Mais desgraças na relação comida-saúde

Por Paulo Polzonoff Jr | 21 de Fevereiro de 2008.

Ao que tudo indica, finalmente deixaram o ufanismo de lado e se tocaram: o brasileiro come mal. Eu sempre aprendi o contrário, que nossa dieta de arroz-feijão-carne era maravilhosa e perfeita, em comparação com a dieta nojenta e maléfica daqueles malditos norte-americanos – sempre eles são os bandidos da história.

Eis que pesquisas revelam que o brasileiro come mal. Sério? Se não fosse a Folha de S. Paulo para dizer… Quarenta e três porcento das pessoas comem diante da televisão. Eu incluído. Outros tantos comem depressa demais. Eu incluído.

Parece que vou morrer. Ora, mas isso não está predito desde que eu nasci?

Ora, é claro que eu gostaria de comer mais devagar. E comer comidas melhores, com calma. Mas, para tanto, eu devia ter nascido rico. Ou então na primeira metade do século XX. Ah, aquilo que era vida…

O que as pessoas não querem enxergar é que uma mudança total de hábitos alimentares é simplesmente impossível a curto prazo. O pior é que todas estas pesquisas e estas palavras de especialistas acabam criando um problema adicional: ansiedade.

É preciso assumir o óbvio: vivemos tempos rápidos, ansiosos. Não gosto disso. Queria que a velocidade fosse diminuída. Mas isto não vai acontecer. Minha escolha, ultimamente, tem sido entre uma refeição saudável sempre que possível ou refeições mal-feitas o tempo todo – e que se dane. Simplesmente não existe, na minha vida, a possibilidade de se comer bem (e com calma) sempre.

E, por favor, parem de fazer com que eu me sinta culpado por isso.

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