de l’Odeon, o “Relais Saint Germain”, e  transformou o velho café do térreo,  palco de intermináveis papos filosóficos nos anos  ’50, no “Le Comptoir”. Ali, você pode tentar fazer reservas para o jantar com meses de antecedência – ou chegar na hora do almoço e ser instalado imediatamente, seja no salão, seja na varanda, se o clima ajudar. Com entrada independente, existe, também, o “Avant Comptoir”, dedicado às tapas e sushis.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas mesas que ladeavam a que ocupamos, o eterno e o fugaz de Paris estavam representados. À esquerda, e como sempre, turistas – só mudam as tribos predominantes. Houve a fase dos poetas ingleses, dos nobres russos, dos pecuaristas argentinos, das famílias do middle west americano, das comitivas japonesas. Chegou a vez da nova classe média brasileira e dos yuppies chineses. Um casal dessa última e requintada espécie simplesmente apontava no cardápio o que queria – e pedia com grande competência, da entrada ao salmão fresco.</p>
<p style="text-align: justify;">A nossa direita, dois ícones da inteligência francesa: o intelectual</p>
<p style="text-align: justify;">pós-Camus e o artista pós-Steve Jobs. O segundo extraiu de uma grande bolsa o notebook de última geração e passou a exibir ao interlocutor sua mais recente criação em web design – a nova coleção de relógios com a griffe Christian Dior. O intelectual acompanhava a apresentação em respeitoso silêncio, enquanto os dedos enrolavam com perícia um cigarro artesanal (sem preocupação com o que pudesse pensar a polícia de Sergipe).</p>
<p style="text-align: justify;">La Blonde e eu dividíamos nossas atenções entre olhadas discretas à tela iluminada e a viagem encantada pelas vinte páginas da carta do “Le  Comptoir”, quatorze das quais reservadas às bebidas. Naquele momento entendi a extensão da frase de Camdeborde na entrevista que deu quando resolveu mudar de vida e endereço:<em>“Há mais  para se comer do que lagosta, mais para se beber do que bordeaux”. </em></p>
<p style="text-align: justify;">Há duas maneiras de reagir a um enunciado desses. Ou você escolhe alternativas tão nobres quanto as que ele descarta ou reflui ao básico. Na primeira hipótese, poderíamos ter pedido, como entrada, geléia de caviar de arenque e musseline de haddock. Mas como queríamos testar o conceito de ‘bistronomia”, comandamos o que se pode encontrar em qualquer bistrô francês: oeuf mayonnaise e paté campagne. Na seqüência, fomos coerentes: bacalhau gratinado e parmentier de lebre, pratos sem molhos alquímicos ou guarnições exóticas. Como vinho, um Côtes du Rhône de preço médio, longe da pretensão de ofuscar a fama mundial do Chateauneuf du Pape.</p>
<p style="text-align: justify;">La Blonde estava tão concentrada na responsabilidade da decisão que, por duas vezes, enfiou a própria bolsa na sacola aberta do nerd ao lado. Mas o risco de um incidente internacional foi compensado com sobras. Onde existem arte e propósito, simplicidade pode ser o outro nome da perfeição. Num momento em que o governo francês cria selos obrigatórios para distinguir pratos de autor daqueles que se propagam em hordas congeladas e vêm à mesa após breve estágio no forno de micro-ondas (dizem que em nome da crise), Camdeborde agiganta-se como herói da resistência.  Nem por isso cobra preços absurdos e ainda é capaz de gestos galantes, como oferecer a sobremesa de graça, porque o talher que acompanhava o montblanc tinha sido mal lavado.</p>
<p style="text-align: justify;">Na saída, uma rápida espionada na cozinha para descobrir qual o segredo. Segredo algum. Poucos funcionários trabalhando sem atropelos num espaço limpo e pequeno para o movimento da casa, mas organizado com inteligência e operado com destreza. Quando o talento é muito, tudo mais pode ser menos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.hotel-paris-relais-saint-germain.com" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">www.hotel-paris-relais-saint-germain.com</span></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>A fonte em que Obama bebeu</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 22:20:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Evandro Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Os quinze minutos de glória universal de “La Fontaine de Mars” duraram um pouco mais: o tempo necessário para o casal Michelle &#38;  Barak  beber bem e comer melhor, num dos endereços gastronômicos mais acolhedores de Paris: 129, rua Saint Dominique – 7ème, nas proximidades da  Tour Eiffel, mas prudentemente à margem do fluxo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os quinze minutos de glória universal de “La Fontaine de Mars” duraram um pouco mais: o tempo necessário para o casal Michelle &amp;  Barak  beber bem e comer melhor, num dos endereços gastronômicos mais acolhedores de Paris: 129, rua Saint Dominique – 7ème, nas proximidades da  Tour Eiffel, mas prudentemente à margem do fluxo de visitantes. Chegando ou saindo, conforme o seu trajeto, você vê a estrutura metálica de diferentes ângulos, o que confere um charme adicional à localização, sobretudo à noite.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois da tempestade de mídia, a casa voltou serenamente ao uso e gozo dos iniciados, como vem acontecendo desde 1908. Nesses mais de 100 anos, outros bistrots, restaurantes e brasseries, bem como lojas elegantes, instalaram-se na rue Saint Dominique e arredores, atraindo um    novo tipo de clientes e de moradores. Hoje, e sem fazer alarde, aquela área talvez seja uma das mais sofisticadas da cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">É aconselhável fazer reserva, mas não vá com a certeza de que a mesa estará à sua espera pontualmente no horário combinado. “La Fontaine de Mars” não favorece a pressa. Em compensação, tem mesas do lado de fora, onde você pode aguardar, quando o clima ajuda, e até fumar em paz seu cigarrinho. Em caso de frio ou chuva, passe para o lado dentro e sinta-se imediatamente aquecido, também no espírito. A iluminação é provida exclusivamente por lâmpadas incandescentes, sem aqueles tubos de luz branca e gelada que nivelam templos do paladar a agências bancárias.</p>
