Margaux
by Evandro Barreto
“Ein restaurant von Michael Hoffmann”
La Blonde conheceu Berlim no tempo do muro e nunca mais voltou lá. Eu tinha muita vontade de sentir a pulsação da cidade que se tornou a mais dinâmica da Europa depois da reunificação alemã. Por isso, decidimos começar nossa viagem por ali. Deliberadamente escolhemos ficar na ex-Berlim Oriental, congelada no tempo desde o fim da Segunda Guerra Mundial e que foi quase totalmente reconstruída nos últimos vinte anos.
O próprio hotel em que nos hospedamos é um bestseller em nova edição. Explicando melhor, o atual Westin Grand ocupa o espaço do antigo Grand Hotel, cenário de um romance de sucesso entre as duas guerras. Além da localização estratégica, o Westin tem um lobby espetacular, com uma escadaria que parece resgatada do Titanic e imensa clarabóia-vitral.
Sintonizados com o espírito geral de renovação, passamos ao largo do eisbein e do salsichão e reservamos mesa no “Margaux”, do badalado Michael Hoffmann, que se apresenta como chef de cuisine e jardineiro. Justifica-se com a alegação de que cultiva no próprio quintal grande parte dos legumes servidos ao freguês.
A casa é requintada, a clientela também e o “menu degustation” nos trouxe à mesa uma seqüência de pratos que mais pareciam saídos de uma galeria do que da cozinha. Arabescos de molho espesso, minúsculas pirâmides de frutos do mar, folhinhas e raminhos que qualquer saúva brasileira carregaria sem esforço dispostos com engenho e arte. Diagramação perfeita que deixa espaço para potinhos e cumbuquinhas com cremes, caldos e emulsões de DNA secreto. Se houvesse música ambiente seria de Phillip Glass. A carta de vinhos é impecável, os copos e garrafas de dimensões prosaicas.
Comemos bem, é óbvio. Mas um tanto perturbados, como se estivéssemos num festival de cinema que só exibisse “traillers”.
Para uma visão mais abrangente dos talentos de Herr Hoffmann, convido os comensais a um passeio pelo site :
Na saída, o vento frio da Unter den Linden trouxe consigo uma reflexão. Desconfio que o churrasco é gótico, a feijoada é barroca e a “Cuisine Avantgard Classique” do chef-jardineiro bate na trave do rococó.






