O Original Beto Batata

Por Simone Mattos | 7 de Fevereiro de 2008.

Pouca gente o conhece por Robert Amorim. O nome de seu restaurante se tornou um apelido pessoal, tornando indivisíveis criador e criatura. Beto Batata é atualmente, em Curitiba, a melhor tradução de boa gastronomia aliada a eventos culturais de alto nível, como lançamentos de livros, festivais de choro e exposições de fotos. Acaba de abrir filiais também em São Paulo e Na Ilha do Mel.

Gaúcho, criado no Rio de Janeiro e cidadão honorário de Curitiba, Beto Batata tem 49 anos de idade e 36 de gastronomia. Sua marca registrada foi criada por ele na década de 80, quando trabalhava num restaurante no litoral do Rio de Janeiro e teve a idéia de transformar a Batata Rostie em prato principal, variando seus recheios. Naquele momento eu sabia que tinha ganhado na loteria , conta.

Logo em seguida, a novidade foi trazida a Curitiba e implantada por ele em bares e restaurantes da época como Caffé Giuseppe, Snooker Bar 21 e Jordans.

Hoje, Beto cuida de perto e com muito carinho de seu próprio restaurante, no Alto da XV, em Curitiba, e das filiais. Pai de Maurício, 22 anos, e Mariana, 18 anos, vê com orgulho seus filhos também começarem a trilhar pelos caminhos da gastronomia.

Acompanhe alguns trechos de um bate-papo com o Beto:

O que você quer ter em abundância?
Beto Batata Alegria.

O que abre o seu apetite?
Aromas.

Qual o seu prato preferido?
Arroz com feijão, ovos, costeletinha defumada e farinha, que a minha mãe faz.

Qual o melhor som?
Choro. É um gênero musical que já faz parte do patrimônio imaterial da humanidade.

O que dá desgosto?
Num planeta tão fértil, a miséria.

O que não pode faltar numa mesa?
Flores.

Um lugar no mundo…
Búzios RJ.

Um bom conselho que recebeu…
Na minha infância, meu pai sempre dizia que devíamos ir a Suiça para ver como lá as pessoas compram o jornal do dia sozinhas, deixando o dinheiro numa caixa, e ninguém rouba ou deixa de pagar. Para ele, esta era uma forma de falar sobre caráter e honestidade. Nunca me esqueci.

O seu livro de cabeceira
O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse.

Qual o melhor presente que já recebeu?
Uma carta escrita à mão, que chegou pelo Correio dia desses… Uma senhora dizia que sempre que passava em frente ao restaurante, esticava o pescoço para conseguir ler (e anotar) as frases que colocamos diariamente no painel de entrada. Ela mandou junto com a carta uma lista das mensagens que haviam sido mais importantes para ela, como por exemplo: A vida tem a cor que você pinta…

Um sonho…
Que as escolas não tivessem muros.

Uma palavra que não gosta…
Guerra.

A melhor lição que já aprendeu…
Quando eu tinha 20 anos, no Rio de Janeiro, falei para uma amiga, a chefe de cozinha Gardênia Garcia, que eu queria muito entrar no Copacabana Palace. Ela imediatamente me levou até lá para tomar café e me ensinou que não há o que não possamos fazer. Aprendi neste dia que todas as pessoas têm o direito a praticar a vida.

Se você não tivesse a sua profissão, o que gostaria de ser?
Flautista.

O que mais gostaria de ouvir de Deus quando chegar ao céu?
Eu já vivo no céu… Acredito que o céu esteja dentro de cada um de nós…

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