Nigella - traga-me a noz vômica!

Por Paulo Polzonoff Jr | 21 de Março de 2008.

(Calma. Controlem seus ânimos. Sim, porque vou falar mal de Nigella Lawson. E eu sei que isso pode gerar ataques histéricos. Mas, lembrem-se: é apenas uma opinião que não pretende, de modo algum, mudar a opinião alheia. O nome disso é “compartilhamento dos contrários”).

Há algum tempo li na Folha de São Paulo um texto sobre “food porn”. Estou longe, bem longe mesmo, de ser um puritanto, mas ainda assim me senti enojado. A matéria (curta e entediante, vale dizer) falava da tendência à fetichização da comida. Isto é, a mistura entre sexo e comida, ou melhor, comida e símbolos sexuais. E citava a famigerada Nigella Lawson. Claro.

O que tenho contra a moça? A rigor, nada. Ela lá fazendo o trabalho dela e eu aqui, tentando fazer o meu. Mas por que então eu uso o adjetivo perverso quando me refiro a ela? Ora, apenas para realçar uma impressão: a de que Nigella é o produto mais absolutamente falso da mídia gastronômica.

Aqueles olhares que ela dá para a câmera quando está fazendo qualquer coisa. Aquele sorriso. Tudo aquilo, confesso, me dá asco. Porque está na cara que é tudo roteirizado. Há quem diga – ingenuidade ou ignorância? – que Nigella é uma “mulher que come com gosto” e que isto é o que faz dela uma atração interessante e sexy. Ora, eu não me surpreenderia se, uma dia, descobrissem que Nigella, apesar ou justamente por causa dos seus quilos a mais, é bulímica.

Sexo e comida. A mistura é antiga. Impossível não citar, neste momento, as imagens dos banquetes romanos, regados a noz vômica. O que vejo na idéia contemporânea da tal “food porn”, porém, é abjeto: a relação entre o tamanho do seu estômago e o prazer sexual. Se eu fosse um destes paranóicos que adoram uma teoria da conspiração, diria que Nigella & Cia. são criações da indústria do milho, interessada na produção do também famigerado xarope de milho. É a tal coisa: quando mais se pode comer e, assim, pensar que se está atingindo um clímax que se aparenta com o sexual, mas bolachas Oreo se vende.

Mas vale deixar claro, neste momento: não acredito em teorias da conspiração, por mais que elas façam sentido.

Meu problema com Nigella é simplesmente estético. E não tem a ver com o tamanho da moça, embora eu de fato prefira as mulheres pequenas. Tem a ver, isto sim, com a interpretação de filme pornográfico de quinta categoria: aqueles olhos revirados, aquele sorriso falso, aquela voz meticulosamente criada para soar excitante. Sem delongas: arght!

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