Sim, dá para viver sem pizza!

por Antigos(as) Autores(as)

Por Márcia Luz

O título desse texto foi minha resposta à uma estarrecida atendente de farmácia, durante aquele papinho casual enquanto pagamos os produtos no caixa. Começou quando eu perguntei se a balança estava regulada, não porque estava marcando mais do que deveria (a manjada esperança dos acima-do-peso) e sim menos – não queria ter alegrias vãs com dois quilos imaginários a menos. Seguiu-se a conversinha de sempre sobre dieta, e quando contei que emagreci nove quilos cortando carboidratos e açúcar, e continuo feliz e saltitante, a moça abriu a boca, incrédula: “Mas você consegue mesmo viver sem pizza???” Depois da minha resposta afirmativa, ela chamou as colegas para testemunharem a aberração: “Ela consegue viver sem pizza! Vejam, parece uma pessoa tão normal!”

Pois é. Eu não deveria ficar surpresa, já que há cerca de um ano eu pensava ser mais fácil me atirar num tanque cheio de tubarões do que tentar viver sem pizza, macarrão, lasanha, raviólis. Nenhum sacrifício podia ser pior do que abandonar aquelas maravilhosas esculturinhas de massa nadando felizes em molhos vermelhos e piscininhas de queijo derretido… Sem falar dos doces… Dava calafrios!

Hoje, depois de um longo processo de adaptação alimentar – bastante emocionante, aliás, relatado nesse site pelos textos “Maridos x Dietas” e “A maravilhosa dieta da Márcia: uma saga” – caiu a ficha. Não sei exatamente em que momento isso aconteceu, mas o fato é que a visão de uma bandeja de lasanha aos quatro queijos no bufê por quilo não me causa mais do que indiferença. Creio que as pessoas subestimam demais a capacidade de adaptação dos seus organismos – além de uma boa dose de preguiça. Depois de um tempo, não faz mais falta!!!!! Uau, isso é incrível! Me sinto o máximo!

Bem, antes que eu seja apedrejada pelas vítimas dos carboidratos, preciso dizer que minha intenção aqui é compartilhar alguns dos caminhos que me levaram à libertação. Vamos lá.

Pra começo de papo, elimine as palavras sofrimento, sacrifício, privação do seu planejamento dietístico. Tenha calma, respire fundo, não sofra por antecipação. Doenças são sofridas, acidentes, machucados, e outras tragédias. Mudar o cardápio não é sinônimo de tortura física e psicológica, mesmo.

Nada precisa ser radical, comece a cortar uma coisinha aqui, outra ali, devagar, mas sem voltar atrás: um dia, o arroz branco passa a ser integral, no outro o pão de queijo se transforma em uma banana, as batatas sofrem uma mutação e viram couves-flores, e por aí vai. Devagar, gradualmente.

Coloque a criatividade para funcionar. Por exemplo: enquanto buscávamos maneiras de substituir os doces, eu e minha filha (alerta vermelho: nenhuma dieta funciona por muito tempo sem a adesão familiar) descobrimos o maravilhoso mundo das frutas exóticas: lichia, amoras, atemóias, frutas-do-conde, graviolas, mirtilos… dá para esquecer tranquilamente dos chocolates com a ajuda delas!
Pesquise ingredientes que você gosta que não façam parte da lista de carboidratos ruins – os brancos. Lombinho, filé mignon, frango assado, salmão, linguado, palmito, cogumelos, alcachofras…

E depois, à cozinha! Legumes podem ficar maravilhosos com um pouquinho de alho e azeite de oliva, acompanhados de um belo assado. Quem ficaria deprimido depois de traçar um lombinho assado com abacaxi idem? Ou com um linguado grelhado com limão e ervilhas tortas?

Para os que ainda hesitam, digo: o corpinho de bailarina é a pior conseqüência de toda essa história…