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	<title>Comensais</title>
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	<description>Curiosidade insaciável</description>
	<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 13:23:40 +0000</pubDate>
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		<title>Pero que sí, pero que no</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 13:23:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Souza</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Há muitos anos não me conformava de não haver oferta de restaurantes e bares espanhóis no Rio de Janeiro.  Para mim, a culinária e o estilo espanhol tinham tudo a ver com o carioca – cerveja, drinques refrescantes, comidinhas e pratos leves. Por isso não entendia como ninguém pensava nisso.
Até que, de uma só [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há muitos anos não me conformava de não haver oferta de restaurantes e bares espanhóis no Rio de Janeiro.  Para mim, a culinária e o estilo espanhol tinham tudo a ver com o carioca – cerveja, drinques refrescantes, comidinhas e pratos leves. Por isso não entendia como ninguém pensava nisso.</p>
<p>Até que, de uma só tacada, fomos brindados com dois exemplares na cidade. Eu, claro, fui conferir.</p>
<p>A primeira incursão foi no Eñe. Restaurante de dois irmãos espanhóis, já existente há alguns anos em São Paulo. As críticas elogiosas – e, claro, o fato de o lugar fazer sucesso em São Paulo, onde há tanta concorrência e lugares de altíssima qualidade – me levaram até lá.</p>
<p>O restaurante funciona dentro do Hotel Intercontinental, em São Conrado, numa área onde antes existia uma piscina (creio eu). Mas a entrada é pela lateral do hotel, sem que se precise entrar no prédio (e tampouco se utiliza seu estacionamento, mas há manobrista no local).</p>
<p>A decoração é um <em>must</em>. Paredes de vidro, móveis de madeira e uma viga cheia de flores vermelhas, do chão ao teto, no melhor estilo Almodóvar.</p>
<p>Havia feito uma reserva e a mesa estava especial – num canto, de frente para o mar. Logo na entrada encontramos pessoas conhecidas e alguns famosos. Apesar do nosso pequeno atraso, nossa mesa estava guardada pela doce <em>hostess </em>Camila, e já havia fila na porta.</p>
<p>Mal sentamos e começou a disputa pela atenção do garçom. Finalmente conseguimos os cardápios, pedimos um espumante (excelente) e chegou o couvert – pão, azeite, flor de sal, linguiça frita e batatas cozidas. Sem graça e, confesso, até um pouco difícil de entender na concepção.</p>
<p>Passamos aos pratos.  Alguns do grupo se interessaram pelo menu degustação.  Como, para que um pedisse, todos teríamos que pedir, optamos por experimentar, até porque os pratos pareciam gostosos e bem variados.</p>
<p>Primeiro vêm as tapas – pimentão recheado com mousse de bacalhau e as famosas patatas bravas. Como não gosto de pimentão, pedi para trocar o meu por um gazpacho, que estava delicioso, picante no ponto.  As <em>patatas bravas</em> (batatas cobertas por um molho picante) estavam deliciosas e, pasmem, foi o melhor prato da noite.</p>
<p>Servidas as duas tapas, chegaram os pratos principais.  Paella de fideos com frutos do mar – macarrão cabelo de anjo que substitui o arroz.  Apesar de saborosa, os frutos do mar passaram longe.  Cada um encontrou em seu prato, no máximo, meio camarão.</p>
<p>O quarto prato era vitela com batatas gratinadas.  Para variar, as batatas estavam melhores que a carne.  De sobremesa, crema catalana.  Sobremesa leve, que parece uma mousse de creme, salpicada de açúcar mascavo queimado.  Eu até gostei, mas não houve muita aceitação pelo restante do grupo.</p>
<p>O Eñe, então, ficou mais no imaginário popular e menos na prática.  Serviço extremamente desatento, pratos muito pequenos e execução, na maior parte deles, longe do que se previa.  A única coisa que atendeu nossas expectativas foi o preço – salgado, como esperado.</p>
<p>Passada essa experiência, levei alguns meses até me animar a conhecer o outro exemplar da comida espanhola da cidade, o Venga.  Até porque, pelo que ouvia, o lugar era muito pequeno e enchia logo cedo.  Então um dia me animei e fomos cedo, direto do trabalho.</p>
<p>De fato o bar é bem pequeno, ocupando uma loja na Rua Dias Ferreira.  Conseguimos uma mesa para 5, na calçada.  O atendimento, do início ao fim (e olha que o fim foi tarde) foi extremamente atencioso e gentil.</p>
<p>Como éramos um grupo animado, resolvemos experimentar todas as sangrias da casa – na verdade, duas ou três vezes cada uma.  Os sabores foram todos aprovados, com destaque para a sangria de espumante com morango e a água de valência (espumante, suco de laranja e cointreau).</p>
<p>A comida, no entanto, deixou a desejar.  O croquete de presunto serrano e queijo tinha pedaços grosseiros do presunto, inclusive com gordura.  As patatas bravas também eram bem insossas.  O que se salvou mesmo foi o churros com chocolate quente.  Sobremesa bem típica, os churros vêm à mesa fininhos e crocantes, acompanhados de chocolate quente espesso, uma delícia.  </p>
<p>Portanto, no Venga, o negócio é chegar cedo, beber bastante, e depois parar para fazer uma boquinha em algum lugar&#8230;</p>
<p><em>Eñe<br />
Av. Prefeito Mendes de Morais, 222 – São Conrado<br />
<a href="http://www.enerestaurante.com.br">www.enerestaurante.com.br</a> </p>
<p>Venga<br />
Rua Dias Ferreira, nº 113-B – Leblon<br />
<a href="http://www.venga.com.br ">www.venga.com.br </a></em></p>
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		<title>Balthazar - o meu preferido</title>
		<link>http://www.comensais.com.br/balthazar-o-meu-preferido.htm</link>
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		<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 02:56:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Arraes</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[A data? Não podia ser melhor, a Lê estava se formando pela NYU.
A companhia? Era perfeita: sogro, sogra, cunhada e esposa.
O lugar? O meu preferido em Nova York: Balthazar.
O preço? 0800, viva o sogrão!