<p style="text-align: justify;">Peça o aperitivo no balcão e divirta-se observando a fauna local, que está sempre debatendo calorosamente alguma coisa, do futuro do euro ao bojaulais nouveau. No melhor do papo, você será convidado a subir degraus um tanto íngremes e ocupar o seu lugar, dividindo o salão com uma gama interessante de freqüentadores, que pode variar de executivas americanas da indústria de cosméticos a economistas franceses vergados ao peso de tantos títulos acadêmicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ignoro o que  Obama degustou entre as especialidades do chefe, mas Betty la Blonde decidiu-se por um escalope de foie gras com lentilhas e eu, contra todo bom-senso numa refeição noturna, comandei um cassoulet. Ambos os pedidos justificaram o prestígio do estabelecimento, pela perfeição do preparo, pela cortesia do serviço, pelas opções de adega (escolhemos um Pouilly Fuissé). Na seqüência, um belíssimo camembert. La  Blonde encerrou os trabalhos com a sobremesa que é o orgulho da casa – a île flottante. Como achei prudente não provocar o cassoulet, pulei esse pedaço e ative-me ao café. Chapeau!</p>
<p style="text-align: justify;">Em paralelo à gastronomia propriamente dita, algo não previsto nos chamou a atenção: o tamanho dos guardanapos quadriculados em vermelho  e branco, quase um latifúndio.Pelas proporções, eles estão para seus congêneres comuns como o “carré” do Hermes está para os foulards  femininos convencionais. Ao perceber nosso fascínio, o mâitre antecipou-se a eventuais impulsos cleptômanos e nos ofereceu um par de exemplares.</p>
<p style="text-align: justify;">Dias depois, ao acomodarmos o presente na bagagem de volta, dei valor redobrado à precisão geométrica de uma definição da minha avó, sapiente gaúcha da fronteira: “Adolescência é aquela fase em que se é pequeno pra toalha e grande pra guardanapo”.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>A sociedade do desperdício e a sopa de cebola</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 01:45:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Evandro Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[O que têm em comum a crise mundial de liquidez, o aquecimento global e a epidemia de obesidade?  Os três fenômenos apontam na mesma direção: chegamos ao fim da Era do Desperdício, que no pomposo dialeto marquetês um dia recebeu o nome da “obsolescência planejada”. Logo, logo, o arrocho dos salários e aposentadorias que se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O que têm em comum a crise mundial de liquidez, o aquecimento global e a epidemia de obesidade?  Os três fenômenos apontam na mesma direção: chegamos ao fim da Era do Desperdício, que no pomposo dialeto marquetês um dia recebeu o nome da “obsolescência planejada”.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo, logo, o arrocho dos salários e aposentadorias que se espalha pelo mundo vai adiar a troca daquele  IPhone 4S mal-saído da embalagem pelo moderníssimo IPhone 16Z, ansiosamente aguardado de Beijing a Quixeramobim. Pensando bem, também aquele carrinho 1.0, que ainda não deu oficina, pode rodar mais uns dois ou três anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Empreendedores rurais e urbanos estão aprendendo, da pior maneira, que, assim como o consumo, os insumos não são ilimitados, nem mesmo a água e o ar, num planeta sem fonte externa de abastecimento. E começam a descobrir que produção ambientalmente responsável, e focada no reaproveitamento dos descartes, não é romantismo, é esperteza.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, estatísticas da OMS comprovam que quanto mais alto o sanduíche, mais alto o colesterol, a glicose, a pressão arterial.  O custo do “big mac” local, como comparativo de poder de compra das diferentes sociedades, reflete-se diretamente no custo-saúde, independentemente da faixa de renda do guloso.</p>
<p style="text-align: justify;">O irônico é que foi preciso os velhos e novos ricos perceberem que podem se tornar novos pobres para prestarem atenção na economia dos pobres de sempre. A feijoada nasceu na senzala, com os restos do porco que a casa grande desprezava. Quem quer que tenha convivido no interior do Brasil com imigrantes europeus e sertanejos nativos sabe dos pães assados no forno do quintal, das compotas feitas com frutas da estação para durar o ano inteiro, da paçoca e da tapioca, da carne de sol e do peixe salgado.Viver é simples, até porque a alternativa é péssima. Complicado é mudar de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante da crise do primeiro mundo, com o nourráu de brasileiro que durante muito tempo passou por coisa semelhante    (e desconfia que a recaída pode estar esperando na esquina), proponho ao FMI a criação de um troféu destinado a estadistas, economistas e empresários criativos: o <em>“Grand Prix Soupe à l’ognon</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é preciso ser Bocuse para preparar uma refeição saborosa e revigorante com poucas cebolas, pão dormido, casca de queijo e água da bica.</p>
