Pero que sÃ, pero que no
por Mariana Souza
Há muitos anos não me conformava de não haver oferta de restaurantes e bares espanhóis no Rio de Janeiro. Para mim, a culinária e o estilo espanhol tinham tudo a ver com o carioca – cerveja, drinques refrescantes, comidinhas e pratos leves. Por isso não entendia como ninguém pensava nisso.
Até que, de uma só tacada, fomos brindados com dois exemplares na cidade. Eu, claro, fui conferir.
A primeira incursão foi no Eñe. Restaurante de dois irmãos espanhóis, já existente há alguns anos em São Paulo. As crÃticas elogiosas – e, claro, o fato de o lugar fazer sucesso em São Paulo, onde há tanta concorrência e lugares de altÃssima qualidade – me levaram até lá.
O restaurante funciona dentro do Hotel Intercontinental, em São Conrado, numa área onde antes existia uma piscina (creio eu). Mas a entrada é pela lateral do hotel, sem que se precise entrar no prédio (e tampouco se utiliza seu estacionamento, mas há manobrista no local).
A decoração é um must. Paredes de vidro, móveis de madeira e uma viga cheia de flores vermelhas, do chão ao teto, no melhor estilo Almodóvar.
Havia feito uma reserva e a mesa estava especial – num canto, de frente para o mar. Logo na entrada encontramos pessoas conhecidas e alguns famosos. Apesar do nosso pequeno atraso, nossa mesa estava guardada pela doce hostess Camila, e já havia fila na porta.
Mal sentamos e começou a disputa pela atenção do garçom. Finalmente conseguimos os cardápios, pedimos um espumante (excelente) e chegou o couvert – pão, azeite, flor de sal, linguiça frita e batatas cozidas. Sem graça e, confesso, até um pouco difÃcil de entender na concepção.
Passamos aos pratos. Alguns do grupo se interessaram pelo menu degustação. Como, para que um pedisse, todos terÃamos que pedir, optamos por experimentar, até porque os pratos pareciam gostosos e bem variados.
Primeiro vêm as tapas – pimentão recheado com mousse de bacalhau e as famosas patatas bravas. Como não gosto de pimentão, pedi para trocar o meu por um gazpacho, que estava delicioso, picante no ponto. As patatas bravas (batatas cobertas por um molho picante) estavam deliciosas e, pasmem, foi o melhor prato da noite.
Servidas as duas tapas, chegaram os pratos principais. Paella de fideos com frutos do mar – macarrão cabelo de anjo que substitui o arroz. Apesar de saborosa, os frutos do mar passaram longe. Cada um encontrou em seu prato, no máximo, meio camarão.
O quarto prato era vitela com batatas gratinadas. Para variar, as batatas estavam melhores que a carne. De sobremesa, crema catalana. Sobremesa leve, que parece uma mousse de creme, salpicada de açúcar mascavo queimado. Eu até gostei, mas não houve muita aceitação pelo restante do grupo.
O Eñe, então, ficou mais no imaginário popular e menos na prática. Serviço extremamente desatento, pratos muito pequenos e execução, na maior parte deles, longe do que se previa. A única coisa que atendeu nossas expectativas foi o preço – salgado, como esperado.
Passada essa experiência, levei alguns meses até me animar a conhecer o outro exemplar da comida espanhola da cidade, o Venga. Até porque, pelo que ouvia, o lugar era muito pequeno e enchia logo cedo. Então um dia me animei e fomos cedo, direto do trabalho.
De fato o bar é bem pequeno, ocupando uma loja na Rua Dias Ferreira. Conseguimos uma mesa para 5, na calçada. O atendimento, do inÃcio ao fim (e olha que o fim foi tarde) foi extremamente atencioso e gentil.
Como éramos um grupo animado, resolvemos experimentar todas as sangrias da casa – na verdade, duas ou três vezes cada uma. Os sabores foram todos aprovados, com destaque para a sangria de espumante com morango e a água de valência (espumante, suco de laranja e cointreau).
A comida, no entanto, deixou a desejar. O croquete de presunto serrano e queijo tinha pedaços grosseiros do presunto, inclusive com gordura. As patatas bravas também eram bem insossas. O que se salvou mesmo foi o churros com chocolate quente. Sobremesa bem tÃpica, os churros vêm à mesa fininhos e crocantes, acompanhados de chocolate quente espesso, uma delÃcia.
Portanto, no Venga, o negócio é chegar cedo, beber bastante, e depois parar para fazer uma boquinha em algum lugar…
Eñe
Av. Prefeito Mendes de Morais, 222 – São Conrado
www.enerestaurante.com.br
Venga
Rua Dias Ferreira, nº 113-B – Leblon
www.venga.com.br
Comments
Nem acredito que você teve coragem de comer cabelo de anjo…com o seu histórico, não comeria nada com cabelo no nome. Mas veja pelo lado positivo: você pode até não ter amado os espanhóis, mas acho que foi a primeira vez que não encontrou um cabelo, espinha, osso ou objeto não identificado na comida!
“grupo animado” eh pouco… animadissimo! Eu sou suspeita pra falar do Venga!: adoro! As sangrias talvez sejam mesmo melhores do que os pratos, mas nao sao sou tao exigente assim… E os mexilhores sao otimos!!!
Nunca consegui comer no Venga, está sempre cheio, mas a sangria de lá é divina. Bebi um pouco por lá e depois saà pra comer…
Quando voce vir pra ca, vou levar voce no Pipa e no Boqueria pra compensar!! Acho que ja experimentei todo os da cidade e estes sao sensacionais! Pena que ainda nao acertaram a mao ai no Rio…
Paula – de fato não encontrei nada. Nem os camarões da paella! rs
Dani e Bruna – podem acreditar, a comida é melhor que a bebida. Melhor encher a cara de sangria mesmo.
Flavis – vou cobrar! E também quero voltar naquele mexicano maravilhoso!
Mari, a dica da Flávia é boa: fui algumas vezes no Pipa e é muuuito bom
Dani, o grupo era silencioso, amigável e bebia pouco! Mari, muitos pontos para a atenção e bom humor dos garçons no Venga!! Vamos marcar outra ida?
Pedrinho – já tô com desejo desse Pipa!!
Vivi – sangria, pra mim, é só marcar. Estou devendo a minha pra você (que, modéstia a parte, é muuuito boa…) bjs