Já havia ido uma vez ao Balthazar em 2006 com as mesmas pessoas exceto minha cunhada que na época estava no Brasil [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A data? Não podia ser melhor, a Lê estava se formando pela NYU.<br />
A companhia? Era perfeita: sogro, sogra, cunhada e esposa.<br />
O lugar? O meu preferido em Nova York: Balthazar.<br />
O preço? 0800, viva o sogrão!</p>
<p>Já havia ido uma vez ao Balthazar em 2006 com as mesmas pessoas exceto minha cunhada que na época estava no Brasil trabalhando, afinal, alguém tem que ganhar dinheiro na família&#8230; Passados dois anos e meio fomos novamente ao restaurante francês, que pela grande procura precisa ser reservado com pelo menos duas semanas de antecedência.</p>
<p>O lugar é sensacional. Não é a toa que é meu preferido. De entrada a grande dica é o Seafood Ceviche, de origem peruana, com camarões, polvo, lula, lagosta em fatias finas mas generosas, muito bem temperado com lima, salsa e coentro, juntamente com pequenos pedaços de tomate e cebola. Uma delícia!!</p>
<div id="attachment_540" class="wp-caption aligncenter" style="width: 228px"><img class="size-full wp-image-540" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/17.jpg" alt="Seafood Ceviche" width="218" height="163" /><p class="wp-caption-text">Seafood Ceviche</p></div>
<p>Os pratos principais são todos bons, acredite, lá eu já provei de tudo um muito&#8230; Todos excelentes. O meu prato preferido é o Plateaux de Fruits de Mer, ou seja, Prato de Frutos do Mar. Existem duas opções, sendo o mais barato (ou seria menos caro?) chamado Le Grand, servido em três andares de bandejas com camarões, ostras, mexilhões, caranguejos, lulas, polvos e escargot, tudo sobre uma crosta de gelo com alguns temperinhos e molhos à parte e tudo muito, muito fresco. O mais caro é chamado Le Balthazar, que é igual ao primeiro com a adição de lagostas, s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l. Ah, o prato pode - e deve - ser dividido entre duas a quatro pessoas.</p>
<div id="attachment_542" class="wp-caption aligncenter" style="width: 512px"><img class="size-full wp-image-542" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/28.jpg" alt="Le Balthazar" width="502" height="420" /><p class="wp-caption-text">Le Balthazar</p></div>
<p>Para os que não gostam de frutos do mar, a dica é pedir o Steak Frites. Sim, o nosso conhecido - e simples - bife com batatas fritas. Mas não é qualquer bife com batatas fritas, não senhor. É simplesmente um dos melhores que você vai comer na sua vida. A carne é extremamente macia e saborosa e a batata frita é sequinha e muito gostosa. Vale a pena!!</p>
<div id="attachment_543" class="wp-caption aligncenter" style="width: 228px"><img class="size-full wp-image-543" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/36.jpg" alt="Steak Frites" width="218" height="165" /><p class="wp-caption-text">Steak Frites</p></div>
<p>Agora, se você gosta mesmo de mexilhões, mas tem medo de comer aqueles de Búzios “pescados na hora”, a boa pedida é se deliciar com uma panelinha inteirinha só para você do melhor - e mais fresco - mexilhão da sua vida. A Lê só pede esse, chamado Moules Frites.</p>
<div id="attachment_544" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-544" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/47.jpg" alt="Moules Frites" width="500" height="165" /><p class="wp-caption-text">Moules Frites</p></div>
<p>Para a sobremesa, opções para todos os gostos. O Caramelized Banana Ricotta Tart é uma bolinho de banana caramelizado com uma bola de sorvete de banana de acompanhamento. O Warm Chocolate Cake nada mais é que um Petit Gateau com uma bola de sorvete de baunilha. Agora, o mais saboroso de todos é o Profiteroles, com recheio - e muito - de sorvete de baunilha com muita, eu disse muita, calda de chocolate quente. O jarrinho com a calda fica ao lado e você ainda pode pedir para eles reporem se acabar. De lamber os beiços&#8230;.</p>
<div id="attachment_546" class="wp-caption aligncenter" style="width: 229px"><img class="size-full wp-image-546" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/52.jpg" alt="Caramelized Banana Ricotta Tart" width="219" height="163" /><br />
<p class="wp-caption-text">Caramelized Banana Ricotta Tart</p></div>
<div id="attachment_548" class="wp-caption aligncenter" style="width: 229px"><img class="size-full wp-image-548" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/62.jpg" alt="Warm Chocolate Cake" width="219" height="166" /><p class="wp-caption-text">Warm Chocolate Cake</p></div>
<div id="attachment_549" class="wp-caption aligncenter" style="width: 229px"><img class="size-full wp-image-549" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/7.jpg" alt="Profiteroles" width="219" height="165" /><p class="wp-caption-text">Profiteroles</p></div>
<p>Agora minha mania, como sempre, avaliação do banheiro. Nota 10. Limpo, toca música relaxante, sabonete cheiroso, toalha muito absorvente e mais, mantém um funcionário dentro do ambiente “pilotando” a torneira da pia (além dele abrir e fechar a torneira para o cliente não sujar a torneira antes de lavar as mãos e depois consequentemente para não sujar a mão com a torneira, ele tempera a água na temperatura ideal, nem muito frio, nem muito quente), abrindo a porta para você entrar e sair, um mimo que para uns é frescura, mas para mim é sensacional&#8230;</p>
<p>Rating: <img class="alignnone size-full wp-image-551" src="http://www.comensais.com.br/wp-content/imagens/81.jpg" alt="81" width="86" height="19" /></p>
<p>Balthazar Restaurant<br />
80 Spring Street (entre Broadway e Crosby St., no SoHo)<br />
New York, NY<br />
(212) 965-1414<br />
<a href="http://www.balthazarny.com" target="_blank"> www.balthazarny.com</a></p>
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		<title>Foi apenas um susto</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 17:49:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Souza</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando li que a rede de hotéis Marina havia mudado de chef executivo, confesso, gelei. Nada pessoalmente contra o Felipe Bronze, mas, em tudo que ele bota a mão, faz questão de inovar e, muitas vezes, estraga.  