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		<title>A cada um, sua praia &#8211; ou sua mesa</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 23:31:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Evandro Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando alguém me pede que indique onde comer em Paris, nunca começo a resposta pelos nomes. Deixo esse caminho para os guias, blogs e agentes de turismo, já que é para isso que eles existem. Prefiro dividir as mesas por categorias subjetivas e deixar o interlocutor decidir em qual categoria ele se sentiria mais à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando alguém me pede que indique onde comer em Paris, nunca começo a resposta pelos nomes. Deixo esse caminho para os guias, blogs e agentes de turismo, já que é para isso que eles existem. Prefiro dividir as mesas por categorias subjetivas e deixar o interlocutor decidir em qual categoria ele se sentiria mais à vontade. Resolvido isso, aí sim, posso dar sugestões que me pareçam adequadas a cada caso.</p>
<p>Pelo meu método, totalmente anti-científico, os restaurants, brasseries e bistrots parisienses são classificados assim:</p>
<ul>
<li>Os que os turistas de primeira viagem procuram</li>
<li>Os que os parisienses evitam por causa dos turistas de primeira viagem</li>
<li>Os que os críticos pesquisam para ganhar a vida e exibir poder</li>
<li>Os que cineastas americanos filmam porque escritores americanos escreveram a respeito</li>
<li>Os que os parisienses preferem, levando em conta a cozinha, a adega, o serviço, o preço e o charme.</li>
<li>Os que os parisienses procuram porque ficam perto de casa e eles conhecem todo mundo</li>
<li>Os que os pós-turistas contumazes freqüentam, mas não saem contando para qualquer um.</li>
</ul>
<p>(Comensais e amigos não são qualquer um).</p>
<p>O Chez André (12, Rue Marbeuf – 8ème) se encaixa com naturalidade nas três opções finais. A cozinha e a adega são impecáveis, o atendimento é caloroso, eficiente e um tanto excêntrico, o preço é honesto e o charme nasce de uma combinação de tudo isso com a composição da clientela. Embora próximo à Étoile, tem clima de restaurante de bairro e abre para almoço no dia primeiro do ano em deferência aos vizinhos. A maioria dos freqüentadores se conhece e até os seus cachorros convivem bem. Ao longo de vinte anos não-contínuos, só assisti a um desentendimento sob as mesas, entre um poodle neurótico como todos os poodles e um terrier mal-humorado como todos os terriers. Mas não chegaram às vias de fato.</p>
<p>Antes mesmo de entrar, você confirma que o “Chez André” foi uma ótima escolha pela banca de ostras ao lado da porta. “Claires” “Papillons” e outras tentações disputam seu apetite, sob a regência de um especialista da maior competência. Questionado à queima-roupa por La Blonde, que reclamou da salinidade excessiva, o distinto cavalheiro deu resposta imediata e irreplicável:</p>
<p>“Madame, a culpa é da seca deste ano. As ostras vivem nos estuários e a pouca água doce que tem chegado não é suficiente para diluir na proporção certa  o sal do mar”.</p>
<p>Ainda assim, uma dúzia de “papillons número 1” foi consumida pelo casal de dependentes, entre goles de um branco do Loire, que ninguém é de ferro, enquanto não chegava a maior especialidade da casa: o gigot d’agneau. As fatias de cordeiro apresentam-se à mesa cortadas na mesma espessura que tinham na minha primeira visita, no remoto século XX, e mantém a mesma tonalidade rosada há gerações. Sem dúvida, é o próprio cordeiro de Deus a tirar os pecados do mundo e a dar-nos a paz.</p>
<p><a href="http://www.chez-andre.com" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">www.chez-andre.com</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Eu em Amsterdam (Parte II)</title>
		<link>http://www.comensais.com.br/eu-em-amsterdam-parte-ii.htm</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 22:59:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Souza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Como eu estava dizendo&#8230;nossas férias em Amsterdam renderam experiências gastronômicas inesquecíveis. E as duas mais importantes, por motivos diversos, foram a De Kaaskamer e o CTaste, ambos descobertos na Time Out. De Kaaskamer é uma loja de queijos.  Segundo a descrição da Time Out, haveria mais de 200 tipos de queijos disponíveis, além de molhos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Como eu estava dizendo&#8230;nossas férias em Amsterdam renderam experiências gastronômicas inesquecíveis. E as duas mais importantes, por motivos diversos, foram a De Kaaskamer e o CTaste, ambos descobertos na Time Out.</p>
<p style="text-align: justify;">De Kaaskamer é uma loja de queijos.  Segundo a descrição da Time Out, haveria mais de 200 tipos de queijos disponíveis, além de molhos, azeites e frios, de todos os cantos do mundo.  E a descrição, realmente, era fiel.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-1201 aligncenter" title="1" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/IMG00766-20110710-0743-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></p>
