Padaria Depressão
Por Paulo Polzonoff Jr | 3 de Julho de 2008.Eu adoro tomar café-da-manhã fora de casa no fim de semana. É um costume que adquiri no Rio de Janeiro. Quando morava no Leblon, ia sempre ao Café Severino, que fica dentro da Livraria Argumento. Às vezes ia ao Garcia & Rodriguez e ao Cafeína. Quando morei fora do Brasil, fiquei um ano sem tomar café na rua, simplesmente porque o que eles chamam de café por lá para mim é chafé.
Eis que me mudei para São Paulo. E uma das alegrias da cidade, para mim, é o café-da-manhã em padarias (que em Curitiba, onde nasci, atendem mais pelo nome de panificadora). Em visitas anteriores à cidade, eu fiquei deslumbrado com o café-da-manhã simples, de ar familiar, que se tomava por aqui. Mas então.
Nas primeiras semanas, saímos, eu e minha digníssima senhôura, para procurar aquela que seria a nossa panificadora (padaria). Ou, como eu dizia na época, o novo Café Severino das nossas vidas. A palavra para descrever esta fase exploratória é uma só: decepção. E olha que eu já havia feito várias concessões. A começar pelo café-café que, aparentemente, não existe mais; agora todas as panificadoras de São Paulo (do mundo?) servem o fatídico espresso.
Até que encontramos um lugar acolhedor, perto de casa. Mesas na varanda, variedade e um cardápio algo exagerado (o que é bom), que nos trazia lembranças dos dinners de Nova York. A padaria em questão é a Bagueterie Toulose.
Mas um estranho fenômeno começou a acontecer aos sábados e domingos, sempre depois que tomávamos café-da-manhã lá: entrávamos em depressão profunda. Ai, que vontade que me dava de cortar os pulsos. Quando percebi que havia algo de estranho, me perguntei se era influência do nome francês. Sabe como é, existencialismo e tal… Ou será que eles estavam colocando alguma coisa no café? Nunca se sabe…
Nem uma coisa nem outra. O problema era o atendimento. E ainda deve ser, não sei, porque há meses não vamos à panificadora e, por conseqüência, não ficamos deprimidos. Na Padaria Depressão, o café é bom (apesar de espresso), o suco é ótimo, o pão é delicioso, etc. O problema são as garçonetes. Elas o atendem como se estivessem no corredor da morte. A mesa que você, cliente, ocupa é o patíbulo onde serão, em breve, enforcadas. Dá uma pena danada de pedir qualquer coisa. Ou, por outra, dá vontade de pedir milhões de desculpas por ter vontade de tomar um café-com-leite, suco e pães. Me perdoe por existir, sim?
Não dá. Abandonamos, claro, a Padaria Depressão. E continuamos nossa peregrinação. Já faz um ano… Nossa aventura teve momentos hilariantes. Certa vez, por exemplo, pagamos um preço absurdo por um café-da-manhã de beira de estrada em uma panificadora nos Jardins. Um lixo. E outros sábados e domingos foram marcados pelo gosto de café queimado das máquinas de espresso mal usadas, pelo pão ruim, pela manteiga sem sal, etc.
Resultado: o melhor café-da-manhã continua sendo o da nossa casa, às vezes com pão feito em casa, sem depressão ou borra de café no fundo da xícara.
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(uma estrelinha a mais, se não as garçonetes se matam…)
Bagueterie Toulose
Rua Gabriele D’Annunzio, 1241
Tel: 5531-0572
Ah, sim: aceitamos sugestões, no entorno do Campo Belo.



Bom dia Paulo
Leio o blog mas ainda não tinha contribuído. Bom, não sou de SP, moro aqui a pouco mais de 3 anos e quando acho que algo vale a pena não me importo que seja um pouco longe. Em Moema recomendo o café da manhã de um lugar chamado Pain et Chocolat, fica na rua Canário 1301, é servido até as 2 da tarde em fins de semana e feriados, na minha opinião o melhor até agora. Aqui pelos Jardins acho que algo honesto é a padaria do Benjamim Abrahao na esquina da José Maria Lisboa com Padre João Manoel, nada diferenciado, mas ao menos se vc pode o café sem o maldito expresso é atendido.
Abraço
Oi, Paulo,
quando morava em São Paulo eu ia na Dona Deola (www.donadeola.com.br) da Pompéia. Tem outros três endereços na cidade, mas nenhum aí para o seu lado. Eu adorava o café da manhã de lá, mas já faz quase seis anos que me mudei, então não sei como está agora.