Por conta disso, passei alguns meses sem ir ao Bar D’Hôtel, um dos meus restaurantes favoritos. Até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando li que a rede de hotéis Marina havia mudado de <i>chef</i> executivo, confesso, gelei. Nada pessoalmente contra o Felipe Bronze, mas, em tudo que ele bota a mão, faz questão de inovar e, muitas vezes, estraga.  </p>
<p>Por conta disso, passei alguns meses sem ir ao Bar D’Hôtel, um dos meus restaurantes favoritos. Até que resolvemos arriscar um jantar por conta de uma comemoração de fim de ano.</p>
<p>Reservamos uma mesa perto da janela, com sofás e confortáveis poltronas.  Ainda bem, pois o lugar estava lotado na última semana do ano.</p>
<p>Para abrir os trabalhos, pedi um Nice (drinque de espumante com sorbet de limão) e fiquei na vontade. Não havia sorbet de limão.  Tentei uma opção mais simples, as caipisakês de lichia (afinal, está na época!), que estavam deliciosas (assim mesmo, no plural).  </p>
<p>Não tinha minha bebida favorita. Então, arrisquei pedir minha entrada favorita, e veio o susto: os pastéis de queijo emmenthal com manjericão, a melhor entrada da casa, havia sido retirada do cardápio.  </p>
<p>Quando já demonizava até a quinta geração do novo <i>chef, </i> o garçom me tranqüilizou – o risoto de camarão com castanhas de caju e chutney de banana resistia, e estava muito bom.  Dito isso, respirei fundo e passei à escolha das entradas.  Pedimos um mix de bruschettas que estavam gostosas e bem feitas.  Outra boa pedida foi o tartar de salmão, que vem com blinis, alcaparras e <i>sour cream</i>, e pode ser tranquilamente dividido.  Essas duas, para a alegria da mesa, haviam sobrevivido no cardápio.</p>
<p>Os pratos principais foram todos aprovadíssimos. O minipenne com aspargos, presunto de Parma e champignon; o filé mignon em crosta de ervas com risoni; e o haddock com purê de batatas e alcaparras fritas.  Meu risoto de camarão estava sensacional e foi o melhor prato da mesa.</p>
<p>De sobremesa, também foi um alívio verificar que o pão de ló aos três leites (pão de ló com finas fatias de banana e sorvete de doce de leite) continuava espetacular.  Isso porque o <i>fondue</i> de chocolate belga foi uma decepção – parecia uma calda de chocolate rala, e não combinava nada com os bolinhos de laranja e <i>financier</i> de amêndoas que acompanhava.  Outra boa pedida foi a torta mousse de chocolate, que eu não provei, mas foi devidamente devorada pelas minha prima chocólatra.</p>
<p>De surpresa boa, mesmo, o serviço. Além de simpático como sempre, estava especialmente atencioso e rápido.  Passado o susto, ponto para o <i>chef. </i></p>
<p><strong>Rating:</strong> 4 out of 5 stars<br />
<em>Bar D’Hôtel<br />
Hotel Marina All Suites - Av. Delfim Moreira, 696  - Leblon<br />
</em><a href="http://www.marinaallsuites.com.br">www.marinaallsuites.com.br</a> </p>
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		<title>O fenômeno dos chefinhos e a aventura natalina</title>
		<link>http://www.comensais.com.br/o-fenomeno-dos-chefinhos-e-o-desastre-natalino.htm</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 15:36:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcia Luz</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[O que mais tem hoje em dia é gente metida a chef. E onde há um metido a chef há uma pequena platéia disposta a paparicar o chefinho. Parêntesis: o “metido a chef” não é necessariamente aquela pessoa que comanda a cozinha de um restaurante, mas o fulano que fez um cursinho de culinária – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que mais tem hoje em dia é gente metida a chef. E onde há um metido a chef há uma pequena platéia disposta a paparicar o chefinho. Parêntesis: o “metido a chef” não é necessariamente aquela pessoa que comanda a cozinha de um restaurante, mas o fulano que fez um cursinho de culinária – geralmente com o nome de “gourmet-alguma-coisa” – ou o sicrano que vive se gabando de sua cozinha super equipada e de suas criações gastronômicas, etc.<br />
Você vai ao almoço de aniversário da tia-avó, e lá pelas tantas a cozinheira chama o metido a chef da família: “Albertinho, você que é chef, vem dar a sua opinião sobre o frango ensopado!” E lá vai o Albertinho todo coisa fazer a sua performance. Cheira o molho de olhos fechados, prova um pouquinho, revira os olhos de um lado para o outro como se estivesse acompanhando o vôo de um mosquito, solta um longo suspiro e dá o veredicto: falta um toque de tomilho. “A senhora tem tomilho fresco?” A tia traz o tomilho, ele joga quatro folhinhas na panela e pronto! O toque do chef! Durante o almoço, os comentários: “não é que o tomilho fez toda a diferença?” “O Albertinho, hein? Que talento!” “Vocês precisam ver o blanquette de veau que ele prepara. Uma iguaria!”<br />
Há algum tempo, num almoço de família, presenciei um memorável mico culinário protagonizado por um desses chefinhos. Ou melhor, chefinha. Era uma ocasião importante, não me lembro bem qual, almoço de páscoa ou aniversário de alguém, e tinha bastante gente, entre família e agregados eram umas trinta pessoas. A chefinha em questão era desconhecida da maioria: sogra do filho do dono-da-casa. Como o casalzinho era recém-casado, os anfitriões se esforçavam para acolher a família da noiva com a maior hospitalidade, e assim a cozinha foi colocada à disposição da mãe chefinha e o almoço foi divulgado como um grande acontecimento: “a dona fulana é que vai preparar as entradas, ela é chef!” A referida senhora era professora em um curso de culinária na sua cidade, e como foi possível constatar mais tarde, não atuava em nenhum restaurante.<br />
Conhecendo a minha família e seu apetite, bem como uma certa tendência ao caos nesse tipo de confraternização, fiquei aliviada quando soube que a chefinha iria preparar apenas as entradas. Eu explico: nos almoços da família, normalmente comandados por uma prima de talento excepcional no forno e fogão, geralmente são servidos grandes assados, fartos acompanhamentos, comida bem caseira e gloriosamente saborosa: pernil, frango recheado, maionese, empadões, pastéis. Tudo devorado avidamente pelos comensais entre goles de vinho e papos animadíssimos cujo volume vai aumentando à medida que a bebida faz efeito. Um detalhe importante: por uma misteriosa característica genética, todos os meus primos possuem um altíssimo nível de testosterona e costumam ser acometidos por um mau humor selvagem quando estão com fome.<br />
Voltando ao almoço. A dona chefinha seria responsável pelas entradas e a minha prima faria o prato principal, peru e chester recheado com farofa e maionese (ah! era almoço de Natal!).<br />