<p style="text-align: justify;">Só o cheiro na entrada da loja já inebria comensais viciados em queijo como eu.  E tem para tudo que é gosto.  Os queijos holandeses, claro, são o carro-chefe.  Não há muita variedade, e, no fundo, desconfio que são todos variações de queijo gouda.  Mas têm que ser provados, até porque os holandeses são super orgulhosos dos seus queijos (pela foto acima, dá para ver que tem queijo holandês até o teto da loja, literalmente).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas voltando ao que interessa, o que chama a atenção ali é mesmo a enorme variedade de queijos, e tudo agrupado numa loja tão pequena.  Encontrei mais tipos de queijos franceses do que na França.  E foi nesse grupo que descobri o que viria a ser o melhor queijo que já provei: um brie recheado com trufas negras.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-1202 aligncenter" title="2" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/IMG00767-20110710-1054-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></p>
<p style="text-align: justify;">O sabor é indescritível, até porque nunca havia provado os dois juntos.  Nem preciso dizer que naquele dia não teve almoço – eu e Marido passamos o dia beliscando os queijos trazidos da De Kaaskamer.</p>
<p style="text-align: justify;">E a Time Out ainda nos trouxe uma indicação de restaurante, o CTaste, que veio a ser o jantar mais inusitado que já tivemos.  Pela descrição, já havia visto que se tratava de um restaurante onde a refeição é feita absolutamente às escuras.  Mas, até adentrar o salão, não é possível ter a exata dimensão da experiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiramente, os clientes são recebidos na entrada do restaurante, com um drinque. Ali, optam por menus de 3, 4 ou 5 pratos.   Mas não se engane: não há cardápio, e não é possível escolher o que será servido.  O máximo que podemos é dizer se temos alguma restrição alimentar, e indicar se preferimos o menu vegetariano, o de carne, ou o surpresa.</p>
<p style="text-align: justify;">Como já estávamos no inferno, decidimos abraçar o capeta e optamos, eu e Marido, pelo menu <em>surprise</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao entrarem no restaurante, todos os clientes devem deixar seus pertences (bolsas, celulares, relógios) em armários com chaves.  Isso evita que algum engraçadinho tente acender uma luz dentro do salão e estragar a experiência coletiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seguida vêm garçons, todos cegos, que guiam os comensais para dentro do salão.  E não existe uma porta, por onde possa passar algum raio de luz.  O salão é fechado por exatamente quatro cortinas de veludo escuro.  Ou seja, breu total e absoluto.</p>
<p style="text-align: justify;">Já dentro do salão, as regras são claras:chamar o garçom para qualquer necessidade, e não se levantar até que ele chegue.  Como os garçons são cegos, eles conseguem se movimentar melhor no salão do que nós, que, obviamente, não estamos acostumados a andar no escuro.</p>
<p style="text-align: justify;">Nosso garçom nos guiou até a mesa, e trouxe vinho e água.  Ele mesmo serviu as bebidas, e entregou os copos em nossas mãos.  Depois, deixou as garrafas sobre a mesa, para que nos servíssemos ao longo do jantar, sem auxílio.</p>
<p style="text-align: justify;">Os pratos começaram a ser servidos, e, inevitavelmente, o programa era tentar descobrir o que íamos comer.  Primeiro, uma salada com verduras e legumes, e uma carne. Não consegui distinguir que carne era, mas era diferente. Frango, talvez? Só saberia ao final.</p>
<p style="text-align: justify;">De prato principal, outra carne – essa, tinha certeza, era frango – também acompanhada de legumes grelhados e batatas, tudo muito gostoso e bem temperado.</p>
<p style="text-align: justify;">A sobremesa, juro, gostaria de ter visto, pois imagino que o prato estivesse bonito. Era um bolo, como um merengue, com espuma de abacaxi, frutas vermelhas e em volta aquele açúcar que estala na boca (sim, que vinha no saquinho do pirulito muito antigamente).</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo, sempre, saboreado no mais absoluto breu.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminada a experiência, somos conduzidos para fora aos poucos, e com a indicação de abrirmos os olhos com cuidado, até nos acostumarmos novamente com a iluminação. Somos então levados de volta aos armários, para buscarmos nossos pertences – inclusive o dinheiro para pagar a conta, claro.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo pago, já nos dirigíamos para a saída, ainda meio atordoados, quando fomos interpelados pelo garçom, aos risos, perguntando se não gostaríamos de saber o que havíamos comido.  Claro que aceitamos, e ele então passou a descrever cada um dos pratos.  Fiquei feliz em saber que acertei quase tudo, à exceção da carne da salada que, ao contrário do que imaginei, não era frango, mas sim canguru (muito provavelmente, se eu soubesse antecipadamente, não teria comido, por puro preconceito).</p>
<p style="text-align: justify;">A experiência é completamente inédita, em todos os sentidos (adoro!).  São tantas sensações novas&#8230;perder o aspecto visual do prato – o que me fez confirmar que, sim, muitas vezes comemos com os olhos &#8211; , confiar cegamente em totais desconhecidos, sendo que normalmente eles é que têm que confiar em nós, e, acima de tudo, não ver o que se está ingerindo.  Isso, para mim, foi o pior – sabe-se lá quantos fios de cabelo eu comi naquela noite&#8230;</p>
<p><strong>De Kaaskamer</strong><br />
<a href="http://www.kaaskamer.nl" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">www.kaaskamer.nl</span></a><br />
Runstraat 7<br />
1016 GJ Amsterdam</p>
<p><strong>CTaste</strong><br />
