O Mito de Santa Teresa
por Mariana Souza
Há anos tinha vontade de conhecer o Chez Marcianita, em Santa Teresa. Anos mesmo. Começou quando li pela primeira vez sobre o lugar, no guia da Danuzia Bárbara. A descrição não poderia ser mais convidativa: uma psicóloga que, uma vez por mês, abre sua casa em Santa Teresa para receber amigos (e alguns poucos clientes) para jantar. Programa diferente e exclusivo. Adorei, claro.
O tempo passou e eu fui adiando o projeto, até que a chegada de uma data especial me fez buscar um lugar diferente para a comemoração. Lembrei do Chez Marcianita.
O esquema para reserva é bem peculiar. O lugar funciona uma vez por mês, mas não se sabe ao certo quando. É necessário enviar um email à própria Márcia, que informa quando cozinhará da próxima vez e qual será o cardápio. O interessado então, de posse dessas informações, resolve se vai ou não fazer a reserva.
Logo na primeira tentativa dei sorte. Havia lugar vago e o menu parecia promissor. Garanti meu lugar.
Era uma sexta-feira, e as reservas são todas para o perÃodo entre 21h e 22h. Para chegar e sair do lugar, apenas táxi. E isso por dois motivos. Primeiro que ninguém quer se embrenhar por Santa Teresa, à noite, de carro – e a casa fica lááá no alto de uma daquelas ladeiras intermináveis. Em segundo lugar, não há onde estacionar. Simples assim. Além disso, são grandes as chances de alguém se perder para chegar ou sair de lá. O táxi que chamei precisou consultar outros três colegas para conseguir achar o endereço.
Passada a aventura da ida, chegamos à casa. De fora, nem se percebe o movimento. É daquelas casas enormes de Santa Teresa, que se entra por um pequeno portão mas tem 2 ou 3 andares para baixo. Entramos, descemos a escadaria, e fomos recebidos pela simpática Márcia, que de dentro da cozinha recepciona todos enquanto cuida dos pratos juntamente com uma ajudante.
Um garçom nos levou até a nossa mesa, do lado de dentro da casa. O lugar é um charme. Discreto, bonito e romântico. Há no total 32 lugares divididos entre mesas para casais ou grandes grupos, algumas na parte de dentro da casa e outras no jardim. Todas enfeitadas com velas e pétalas de rosas.
A carta de vinhos trazia rótulos conhecidos a preços bem justos. Escolhemos as bebidas e começou o serviço do jantar.
Primeiro a entrada: bolinhos de risoto com mussarela e chutney de pimentão. Os bolinhos estavam frios por dentro, o que deixava o queijo duro. E chutney de pimentão, a meu ver, é por demais indigesto. Não gostei.
Como primeiro prato foi servida polenta com tapenade e shiitake. A idéia era boa, mas a execução, desastrosa. O tapenade vinha misturado na massa da polenta. Por cima, shiitake salteado e, ainda, molho de ervas. Eram tantos sabores e aromas misturados que o prato ficou extremamente enjoativo. Não dava para comer nem a metade.
Chegou o prato principal: camarões VG com pêras e queijo brie, sobre purê de batata baroa. Mais uma vez, sabores demais num mesmo prato. Apesar de serem gostosos individualmente, descobri que camarões, pêras, queijo brie e batata baroa não combinam entre si. Ainda mais cobertos pelo bendito molho de ervas. Também não consegui terminar o prato.
Enquanto aguardávamos a sobremesa, resolvi dar uma volta pela casa. Havia vários quadros espalhados com reportagens sobre o lugar. Notei que todas elas chegavam à mesma conclusão: o programa era divertido e inédito, mas a comida deixava muito a desejar.
Finalmente, a sobremesa me surpreendeu positivamente. Empadinhas de doce de leite com nozes, e sorvete de banana caramelada. Uma delÃcia. Pedimos para repetir mas descobrimos que é feita a quantidade certa para cada noite. As empadinhas tinham acabado.
No fim, enfrentamos uma dificuldade imprevista para conseguir um táxi. Os pontos que ficam na redondeza estavam vazios, então tive que chamar um do Centro. Além de haver demorado para chegar por conta da distância, o motorista ainda se perdeu no caminho até lá.
Enquanto esperávamos o táxi, juntamente com outros clientes, nos servimos do café que fica numa simpática mesinha no jardim, e que, em vez de colheres, é mexido com paus de canela. Também conversamos com a Márcia que, finalizado o jantar, vai às mesas conversar e colher as impressões.
Terminado o programa, ficou a satisfação de, finalmente, ter conhecido o Chez Marcianita, e ter jantado num lugar diferente na sexta-feira à noite. Já posso dizer que fui, experimentei e não gostei.
Rating: 




Chez Marcianita
marciaguimaraes@terra.com.br
Santa Teresa, Rio de Janeiro
Comments
Mariana,
Nossa 2 estrelas para essa confusão de sabores. Vc foi muito generosa, nada que vc escreveu me atraiu até lá!
Bjs
A
Lembrei de como vc queria conhecer esse lugar, nossa! Fico com pena, logo agora que está esperando meu sobrinho, note, disse meu sobrinho, não seu filho, vc tem uma decepção dessas. Mas tudo bem! Só senti falta do marido nessa crÃtica. Onde ele estava?
Beijos e parabéns por mais uma excelente crÃtica.
No começo do texto eu já tava começando a ficar empolgadona pra ir até lá fazer um programinha diferente, mas depois do que você falou dos pratos… acho que não vale a pena ir até lá só por causa da sobremesa rsrsrsrs apesar de eu acho Santa tudo de bom!
“apesar de eu achar”
O ineditismo do programa e o ambiente levaram as 2 estrelas
bjs
Sua sobrinha não gostou nada da comida!! rs
MUB! beijos
Querida, não se preocupe. Estou querendo conhecer mais coisa em santa, aà vamos falando e você escolhe algo melhor! beijos.
Oiii Mari
MUITO BOA a sua crÃtica. Você é uma desbravadora, admiro a sua coragem de ir, ver e contar. Com toda a sinceridade. Valeu, queri.
beijo
Oi querida, pena foi a decepção. Mas tenho que estar sempre provando novas coisas, né! Ossos do ofÃcio! Se não meu chefe Paulo briga comigo. rs. bjs!