Primeiro fato insólito: a entrada, anunciada com toda pompa e circunstância, seria composta de ostras gratinadas sobre cama de mini-folhas verdes cobertas com lascas de parmesão e azeite trufado. Não consegui imaginar a turma “degustando” ostrinhas com folhinhas civilizadamente enquanto aguardava os javalis, ops, perus. Nem tampouco consegui fazer alguma conexão gastronômica entre os moluscos e as aves com farofa. Decidi ser menos rabugenta e fui beber com os familiares. O tempo passava, passava, e ninguém chamava para a mesa. Meus primos também resolveram ser tolerantes, e afogavam o seu ogro interior com goles e mais goles de vinho.<br />
Por volta das quatro da tarde, achei que devia investigar. Quando entrei na cozinha, deparei com a seguinte cena: a anfitriã aflita tentando oferecer ajuda à chefinha – uma vez que os pratos principais não só estavam prontos mas sob ameaça de ressecamento – e sendo repelida com um olhar de desprezo, como se mãos plebéias pudessem arruinar a sua criação. Ela organizava minuciosamente cada ostra gratinada sobre a caminha de folhinhas, em seguida deitando teatralmente fios de azeite sobre elas. Choque de horror: não havia mais que duas dúzias de ostras, porção suficiente para somente um primo e meio, que dirá para o mundaréu de gente bêbada e faminta que esperava (quase) pacientemente.<br />
E então o pior aconteceu.<br />
Um dos comensais adentra o recinto como quem não quer nada e&#8230; zás! Devora uma ostra. Ato contínuo, arrebata outra do pratinho e leva para oferecer a alguém. Sob o olhar horrorizado da chefinha, aparece outro convidado e repete o gesto, e outro, e&#8230; em poucos minutos as ostras desapareceram do mundo sem sequer terem saído da cozinha. Enquanto a chefinha permanecia paralisada, boca aberta e expressão homicida, minha prima previu o apocalipse que estava por vir e agiu o mais rápido possível. Enquanto ela corria para sala com os pratos principais, seguia-se uma cena digna de filmes de piranhas assassinas: mal a comida chegava na mesa, apareciam mão e talheres de todos os lados e tudo desaparecia em questão de segundos!!!<br />
Os mais controlados, ou mais bêbados, sei lá – entre eles, eu – praticamente almoçaram farofa com arroz.<br />
A chefinha nunca mais foi vista, nem naquele almoço, nem em nenhum outro.</p>
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		<title>Parece o Fasano, mas é muito melhor</title>
		<link>http://www.comensais.com.br/parece-o-fasano-mas-e-muito-melhor.htm</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 11:05:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Souza</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Confesso que não sou fã das casas do Fasano.  A comida, na maioria das vezes, até é boa, mas os preços são extorsivos e, para mim, não é uma boa relação custo-benefício.  Eis que li na imprensa que um grupo de garçons, maître, sommelier e cozinheiros tinha saído dos restaurantes Fasano e reaberto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Confesso que não sou fã das casas do Fasano.  A comida, na maioria das vezes, até é boa, mas os preços são extorsivos e, para mim, não é uma boa relação custo-benefício.  Eis que li na imprensa que um grupo de garçons, maître, sommelier e cozinheiros tinha saído dos restaurantes Fasano e reaberto o Quadrifoglio (vendido recentemente pela Silvana Bianchi).  As críticas eram elogiosas. Então, claro, eu e Marido, juntamente com nossos queridos amigos restaurateurs, nos mandamos para lá.</p>
<p>Era uma terça-feira e eu, ingenuamente, achei que estaria vazio.  Ledo engano.  Esperamos cerca de dez minutos e conseguimos a única mesa vaga da casa.</p>
<p>A decoração mudou pouco, mas para melhor.  Há um simpático bar na entrada e o salão se estende até a calçada.  Já o cardápio, quanta diferença!  Ainda que alguns pratos clássicos do Quadrifoglio tenham sido mantidos, as inovações eram muitas.  Algumas delas lembravam pratos do Gero ou do Fasano Al Mare, o que é inevitável.  O couvert, inclusive, é praticamente o mesmo – pães e grissinis, manteiga e a indefectível pasta de tomate seco.  Depois de muito papo e alguns drinques, fizemos os pedidos, que demoraram a chegar.  Talvez por isso o maître – extremamente atencioso e gentil – tenha nos servido, de cortesia, o polvo ao molho de tomate, com batatas e croutons.  Estava muito bem feito, mas polvo não é exatamente meu prato preferido.</p>
<p>Servidos os pratos, ficamos todos satisfeitos.  O ravióli de maçã com molho cremoso e sementes de papoula, ao que parece, continua divino, como nos tempos do Quadrifoglio original.  O ossobuco de vitela com risoto de açafrão e o galeto desossado foram aprovados.  A minha sopa – de aspargos com ova de salmão – ficou mais na promessa e menos no sabor.  A combinação, no fim, não ficou das melhores.  Mas no geral gostamos dos pratos e, principalmente, do serviço.</p>
<p>Chegou, então, a hora da sobremesa. Sabíamos que seria uma hora difícil, pois o chef pâtissier era saído do Fasano – e dos melhores.  Nossos amigos foram no profiteroles, que eles adoram.  Eu e Marido travamos uma discussão – na presença do garçom – entre petit gateau recheado de limão siciliano e a torta de limão.  Optamos pelo petit gateau.  Eis que, ao trazer as sobremesas, o maître, mais uma vez extremamente gentil, nos ofereceu a torta de limão como cortesia.  As sobremesas estavam todas deliciosas, mas o petit gateau, sozinho, já merece uma nova visita ao restaurante.</p>
<p>Ficamos satisfeitos de ver que o Quadrifoglio está muito bem cuidado e que, apesar dos preços salgados e de alguns pratos não tão maravilhosos assim, o atendimento simpático, educado e atencioso dá um show.</p>
<p><strong>Rating:</strong> 4 out of 5 stars</p>
<p><em>Quadrifoglio<br />
Rua J. J. Seabra, 19 – Jd. Botânico<br />
<a href="http://www.quadrifogliorestaurante.com.br">www.quadrifogliorestaurante.com.br</a> </em></p>
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		<title>De manteiga e livre-arbítrio</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 11:19:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Polzonoff Jr</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Ontem assisti ao ótimo Julie &#038; Julia. Desnecessário me deter no óbvio: Meryl Streep é um espetáculo à parte. O que me incomodou no filme foi uma passagem de não mais do que dez segundos, acho. Um diálogo telefônico que transformou o filme num momento de questionamento. Arte (popular ou não) tem destas coisas.