<a href="http://www.ctaste.nl" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">www.ctaste.nl</span></a><br />
Amsteldijk 55<br />
1074 HX Amsterdam</p>
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		<title>O Natal de Noel</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 15:32:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Evandro Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Noel estava muito cansado. Depois da queda da cortina de ferro e do ingresso da China nas delícias do consumo, o trabalho tinha aumentado demais. Agora ele tinha que começar as entregas pelo leste e dar a volta ao mundo inteiro para atender às encomendas das crianças de todas as cores, latitudes e longitudes. Por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Noel estava muito cansado. Depois da queda da cortina de ferro e do ingresso da China nas delícias do consumo, o trabalho tinha aumentado demais. Agora ele tinha que começar as entregas pelo leste e dar a volta ao mundo inteiro para atender às encomendas das crianças de todas as cores, latitudes e longitudes.</p>
<p style="text-align: justify;">Por uma questão de método poético, havia escolhido Natal, no nordeste brasileiro, para deixar o último pacote. Não encontrou meia ou sapato debaixo da cama da criança para colocar o presente. Aliás, não havia nem cama. O jeito foi deixar a barbie fake sobre o par de havaianas junto à rede.</p>
<p style="text-align: justify;">O sol nascia no Atlântico quando ele tomou o rumo de casa. Colocou as renas no piloto automático e ajeitou-se no trenó para um cochilo. Quando acordou, o dia já ia adiantado e estava sobrevoando Gibraltar. Espreguiçou-se, decidiu que o Pólo Norte ainda estava muito longe e resolveu presentear a si mesmo com um pit stop em Paris. Afinal não é todo dia que se pode encontrar Cézanne, Matisse e Picasso juntos, ilustrando a história do início do Século XX  &#8211;  graças à sensibilidade e ao dinheiro da família Stein, ganho com os bondes de San Francisco e muito bem aplicado na  fabulosa coleção exposta no Grand Palais. Tinha que ser agora, a mostra encerra-se em 16 de janeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Noel mandou mensagem pelo Smart-Phone para Madame: “Pegue já o trenó de reserva, pouse nos Jardins de Tulleries e me encontre na fila do Grand Palais”.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando ele chegou lá, Madame Noel já o esperava com os ingressos. Tinha furado a fila na base do “Você sabe com quem está falando?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Deslumbramento total. Obras dispersas pelo mundo inteiro voltavam a reunir-se na cidade onde haviam se agrupado pela primeira vez. O cansaço que ainda restava dissipou-se no instante em que o casal Noel parou diante do menino nu com cavalo, provavelmente a melhor peça da fase rosa de Picasso. Mais adiante, outro Picasso do mesmo período: o retrato de Gertrude Stein, onde a força da personagem parece ter queimado os tons do fundo. Uma seqüência de Matisses e logo o impacto: as cinco maçãs de Cézanne. Substância pura, imune a adjetivos, levou Noel a entender, enfim: sem Cézanne, jamais Gertrude teria descoberto que uma rosa é uma rosa, é uma rosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Saíram da exposição com os olhos embotados de encanto e lágrimas. Foi preciso caminhar em torno do Grand Palais para restaurar um mínimo de normalidade tranqüilizadora, se é que se consegue ser normal em Paris. Chegaram à entrada do Mini-Palais. E se precisavam se alimentar, que fosse ali, onde as grandes janelas que se abriam para o Sena e a Ponte Alexandre III não os deixariam esquecer de que a  busca da beleza é um dever permanente do olhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram frugais, em defesa da magia do momento, Nada de álcool, uma garrafa de água Vittel. Para madame, apenas uma entrada: galantine de volaille truffé et foie gras de canard. Para ele, somente um prato: ris de veau em croûte. Uma sobremesa e um café depois, caminharam abraçados e lentamente em direção às renas, já com as saudades do presente ditando o ritmo dos passos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A todos os amigos que se reúnem à mesa dos Comensais, La Blonde e eu desejamos um natal tão pleno quanto este.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Beth e Dodô</em></p>
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		<title>O mais antigo</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Dec 2011 14:58:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Arraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Em viagem a Madrid em setembro de 2010 resolvi visitar o restaurante mais antigo do mundo em atividade, segundo o Guinness World Book of Records. O Restaurante Botín foi fundado em 1725 pelo cozinheiro francês Jean Botín e sua esposa. Originalmente o restaurante foi chamado de Casa Botín pois era considerado uma &#8220;Casa de Pasto&#8221;, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; background: white;"><span style="font-family: Constantia;">Em viagem a Madrid em setembro de 2010 resolvi visitar o restaurante mais antigo do mundo em atividade, segundo o Guinness World Book of Records. O Restaurante Botín foi fundado em 1725 pelo cozinheiro francês Jean Botín e sua esposa. Originalmente o restaurante foi chamado de Casa Botín pois era considerado uma &#8220;Casa de Pasto&#8221;, já que o termo &#8220;Restaurante&#8221; na época era aplicado a apenas alguns estabelecimentos, muito raros e exclusivos, que pretendiam imitar os locais parisienses.</span></p>
