Jantando com Rodolfo Bottino
Por Mariana Souza | 26 de Setembro de 2008.Mudei de cabeleireiro. O novo fica em Ipanema, num prédio comercial/residencial na rua Maria Quitéria. Enquanto ele me atendia descobri que ali embaixo, exatamente no primeiro andar do prédio, funciona um restaurante. Não um restaurante tradicional. Na verdade, um “estúdio” do José Hugo Celidônio, onde são dadas aulas de culinária e servidos almoços todos os dias. Às terças-feiras, serve-se também jantar. E foi assim que, na primeira comemoração em família, fomos para lá.
Tudo é feito ao gosto do freguês. O lugar – uma sala, na verdade – só abre para jantar quando há reserva. E quem faz a reserva escolhe o menu.
O atendimento e a comida são feitos pelo Rodolfo Bottino. Para quem não se lembra, ator global que há anos está sumido das novelas e peças teatrais, dedicando-se somente à culinária. Ele cuida das reservas, comidas, bebidas.
Chegamos às 20h30, como combinado. Logo fomos recebidos pelo Bottino e sua assistente, Lulu. Muito simpáticos e atenciosos.
O lugar parece a casa deles. Tem uma cozinha grande, com um balcão com algumas banquetas. Logo ao lado uma pequena sala, com uma mesa de jantar que comporta 10 pessoas no máximo e um sofá. Nas paredes, prateleiras com livros de culinária, fotos, objetos de decoração. Ao fundo, MPB.
A mesa estava posta e, no centro, uma enorme peça de patê feito na casa, acompanhado de geléia de frutas vermelhas e pedacinhos de pão francês. Para os que preferissem, havia também um prato com azeite com ervas para molhar o pão. Tudo uma delícia.
Os pratos demoraram um pouco para sair, o que fez com que todos comessem muito pão com patê. Uma pena.
Primeiro, salada de lentilhas com laranja, salmão defumado e crisps de parma. Muito bem feita, e a combinação do parma com a laranja ficou muito boa.
Depois, o primeiro prato: massa com molho de cogumelos. A massa era bem fininha, e o molho estava cheio de cogumelos, mas o prato acabava que era muito pesado – muita massa e muito molho, tudo a base de muita manteiga. Além disso, completamente sem sal, então nem o queijo ralado deu muito jeito. Pena.
Veio então o segundo prato: confit de pato com couscous marroquino. Depois do pão com patê, lentilha e prato de massa, não conseguia comer mais nada. Os que provaram o pato amaram: muito bem feito e saboroso, de primeira. Eu, infelizmente, tive que passar.
De sobremesa, uma torta (um bolo, na verdade) com recheio de morango e cobertura de chocolate, que não estava nada demais. Tudo considerado, esperava uma sobremesa mais criativa e, principalmente, mais leve, considerando-se a quantidade de comida servida antes.
No fim, a conta – e algumas surpresas. Havíamos combinado um preço por pessoa, com tudo incluído. Acabou que as bebidas (não alcoólicas) foram cobradas por fora, até mesmo o cafezinho.
A impressão geral foi de que a idéia é boa e, com algumas alterações (especialmente no cardápio que, a meu ver, ficou desnecessariamente pesado, ainda mais para um jantar), pode funcionar muito bem em ocasiões especiais.
Agora, quem, pela descrição do lugar, logo pensou num encontro romântico ou numa reunião
de negócios mais reservada, esquece. O Rodolfo e sua assistente participam de todas as conversas. Dão palpites, fazem perguntas e, ao final, ele ainda abre uma cerveja e senta à mesa. Não que isso tenha nos incomodado. Pelo contrário, ele é bastante interessante e cheio de histórias engraçadas pra contar. Mas se a idéia é fugir dos restaurantes comuns e buscar um mínimo de privacidade, melhor procurar outro lugar.
Rating: 




Studio Celidônio
Rua Maria Quitéria, 121 / 101 - Ipanema, Rio de Janeiro
Tel. 2523-2151



Oiiii Mari
Não creio! Bolo também? As pessoas precisam saber que bolo não é sobremesa, é feito para comer à tarde com café. Humpf. Ameeei o texto. Menina, você está cada dia melhor como crítica, hein? Posso sugerir uma? Tem dois lugares que eu amo no Rio, o Le Coin (ataulfo de paiva), onde costumava pedir polvo ao vinho; e o Satyricon, em Ipanema. Você conhece algum deles? Será que ainda estão bons?
beijooos
Mari, só não entendi uma coisa: se quem faz a reserva é quem escolhe o menu, pq vcs escolheram essas opções tão pesadas? Eu adorei, para quem está acostumado em chegar na churrascaria e pedir 2 rodízios só para mim, acho que foi até pouco, ahahah….
O Rodolfo então abre uma cerveja, tira o sapato e fica largadão no sofá? Ahahha, fala sério…. Eu tinha que ir nesse lugar….
Bjs!!!
Ah, boa pergunta! Primeiro, não fui eu que escolhi, foi minha mãe, que é um pouco inexperiente nesse assunto, então foi mais pelas sugestões do Rodolfo…em segundo lugar, o combinado era que a massa acompanharia o pato. Mas, chegando lá, ele disse que tinha mudado de idéia, porque achava que não ia combinar, então fez 2 pratos separados…e haja comida! Beijos!
Obrigada, querida!!
Olha, o Le Coin eu gosto, mas tem muito tempo que não vou, só lembro dos pastéis. Já o Satyricon não é dos meus favoritos não…acho meio caro pro que é, gringo é que adora! Quando vc vem ao Rio para fazermos uma crítica a 4 mãos? Beijos.
Nossa, sabe que me deu a maior vontade de comer uma massa com cogumelos?! Como um bom glutão fiquei com água na boca, porém devo concordar que tudo muito “gordo”, pesado e até meio enjoativo (manteiga + pato… sei não).
Adoro te ler!
Bjo enorme!!!!
Mas logo essa, sem sal?? Sou mais a nossa saladinha do Cafeína
Beijos!
Mari, muito legal seu texto!!!
Acho que esse restaurante realmente não seria meu tipo. Além da falta de privacidade acho que comeria muito mais do que necessitaria e esta idéia não me agrada. Só se fosse uma comida MA-RA-VI-LHO-SA, que valesse super a pena.
Bjs.
Ah, Few, então realmente não compensa. A proposta é diferente, legal pra conhecer, mas a comida não chega a impressionar
Bjs.
O mundo conspira a favor mesmo, não é? Nunca ouvi falar, acho que não foi feito nenhum marketing desse lugar, mas você, logo você, nossa crítica imparcial, tinha que mudar de cabelereiro e ir parar no mesmo prédio???
que coisa…daqui a pouco os garçons vão começar a tremer quando vc entrar no restaurante e o chef vai olhar pela fresta da porta para ver suas reações ao dar a primeira garfada
Eu vou pelo cheiro! rs
Olha, os garçons nem precisam tremer, mas se retirarem todos os cabelos e equivalentes dos pratos já fico satisfeita