Para explicar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem assisti ao ótimo <em><a href="http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=21534">Julie &#038; Julia</a></em>. Desnecessário me deter no óbvio: Meryl Streep é um espetáculo à parte. O que me incomodou no filme foi uma passagem de não mais do que dez segundos, acho. Um diálogo telefônico que transformou o filme num momento de questionamento. Arte (popular ou não) tem destas coisas.</p>
<p>Para explicar a passagem, contudo, é preciso contar um pouquinho do filme. <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Julie_Powell">Julie Powell</a> resolve encontrar o sentido da vida seguindo o livro de receitas de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Julia_Child">Julia Child</a> (grosseiramente comparando, a Ofélia norte-americana). Ela registra sua experiência em um blog que faz um enorme sucesso. O filme conta esta história de autodescoberta e também procura paralelos entre a vida de Julie, a discípula, e Julia, a mestre.</p>
<p>E, agora, a passagem que me incomodou. Já para o fim do filme, Julie, depois de aparecer no New York Times, recebe o telefonema de um repórter que está escrevendo uma matéria sobre os 90 anos de Julia Child. Julie fica toda empolgada ao saber que sua musa inspiradora conhece o blog. Para, logo em seguida, ouvir que Julia Child a odeia – ou coisa que o valha.</p>
<p>Sabiamente, Nora Ephron, diretora e roteirista, não se detém muito nos porquês desta rejeição. Depois de uma crise rápida, Julie logo ignora a opinião da mestre – e segue em frente com a vida. Mas, repito, este trecho me incomodou. Muito. Eu queria entender esta rejeição. </p>
<p>Ainda mais porque, em certo momento do filme, Julia Child diz que queria escrever um livro <em>para mudar o mundo</em>. Ora, ela conseguiu. Mudou o mundo da culinária norte-americana e também o mundo de Julie Powell. Desejo cumprido, pois. Por que, então, teima em rejeitar aquilo que criou com aparente generosidade?</p>
<p>Impossível não recorrer, aqui, à ideia de que é próprio das pessoas quererem controlar aquilo que criaram direta ou indiretamente. Daí porque muitos são incapazes de compreender Deus. O livre-arbítrio é um conceito muito difícil. Julia Child quis criar um mundo no qual fosse possível às pessoas encontrarem a salvação na comida. Conseguiu. O que ela provavelmente não sabia é que queria mais: queria orientar como se daria esta salvação.</p>
<p>Terminado o filme, fiquei deitado, me perguntado por que é tão difícil aceitarmos a liberdade alheia – a mesma que queremos para nós? Mesmo entre as pessoas mais generosas é possível encontrar esta ânsia por controle. Julia Child queria escrever um livro que mudasse o mundo – mas à sua maneira. O quão&#8230; humano é isso!</p>
<p>Não é à toa que no Paraíso concebido pelos homens a Árvore do Conhecimento produz frutos deliciosíssimos e proibidos. Criar e oferecer a criação é humano; já o livre-arbítrio é divino.</p>
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		<title>Atum com fígado</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 02:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Polzonoff Jr</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Odeio quando vou ao médico e ele começa a fazer um monte de perguntas sobre as doenças que tive ou procedimentos médicos por que passei. Simplesmente porque nunca tive nenhuma doença séria. Nunca sequer fiquei internado. Nunca quebrei um osso. Não tenho doença crônica alguma. Resultado: fico com vergonha. E, confesso, me bate até uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Odeio quando vou ao médico e ele começa a fazer um monte de perguntas sobre as doenças que tive ou procedimentos médicos por que passei. Simplesmente porque nunca tive nenhuma doença séria. Nunca sequer fiquei internado. Nunca quebrei um osso. Não tenho doença crônica alguma. Resultado: fico com vergonha. E, confesso, me bate até uma vontadezinha de mentir e colocar um colesterol ou pressão alta no meio da frase, só para me sentir menos saudável.</p>
<p>O mesmo acontece quando uma empregada nova me pergunta o que gosto de comer. Implícita na pergunta está, na verdade, o que não gosto de comer. Compreensível. A moça quer agradar ao patrão. E é bem provável que ela já tenha trabalhado na casa de pessoas com sérias restrições alimentares. Sempre que isso acontece, fico procurando nos cantinhos da memória por algum ingrediente que não me desce. E vou logo botando a culpa toda no atum, coitado.</p>
<p>O fato é que não tenho restrições alimentares. Nem quanto ao atum. Para dizer a verdade, eu adoro atum. Não gosto é do cheiro do atum enlatado. Ou melhor, do atum enlatado comum, porque outro dia, na casa do meu amigo Flávio Bin, me fartei com deliciosas postas de um atum enlatado importado diretamente do Paraíso.</p>
<p>Quando criança, porém, eu envergonhadamente confesso que era um chato. Não gostava, por exemplo, de cebola. Até hoje não entendo por quê. Tive ainda uma fase de dizer que não gostava de tomate. Se bem que, aos dez anos, eu adorava comer tomate puro com sal – o que deve ter sido a causa de uma esofagite que me acometeu anos mais tarde. No mais – e como toda criança – não gostava muito de salada, mas daí a dizer que eu não comia salada de jeito nenhum é um absurdo. Simplesmente preferia um bom bife.</p>