<p style="text-align: justify; background: white;"><span style="font-family: Constantia;">O termo &#8220;Casa de Pasto&#8221; foi uma denominação muito comum até o final do século XIX, inclusive em Portugal e no Brasil, e se referia aos estabelecimentos que serviam almoços e jantares. O termo pasto é derivado do latim <em>pastus</em>, que se referia a qualquer tipo de alimento. A Casa de Pasto era uma mistura entre uma taberna e um restaurante de petiscos. Serviam também refeições ligeiras ao longo do dia, acompanhadas de vinho ou cerveja.</span></p>
<p style="text-align: justify; background: white;"><span style="font-family: Constantia;">Após a morte de Jean Botín, o restaurante foi herdado por seu sobrinho chamado Candido Remis que imediatamente alterou o nome do estabelecimento para Sobrino de Botín, que é o nome que se mantem até os dias de hoje, inclusive na fachada, apesar de ser reconhecido mundialmente como Restaurante Botín. No início do século XX o estabelecimento foi adquirido pelos atuais proprietários, a família Gonzáles. Desde sua fundação várias curiosidades e mitos percorrem o ambiente, como relatos de que por volta de 1765, um adolescente chamado Goya trabalhou lavando pratos no Botín&#8230;</span></p>
<p style="background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white; text-align: center; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1190" title="botin1" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/19-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></p>
<p style="text-align: justify; background: white;"><span style="font-family: Constantia;">A especialidade do Botín é a cozinha castelhana e, mais concretamente, os assados de cordeiro e leitão. Três a quatro vezes por semana, chegam ao restaurante carregamentos de leitões procedentes da cidade murada de Segóvia e cordeiros originários do triângulo mágico desta carne: Sepúlveda-Aranda-Riaza. Pouco a pouco, lentamente, cordeiros e leitões vão ganhando uma cor dourada ao calor do velho forno alimentado a lenha de azinho.</span></p>
<p style="text-align: justify; background: white;"><span style="font-family: Constantia;">O prato mais famoso do Botín é com certeza o cochinillo assado, nada mais do que um leitãozinho de apenas 21 dias, abatido para degustação dos clientes. A carne é tenra mas a pele bem gordurosa. Apesar de eu ter ido no jantar não achei o prato tão pesado, até porque nesse prato são servidos apenas duas postas do leitão com batatas cozidas. Uma ou duas taças de vinho, uma bela caminhada pelas ruas <em>madrileñas</em> e pronto! Digestão garantida!</span></p>
<p style="background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white; text-align: center;"><span style="font-family: Constantia;"><img class="aligncenter size-large wp-image-1193" title="botin2" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/211-1024x381.jpg" alt="" width="590" height="220" /><br />
</span></p>
<p style="text-align: justify; background: white;"><span style="font-family: Constantia;">Não achei o atendimento lá essas coisas&#8230; O garçom estava meio ranzinza e só melhorou o humor quando perguntei se lá de fato era o restaurante mais antigo do mundo. Ele trouxe, todo orgulhoso, o Livro dos Recordes já com a página marcada com o registro. Dei os parabéns e com isso ele mudou tanto o humor que me convidou para visitar o forno a lenha e apreciar todos os leitõezinhos expostos, todos limpos e temperados, prontos para enfrentarem o calor infernal. Vale a pena a visita.</span></p>
<p style="background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white; text-align: center; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1194" title="botin3" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/410.jpg" alt="" width="286" height="219" /></p>
<p style="text-align: justify; background: white;"><strong style="font-family: Constantia;">Rating:</strong><span style="font-size: 10pt;"> <img src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/121011_1457_Omaisantigo6.png" alt="" /><img src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/121011_1457_Omaisantigo7.png" alt="" /><img src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/121011_1457_Omaisantigo8.png" alt="" /><img src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/121011_1457_Omaisantigo9.png" alt="" /><img src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/121011_1457_Omaisantigo10.png" alt="" /></span></p>
<p>Restaurante Botín<br />
Calle de los Cuchilleros, 17<br />
Madrid, España<br />
+34 91 366-3026<br />
<a href="http://www.botin.es" target="_blank"><span style="color: #0000ff;"> www.botin.es</span></a></p>
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		<title>O centauro de botas</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 23:07:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Evandro Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Saimos do Boulevard Saint Germain pela Rue de Saint-Pères e, à medida  que nos aproximamos da Rue de Sèvres, a sensação  que tenho é de que me afasto de uma Paris que não há mais para a Paris-dos-parisienses-de-hoje-em-dia. Gente que faz compras em mercearias do bairro, executivos apressados de smartphone em punho, bandos de estudantes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Saimos do Boulevard Saint Germain pela Rue de Saint-Pères e, à medida  que nos aproximamos da Rue de Sèvres, a sensação  que tenho é de que me afasto de uma Paris que não há mais para a Paris-dos-parisienses-de-hoje-em-dia. Gente que faz compras em mercearias do bairro, executivos apressados de smartphone em punho, bandos de estudantes que falam ao mesmo tempo (jamais entre eles, cada qual em seu celular), idosos com cachorros quase da mesma idade, mulheres de várias gerações em seus casacos de outono de corte impecável, echarpes que dão voltas incríveis, calças compridas imunes a salto-agulha – sem fazer disso uma performance.</p>
