Sandubas Ogros
Por Márcia Luz | 15 de Agosto de 2008.Emocionada com a volta do Billy, depois de anos fechado, resolvi fazer uma humilde ode à maravilhosa arte de preparar sanduíches ogros. Breve explicação: apesar de parecer óbvio, sanduíches ogros são aquelas montanhas suculentas de pão recheado com ingredientes nada light, com alto potencial lambuzante e que exigem grande elasticidade mandibular para serem mordidos. Aliás, sanduíche pra mim tem que ser ogro. Se é para ficar deprimida diante de um wrap ou coisa que o valha prefiro comer só uma salada.
Breve explicação 2, para quem não é curitibano com mais de 30 anos: o Billy dominava a cena sandubística dos anos 80, e era parada obrigatória depois da balada. Aberto até altas horas da madrugada, era território neutro onde todas as tribos se encontravam para repor as energias. O campeão de pedidos era o mu-mu chorão: um suculento hambúrguer feito na casa, queijo, ovo, presunto, salada, e o toque principal: muita, mas muita cebola frita. Peso do quitute: meio quilo. A lambança era impressionante.
E continua sendo: quando soube que o Billy reabriu, fui correndo iniciar minha filha no aprendizado ogro-gastronômico. Só o endereço mudou, o resto está i-gual-zi-nho, do ambiente amarelo-canário ao cardápio. Os sanduíches são fielmente executados segundo as receitas originais, criadas pela mãe da proprietária, Ângela Garmatter. Os nomes eram uma manifestação de revolta ao imperialismo americano, e continuam os mesmos: piu-piu (de frango), glu-glu (peru) e o maravilhoso macaquito: pão com banana frita, queijo, goiabada e canela.
Na batalha pela medalha de ouro em ogrice, é difícil superar um lugar que atende pelo singelo nome de Lanchonete Montesquieu, porém é mais conhecido como montanha. Isso se deve ao carro-chefe da casa, uma criação do simpático proprietário, Hiroyuki Ota, ou simplesmente seu Zé. Trata-se do x-Montanha, uma espetacular combinação de colesteróis: o recheio do pão leva bolinho de carne, pastel, maionese, salada, presunto e queijo. Que delírios levaram seu Zé a cometer tal ousadia? Detalhe: o pastel não é aquele de massa fininha, mas do tipo risoles. Por mais estranho que pareça, o sanduba faz o maior sucesso, e a pequena lanchonete vive lotada de jovens atrás da iguaria. Seu Zé diverte-se com os leigos, que insistem em afirmar que pediram um sanduíche quando ele pergunta qual o recheio do pastel – pode ser de carne, palmito ou queijo. Mas nunca ninguém desistiu do pedido quando soube que o pastel fazia parte do recheio.
Outro local que inova no recheio e capricha no tamanho do sanduíche é o bar Hora Extra, do qual sou fã de uma outra ogrice: a língua recheada. Mas isso fica pra outro texto. O bar serve vários tipos de sanduba, e todos vêm em dois pães franceses, mas o líder no ranking da clientela é o de filé a parmegiana, um suculento filé mignon rodeado de molho e queijo por todos os lados, e que mal se contém dentro do pão.
No território dos hambúrgueres, há opções mais sofisticadas, não menos fartas e saborosas. O bar Mustang Sally, que reproduz o clima das lanchonetes americanas dos anos 50, com direito a trilha sonora de Elvis e Beatles, é famoso pelos hambúrgueres. Há desde opções clássicas – cheeseburguer – até criações mais ousadas, mas nenhuma fere o direito à ogrice. O mais popular é o Route 66, com hambúrguer de picanha, queijo derretido, maionese, alface e tomate, no pão com gergelim; acompanhado de fritas. Slurp.
Há ainda uma nova tendência que cresce na cidade: o hambúrguer gourmet. Pode parecer metido a besta, e certamente é, mas no caso do Madero vale a pena deixar de lado qualquer ideologia. O hambúrguer de lá é caro, mas atende pelo nome de sensacional. Por isso, pode desembolsar sem culpa uma salgada quantia de dindim por um sanduíche que fará tocar as trombetas angelicais. São 250 gramas de carne nobre grelhada em lenha pré-queimada – o que não deixa o hambúrguer com cheiro de queimado – dentro de um pão redondo, feito com massa de pão francês. Só. Mas basta.
Madero – Rua Jaime Reis, 262/ São Francisco. Tel: (41)3013-2300
Hora Extra - Rua Holanda, 193/ Bacacheri. Tel: (41) 3356-5112
Mustang Sally – Rua Coronel Dulcídio, 517/ Batel; Tel: (41) 3018-8118
Billy – Rua Bispo Dom José, 2655/ Batel. Tel: 3085-8580;
Lanchonete Montesquieu – Rua Des. Westphalen, 918/ Centro. Tel: 3233-7065



Já imprimi o texto,
destaquei em amarelo,
fiz uma graduatória e …
comprei a passagem.
Dia 30 estarei em Curitiba,
para comer pelo menos um desses sandubas.
Beijos.
Oiii querido zio!
Desculpe a demora em responder, é que a nefanda revista estava nos finalmentes e eu enlouquecida até o perscoço. Que bom que você vem!!!! Dessa vez não vamos deixar de nos ver, né? Te aguardo para juntarmos um chopinho e dois dedos de prosa ao sanduba. Beijo!