<p>Ainda agora, escrevendo este texto, fico procurando por algo que não coma. Algo de que eu tenha nojo. Eu arriscaria dizer&#8230; fígado. Mas a verdade é que faz tanto tempo que não como fígado que não sei nem que gosto tem. Algo me diz, contudo, que quando penso em fígado confundo o sabor com moela.</p>
<p>Lembrei disso tudo também porque estava relendo <em>O homem que comeu de tudo</em>, de Jeffrey Steingarten – simplesmente um gênio dos textos sobre comida. Ao ser contratado para trabalhar como crítico gastronômico da Vogue, Steingarten pensou que não poderia ter restrição alimentar alguma, que isso seria antiético ou coisa que valha. Logo, fez uma lista de todas as coisas de que não gostava ou que achava não gostar e se pôs à prova. Resultado: descobriu que não há praticamente nada que um homem adulto e inteligente não seja capaz de comer.</p>
<p>Inclusive, diria eu, atum e fígado. Ou melhor, atum com fígado.</p>
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		<title>Moqueca com feijão, a salvação</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 13:34:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcia Luz</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Queridos e amados leitores: volto triunfalmente a escrever com freqüência no mínimo decente no Comensais! Uma série de furacões profissionais me tiraram de combate nos últimos meses, mas finalmente, veio a bonança!!!! Depois de longas semanas em regime de semi-escravidão, passei quatro gloriosos dia em Fernando de Noronha, e recomendo: a ilha apaga qualquer vestígio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Queridos e amados leitores: volto triunfalmente a escrever com freqüência no mínimo decente no Comensais! Uma série de furacões profissionais me tiraram de combate nos últimos meses, mas finalmente, veio a bonança!!!! Depois de longas semanas em regime de semi-escravidão, passei quatro gloriosos dia em Fernando de Noronha, e recomendo: a ilha apaga qualquer vestígio de estresse e cansaço.</h3>
<h3>Mas vamos ao que interessa nesse espaço: comida!!!!<br />
Antes de escrever esse texto, hesitei um tanto por conta do senso de ridículo que me acometeu. Afinal, quem seria tão imbecil a ponto de dar maior importância à comida de um lugar onde se pode mergulhar com tartarugas gigantes, observar bandos de golfinhos saltitantes e interagir com peixinhos coloridos em um deslumbrante aquário natural? Como ter pensamentos gourmets em um lugar onde o mar atinge todos os matizes de azul e verde e o sol brilha full time?</h3>
<h3>Eu não!<br />
Portanto, o que se segue são apenas constatações&#8230; com algumas pitadas de acidez. Afinal, por mais deslumbrante que seja o lugar, em algum momento a gente tem que se alimentar, né? E essa não é uma tarefa fácil em Noronha caso você não se inclua na faixa entre “muito rico” e “milionário”.<br />
Exemplos: lá, uma garrafa de água mineral 500 ml custa R$ 6, mate de copinho, R$ 5, picolé de limão, R$ 4,50, cerveja de latinha, R$ 4. Em qualquer biboca! Imagine uma refeição completa! Sem falar no fato de que o convívio diário com o mundo marinho estimula muito o predador que habita em nós.<br />
Assim, empreendemos uma nobre expedição em busca de boa comida a preços condizentes com nossa condição financeira. Somente no jantar, já que o almoço era obtido através do saque inescrupuloso ao bufê do café-da-manhã na pousada.<br />
O relato a seguir pode ser bastante útil a você, leitor, quando for se aventurar nesse paraíso.</h3>
<h3>NOITE 1 – TARTARUGÃO: o embuste!!!!!<br />
Cansados da viagem de dez horas de Curitiba a Noronha, fomos em busca de um lugar perto da pousada. O gerente nos indicou o Tartarugão, onde (segundo ele) poderíamos comer bem sem gastar muito, a dois quarteirões dali. A primeira impressão foi boa: lugar simples, varanda, jeito de restaurante-boteco. Pedimos a sugestão “da casa”, e o garçom nos recomendou o mix de peixes e frutos-do-mar feitos na brasa, cuja porção seria suficiente para três (eu, marido e filha). O prato era bonito: fartos pedaços de peixe, polvo e lula dourados e fumegantes e alguns camarões médios. Só posso dizer uma coisa: a comida realmente deu para três, pois estava tão salgada que não dava para distinguir o gosto de nada, e tivemos que beber litros de água/refri/cerveja para poder ingerir o suficiente para matar a fome. Tudo saiu pela módica quantia de 160 Reais, sede e mau humor incluídos.<br />
Conclusão: nada pode ser mais ridiculamente amador num restaurante do que salgar demais a comida.</h3>
<h3>NOITE 2 – ECOLOGIKUS, o infarto anunciado<br />
Eu odeio lugares que usam K onde devia ter C no nome. É pra ficar tipo assim meio estrangeiro? O K é mais charmoso que o C? Também abomino aqueles cujos nomes terminam em “us” – é pra parecer que o dono sabe latim?<br />
Por fome, cansaço ou dormência cerebral acabamos indo parar num local que mistura as duas gracinhas e atende por “Ecologikus”, olha que fofo. Bem feito. Mas não fomos lá à toa, o lugar foi recomendado por várias pessoas e é especializado em lagosta – tínhamos uma promessa lagostística a cumprir com nossa filha. Bem, a “especialidade” da casa consiste em mergulhar a lagosta na água fervente e servi-la com manteiga, arroz e saladinha básica. Por módicos 120 Reais. Que viraram 200 com entrada – um vinagrete de asfalto, ops, de coentro, ops, de polvo – mais bebidas. Maldade minha com o vinagrete, ninguém tem culpa de eu odiar coentro - na terra do coentro. O polvo estava no ponto certo. A lagosta estava ok (óbvio, a “receita” não tem erro, a menos que o cozinheiro cometesse a atrocidade de deixá-la passar do ponto, o que não ocorreu) mas saímos de lá mais pobres e ainda com fome.</h3>