<p style="text-align: justify;">Chegamos ao fim do trajeto e temos a sorte de encontrar mesa vaga na varanda do “Au Sauvignon”, o bar a vin recomendado pela sabedoria requintada da amiga Lucia e que Betty la Blonde vinha querendo conhecer há um bom tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">O que o Sauvignon tem de mais? Felizmente, nada que os guias de turismo destaquem. Não se apresenta como um templo da haute cuisine, não foi incorporado pelos irmãos Costes, de lá não se vê a torre ou o arco. O que o Sauvignon tem é esse valor atemporal chamado caráter. Dirigido pela mesma família da região de Auvergne desde 1954, vem fazendo amigos de lá para cá. Nas paredes internas, a decoração quase se resume a fotos e caricaturas dos donos com clientes felizes, entre eles artistas, intelectuais e personalidades para todo gosto, inclusive o ex-presidente Jacques Chirac. Além da cave criteriosa, o que torna a casa um “bar a vin” (em vez de bistrot, brasserie ou restaurant) é ausência de panelas na cozinha. O que mais lembra comida quente são torradas de pão poilâne &#8211; tronos crocantes onde se assentam tentações que já chegam prontas para receber o toque final.</p>
<p style="text-align: justify;">Escolher o que pedir é um deliciosa angústia. Assiette ou terrine? Presunto d’Auvergne ou pescoço de ganso recheado?</p>
<p style="text-align: justify;">Lembramo-nos que estávamos no meio da tarde e com várias coisas a fazer. O bom-senso indicava sair da mesa sem peso nas pernas nem na consciência. Pedimos, então, algo de que ninguém se arrepende: foie gras com geléia de figos para La Blonde, salmão defumado para mim. Da lista de vinhos pinçamos o frescor de um Sancerre. A começar pelo dourado ponto das torradas, tudo perfeito. Compreendido o camembert au calvados que substituiu a sobremesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois do café, o prazer de observar sem nenhuma urgência a vida que  passa na calçada. Mães que retornam com os filhos corados da escola, o cidadão que carrega uma moldura às costas, permitindo-nos fantasiar o quadro a que se destina, o casal que parece fugido de um texto de Roland Barthes: ela, oriental de meia-idade, ele com todo jeito de anarquista espanhol aposentado.</p>
<p style="text-align: justify;">A juventude chega de scooter e se senta ao nosso lado. Retirados os capacetes, revelam-se duas moças bonitas, de uma elegância sem alarde, provavelmente  transmitida em família há algumas gerações. E isso nos lembra que a Rue de Sèvres é um santuário de griffes. A mais recente no pedaço é a Hermès, instalada no espaço onde era a piscina do Hotel Lutetia. É para lá que vamos em seguida, à procura de um objeto de desejo. La Blonde me ensina que “carré” é uma espécie de Rolls-Royce dos lenços de mulher, assinado pelo artista e cada exemplar tem seu próprio nome. Acho prudente não dizer nada. Apenas me preparo para aplaudir o efeito, decisão que logo viria se provar justificada.</p>
<p style="text-align: justify;">Já escurecia quando passamos pela Place de la  Croix Rouge e me chama a atenção uma estátua eqüestre. Um bravo guerreiro, logo na praça da Cruz Vermelha? Chegando mais perto, vejo tratar-se de um centauro de aço. Mas não um centauro qualquer: este calça botas e exibe uma lança apontada para trás, que começa num ponto suspeito da anatomia híbrida. Talvez uma hermética homenagem pacifista a Brancaleone e seu corcel Aquilante. Esta cidade é cheia de sutilezas.</p>
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		<title>Sherlock Holmes comia lá</title>
		<link>http://www.comensais.com.br/sherlock-holmes-comia-la.htm</link>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 14:19:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Evandro Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Se alguém propusesse a você sair da França só para almoçar na Inglaterra e voltar no mesmo dia, o que você diria? Pois eu digo que é uma proposta decorosa.   Desde que seja para comer no “Simpson’s &#8211; in-the-Strand”. Integrado ao Hotel Savoy, de Londres, o Simpson’s  existe desde 1828 e serve o roastbeef mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Se alguém propusesse a você sair da França só para almoçar na Inglaterra e voltar no mesmo dia, o que você diria? Pois eu digo que é uma proposta decorosa.   Desde que seja para comer no “Simpson’s &#8211; in-the-Strand”.</p>
<p style="text-align: justify;">Integrado ao Hotel Savoy, de Londres, o Simpson’s  existe desde 1828 e serve o roastbeef mais famoso do mundo, maturado por 28 dias e levado à sua mesa em carrinhos cobertos por grandes tampas de pratas com mossas centenárias. O veículo é pilotado por um especialista no assunto, que parece trabalhar na casa desde a fundação. O nome dele é Giuseppe, a postura é de lord e a perícia de Pitanguy. Em movimentos precisos, ele corta do grande assado de “scottish beef” fatias exatamente da espessura e no ponto que você pedir. O perfume cheio de sutilezas desprende-se da monumental peça de carne, antecipando um sabor que se revelará em  camadas. Ancorando o paladar, maravilhosos yorkshire puddings mergulhados no molho, raiz forte, batatas discretas e perfeitas. Para coroar a experiência, cintilações de rubi nos copos de Chateau Martour, um bordeaux  daqueles que os ingleses sabem escolher como ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;">No começo, o Simpson’s era clube de xadrez, onde bebia-se café turco e fumava-se sem culpa. Até hoje, a área de restaurante chama-se “Grand Divan”  e convive com o britaníssimo  Knights Bar. Ao longo da história, passaram por ali, além da família real, personagens como Charles Dickens,George Bernard Shaw e Vincent Van Gogh (este, provavelmente convidado). Segundo registros insuspeitos de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes era cliente assíduo.</p>
<p style="text-align: justify;">Certas normas de conduta seguem inflexíveis. Ao reservarmos mesa, ainda no Brasil, fomos informados por um solene Mr. Neil Milanga de que o atraso máximo permitido seria de quinze minutos e não se admitiam no recinto trajes e periféricos como jeans,  bermudas, shorts, trainings, camisetas, tênis e  sandálias – inclusive  havaianas. Como concessão aos tempos modernos, dispensava-se gravata no almoço.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois da sobremesa, do café e do cálice de Chartreuse (La Blonde prefere o verde), ainda sobrava  tempo na cidade, antes de tomarmos  na estação de Saint Pancras o trem que nos conduziria de volta a Paris em duas horas e poucos minutos, pelo Eurotunnel.</p>
<p style="text-align: justify;">La Blonde e eu decidimos levar o filho Victor, que não conhecia Londres, para um giro pelos lugares de que mais gostamos – da beira do Tâmisa aos jardins da outra Beth, da Sloan Street a Trafalgar Square. Claro que confortavelmente aboletados nessa admirável instituição – o táxi inglês. Ainda importarei um para passear na orla carioca.</p>
<p style="text-align: justify;">É óbvio que o Harrod’s não poderia fica de fora. Na varanda (ensolarada! em Londontown!), saboreamos, em pequenos goles, taças de chocolate do “Ladurée”.</p>
<p style="text-align: justify;">God save the Queen!</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.simpsonsinthestrand.co.uk/"><span style="color: #0000ff;">www.simpsonsinthestrand.co.uk/</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Comida como a mamãe do Nietzsche fazia</title>
		<link>http://www.comensais.com.br/mamae-nietzsche.htm</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Nov 2011 00:54:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Evandro Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois do grand jeté em cabeça de alfinete que foi o jantar no Margaux-Berlin (assunto do post anterior), senti saudade da falta de sutileza da cozinha alemã de segunda-mão do Rio de Janeiro, companhia indispensável do chopp gelado depois da praia. A inimitável salada de batatas do Bar Luiz, o salsichão do Zeppelin, o kassler [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Depois do grand jeté em cabeça de alfinete que foi o jantar no Margaux-Berlin (assunto do post anterior), senti saudade da falta de sutileza da cozinha alemã de segunda-mão do Rio de Janeiro, companhia indispensável do chopp gelado depois da praia. A inimitável salada de batatas do Bar Luiz, o salsichão do Zeppelin, o kassler com lentilhas do Lucas.</p>
<p style="text-align: justify;">Betty, la Blonde, conhecedora profunda das germanidades, decidiu onde iríamos almoçar no dia seguinte: no Lutter &amp; Wegner. O nome já me fez gostar da escolha.  Soa quase como Luther &amp; Wagner –  dois pilares da maneira de ser alemã Não me decepcionei. Os pratos tradicionais estavam lá, inclusive reminiscências de um vizinho falecido há quase cem anos: o império austro-húngaro. Mas havia espaço para receitas mais sofisticadas, como o duo de terrines (vitela e foie gras) com feld salat, uma salada de folhas que lembram a rúcula. Esta foi a escolha de La Blonde. Em homenagem à xará dela, a imperatriz Elisabeth d”Áustria, vulgo Sissi, pedi um goulasch com spätzl. Ambas as decisões acertadíssimas, como logo se provou. Nos copos, um honesto Riesling. A sobremesa foi óbvia: apfelstrudel recém-saída do forno.</p>
<p style="text-align: justify;">Felizes e saciados, fomos ao encontro de Einstein. Não o da relatividade em pessoa, mas uma rede de cafés que o homenageia. Escolhemos o Einstein da Friedrich Strasse, com providencial terraço para os fumantes e vista para a sociedade do consumo, que desfila com olhos ávidos e sacolas de griffe estufadas, Nas calçadas lotadas de uma rua que é elegante de segunda à sexta e cafona nos fins-de-semana, esbarram-se mochileiros, mulheres que parecem  saídas da última edição da Vogue, famílias do interior, turistas de todos os passaportes. A poucos passos, um shopping exibia como atração nada menos do que modelos de Bugattis de diferentes épocas, inclusive um relíquia, da maior incorreção política, onde os passageiros se acomodam na cabine coberta e o motorista dirige ao ar livre, sujeito às intempéries.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas ruas em volta não se vê mais nenhum Traban, ícone da indústria automobilística proletária nos velhos tempos do muro, a não ser uma “versão limousine” para turistas, aberta e com estofamento zebrado. Não consigo imaginar como a Stasi encararia isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.l.berlin.de/"></a><a href="http://www.l-w-berlin.de/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">www.l-w-berlin.de</span></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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