<h3>NOITE 3 – A trégua<br />
Resolvemos fazer uma trégua e pedimos pizza no hotel. Medo de não sobreviver a mais uma tentativa de satisfazer nosso estômago.</h3>
<h3>NOITE 4 – Mais uma chance a um famosinho<br />
Achando que não havia como errar, e já sem esperanças de economizar, fomos ao famoso restaurante do Zé Maria, na pousada homônima igualmente famosa. Engoli minha aversão por lugares sofisticadinhos, charmosinhos e cheios de mauricinhos em nome de uma boa refeição. Nas paredes, muitos prêmios gastronômicos emoldurados, pratos da Boa Viagem, credenciais mil. Pedimos, novamente sob recomendação do garçom, o prato mais conhecido da casa: filés de Meca (ou espadarte, um parente do atum de carne branquíssima e sabor suave) com camarões flambados e purê de mandioquinha. De entrada, escolhemos um ceviche de frutos do mar com laranja e graviola e uma saladinha. Também pedimos um vinho, conformados com a falência iminente.<br />
O ceviche é um capítulo à parte, e traduz toda a minha repugnância ao surto de invencionice gastronômica que assola o mundo. Eu nunca tinha comido ceviche. Segundo meu marido, fã desse prato, trata-se basicamente de peixe marinado no limão e outros temperos, e é justamente o limão que “cozinha” o peixe e confere ao ceviche status de, digamos, ceviche. Aquele ceviche não era um ceviche, mas uma gororoba gosmenta disfarçada de prato chique. A laranja e a graviola não operam a mágica do limão, ou seja, tudo estava cru. Não tinha peixe, pois a gosma, ops, o ceviche, era de frutos do mar. Nobre leitor: você alguma vez já comeu lula crua? E camarão cru? Pois bem, lula crua é uma coisa, me faltam palavras, absolutamente impossível de mastigar. Imagine uma tira de borracha gelatinosa e escorregadia, envolta em um molho igualmente gelatinoso, doce e amargo (a felicíssima mistura da laranja com a graviola), mas também salgado e peixoso, que teima em não ceder à mais vigorosa pressão dos molares. Em nome da boa educação, acabei engolindo um pedaço inteiro (e grande, suprema crueldade do cozinheiro), meu aparelho digestivo esforçando-se para devolver aquele corpo estranho, concluindo a operação com a ajuda de vários goles de água&#8230; Nossa! Teimosamente, resolvi tentar um camarão. Piorou. O camarão cedeu fácil, explodindo lesmosamente na minha boca, novamente induzindo meu organismo a um ataque de rejeição. Eu merecia uma indenização!<br />
Mas não, ao invés disso, o garçom esqueceu nosso vinho!!!!!! PODE? Es-que-ceu o vinho, a última esperança de superar aquele pesadelo! Quando ele trouxe o prato principal, a Meca, observamos o deslize. O moço se desfez em desculpas e disse que imediatamente corrigiria a falha. Como eu não sei, já que terminamos de comer e nada de vinho nem de garçom. Suspendemos o pedido e pedimos a conta, ouvimos novas desculpas e ficou por isso. MAS&#8230; NEM A CONTA ELE TROUXE! Decidimos ir embora, pagamos direto no caixa – chiiiique – e nos empenhamos em ignorar o episódio.<br />
Ah, a Meca estava ótima, mas não conta. O mérito é do peixe, que só precisa de alguns minutos numa chapa quente para tornar-se um manjar dos deuses. E foi exatamente assim que ele foi preparado.</h3>
<h3>NOITE 5 - Redenção Tricolor<br />
Finalmente, nossa busca foi recompensada. Tricolor, Vila dos Três Paus. Anote esse nome. É o paraíso gastronômico. É simples, bonitinho, impecavelmente limpo, simpático. O preço é justo, os donos são bacanas mas sem salamaleques. E a comida&#8230;. snif&#8230;. é&#8230; chuif&#8230; comovente, celestial, aaah&#8230;<br />
As moquecas são as estrelas da casa – de peixe, polvo, camarão, lagosta, com um ou mais sabores, a combinar. Seu Jorge, o proprietário, explicou que haviam apenas duas postas de peixe (namorado) e que devíamos pedir dois sabores para não passar fome (a honestidade tocou meu coração, buáá&#8230;). Pedimos de peixe e polvo. Antes da moqueca, veio uma cumbuca de arroz e outra de feijão, e estranhamos&#8230; moqueca com feijão? “É que todo mundo pede o feijão da Edna, então resolvemos servir com todos os pratos”, esclarece Jorge, com ares de marido orgulhoso. Experimentei, e concluí que era a melhor entrada do mundo antes da moqueca. E que alguém que faz um feijão daqueles deve ter poderes mágicos.<br />
A moqueca? Não deu outra. Farta, cheirosa, generosa, com ingredientes tão frescos que podiam sair nadando pra fora do prato. A mistura de temperos e texturas era de tal forma harmoniosa que dava vontade de compor um soneto. O pirão, então&#8230; a essência do prazer cremoso estava escondida nele, revelando-se aos poucos, trazendo em cada bocada a sensação de que a felicidade existe. E tem gosto de moqueca da Edna.<br />
Fim.<br />
(não quero nublar esse momento falando da conta, mas certamente foi o lugar de melhor custo-benefício, em todos os sentidos)</h3>
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		<title>Frango com whisky</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 17:46:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Márcia Luz</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Queridos leitores: como não basta o fato de eu estar há séculos sem escrever novo texto, ainda terei a pouca vergonha de publicar aqui um texto que não é meu (e desconhecemos o autor), que foi enviado pela Mari. Mas é muito engraçado, não resistimos!
Lá vai&#8230;
FRANGO COM WHISKY
Ingredientes:
- 01 garrafa de bom whisky
- 01 frango [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Queridos leitores: como não basta o fato de eu estar há séculos sem escrever novo texto, ainda terei a pouca vergonha de publicar aqui um texto que não é meu (e desconhecemos o autor), que foi enviado pela Mari. Mas é muito engraçado, não resistimos!<br />
Lá vai&#8230;</p>
<p>FRANGO COM WHISKY<br />
Ingredientes:<br />
- 01 garrafa de bom whisky<br />
- 01 frango de aproximadamente 02 quilos<br />
- sal, pimenta e cheiro verde a gosto<br />
- 350 ml de azeite de oliva extra virgem<br />
- nozes moídas</p>
<p>Modo de preparar:</p>
<p>- pegue o frango<br />
- beba um copo de whisky<br />
- envolver o frango e temperá-lo com sal, pimenta e cheiro verde a gosto.<br />
- massageá-lo com azeite.<br />
- Pré-aquecer o forno por aproximadamente 10 minutos.<br />
- Sirva-se de uma boa dose (de whisky enquanto aguarda.<br />
- Use as nozes moídas como tira-gosto.<br />
- Colocar o frango em uma assadeira grande.<br />
- Sirva-se de mais uma dose de whisky.<br />
- Axustar o terbostato na marca 3, e debois de uns vinch binutos, botar para assassinar. - digu: assar a ave.<br />
- Derrubar uma dose de whisky debois de beia hora, formar abaertura egontrolar a assadura do frango.<br />
- Tentar zentar na gadeira, servir-se de uoooooooootra dose sarada de whisky.<br />
- Cozer(?), costurar(?), cozinhar, sei lá, voda-se o vrango.<br />
- Deixáááá o pato no vorno por umas 4 horas.<br />
- Tentar retirar o bicho do vorno. Num vai guemar a mão, garaio!<br />
- Mandar mais uma boa dose de whisky pra dentro&#8230; de você.<br />
- Tentar novamente tirar o sacana do vrango do vorno, porque na primeira teenndadiiiva dããão deeeeuuuuuu.<br />
- Begar o vrango que gaiu no jão e enjugar o filho da buta com o bano de jão e cologá-lo numa pandeja ou qualquer outra borra, bois avinal você nem gosssssssssta muito dessa bosta mesmo.</p>
<p>- Tá Bronto</p>
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		<title>Revisitado e aprovado!</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 20:06:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Souza</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Ano passado tinha escrito sobre o Bazzar e minhas impressões não foram das mais animadoras. Isso porque era um lugar que eu gostava mas, um belo dia, tudo deu errado – suco azedo, garçons desatentos, ambiente barulhento. Tanto assim que passei mais de um ano sem voltar e, confesso, nem senti falta.
Eis que o aniversário [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ano passado tinha escrito sobre o <a href="http://www.comensais.com.br/so-pode-ter-sido-azar.htm">Bazzar</a> e minhas impressões não foram das mais animadoras. Isso porque era um lugar que eu gostava mas, um belo dia, tudo deu errado – suco azedo, garçons desatentos, ambiente barulhento. Tanto assim que passei mais de um ano sem voltar e, confesso, nem senti falta.</p>
<p>Eis que o aniversário de duas grandes amigas foi comemorado com um jantar no lugar, e lá fui eu para mais uma tentativa. Dessa vez, ainda bem, muito prazerosa.</span></p>
<p>O restaurante continua o mesmo: decoração <em>clean </em>e bastante espaçoso. E as mesas também continuam as mesmas, não muito confortáveis, mas nada que atrapalhe o conjunto da obra.</p>
<p>Para nossa surpresa, estava praticamente lotado numa segunda-feira às 21h30. Um bom sinal.</p>
<p>Nos sentamos numa mesa perto da varanda e começamos pelo couvert, que não mudou (oba!): torradas de focaccia, pães, manteiga com ervas e azeitona, e azeites de alecrim e pimentão.</p>
<p>O cardápio tinha pequenas modificações desde minha última visita, mas nem prestei muita atenção porque descobrimos que, agora, além do cardápio tradicional, há o cardápio “varanda”. Neste último, há alguns dos pratos mais pedidos do cardápio tradicional, mas em porções menores (preços nem tanto&#8230;). A idéia – ótima - é que o cliente, ao invés de pedir um prato principal, possa provar mais de um prato, em mini porções. E foi exatamente o que fizemos. </p>
<p>Todos os pratos pedidos estavam excelentes, à exceção do meu “Risottinho de queijo Grana Padano com presunto cru crocante e folhas de mostarda”, que ficou mais na promessa e menos no sabor. Mas, tirando isso, os “Camarões com funghi sobre mini risoni” e o “Mini filet ao foie gras e vinho do Porto com batata palha de um só fio” estavam irreparáveis. </p>
<p>Outro que agradou foram os “Escalopes de cavaquinha sobre purezinho de aipim, alho-poró crocante e molho adocicado de amêndoas e avelã”. Era um pouco adocicado demais, mas para quem gosta&#8230;</p>
<p>Com o jantar todo de mini porções, sobrou espaço (na consciência, especialmente) para pedirmos sobremesas. Mas nada de mini.</p>
<p>Optamos pela tarte tatin com sorvete de canela, que continua das melhores – muita maçã e pouca massa. A outra foi o petit gateau de chocolate com calda de maracujá. Esta, apesar de ter uma apresentação interessante (vem numa xícara) é, na verdade, um suflê de chocolate. E a calda de maracujá tem sementes, então não curti muito. </p>
<p>No final, o serviço, que começou desatento, surpreendeu pela simpatia e rapidez, e as aniversariantes ainda receberam de presente um fondue de chocolate da marca Bazzar, o que foi bem simpático. Saímos de lá bem impressionadas e muito satisfeitas com a escolha do restaurante.</p>
<p><strong>Rating:</strong> 4 out of 5 stars<br />
<em>Bazzar<br />
Rua Barão da Torre, nº 538 - Ipanema<br />
<a href="http://www.bazzar.com.br">www.bazzar.com.br</a></em></p>
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