Só pode ter sido azar

por Mariana Souza

Semana passada tive uma grande comemoração em família e o homenageado escolheu jantar no Bazzar.

Há muitos anos freqüentamos o Bazzar. Primeiro, durante muito tempo, enquanto funcionou numa simpática casa de frente para a Lagoa. Mais recentemente, desde que se mudou para uma charmosa construção na tranqüila e silenciosa Rua Barão da Torre.

A entrada, toda em madeira e vidro, já demonstra a sofisticação e, ao mesmo tempo, simplicidade da casa. Do lado de fora uma grande varanda para os clientes fumantes. Na parte de dentro um salão amplo e refrigerado (refrigerado até demais) comporta outros tantos clientes, em simpáticas mesinhas de dois lugares, com bancos de madeira, ou grandes e animadas mesas para seis ou mais pessoas.

No fundo do restaurante uma área arejada, pé direito bem alto, com duas mesas grandes, de oito lugares, ao lado da adega de parede inteira. Minha família estava em uma delas.

Logo que chegamos veio o delicioso e farto couvert. Num pratinho branco são colocados dois azeites diferentes, que não se misturam. Um mais claro e outro envelhecido, parecia o “encontro dos azeites”. Outro pratinho branco traz uma manteiga deliciosa, temperada com ervas, sal grosso e azeitona.

O garçom traz uma grande cesta de pães para que possamos escolher: focaccia com ervas, focaccia com limão, ciabata e a imbatível torradinha de focaccia. Esta é tão deliciosa que fica à venda, em pacotinhos, na saída do restaurante.

Como estava com uma gripe que me consumia há dias preferi não acompanhar os demais no vinho tinto e resolvi pedir um suco de laranja, sem gelo e sem açúcar. O suco chegou gelado e azedo. 1×0.

Rapidamente reclamei e o garçom trouxe outro, esse sim recém-espremido.

O serviço, apesar de simpático, estava extremamente lento e confuso. Pedimos os pratos.

Alguns foram no filé mignon com molho de damasco acompanhado de risoto de brie. Quem comeu gostou muito.

Outro prato pedido foi o risoto de grana padano com lascas de presunto de parma. Apesar da promessa de ingredientes saborosos, o gosto deixava muito a desejar.

Eu optei por uma salada de verdes com torradinhas com queijo de cabra e molho de mostarda dijon. Ao pedir o prato certifiquei-me de que não viria aquela folha “que parece uma graminha” (alface frisée, para os entendidos), e que eu detesto e sempre peço para retirarem. O garçom me garantiu que não viria e anotou minha restrição.

A salada, claro, chegou cheia delas. Confesso que fui tomada por uma certa irritação. Afinal, havia pedido especificamente para que a tal folha não viesse, mas de nada adiantou. 2×0.

Reclamei novamente e, enquanto todos à mesa jantavam, tive que aguardar até que um pobre infeliz catasse todas as graminhas da minha salada na cozinha. Felizmente ele conseguiu e a salada voltou antes da sobremesa. Estava boa mas um pouco sem graça. O molho não era dos mais saborosos e a porção, bem pequena. Mas já tinha comido tantas torradinhas maravilhosas de focaccia que não me importei.

De sobremesa foi pedida uma salada de frutas com sorvete de iogurte, que estava gostosa apesar de só conter frutas ácidas.

Eu experimentei a tarte tatin (torta de maçã de cabeça para baixo) com sorvete de canela. Apesar de não ser das sobremesas mais criativas, é sempre um acerto. A torta veio bem servida, pedaços grandes de maçã e o sorvete estava delicioso.

Na hora da conta, mais uma batalha para conseguir a atenção dos garçons e outra eternidade aguardando um cheesecake que foi pedido para viagem. 3×0.

Foi a primeira vez que estive lá e presenciei tantos problemas, de pedidos errados, serviço demorado e desatencioso. Para completar, as cadeiras faziam um barulho grave e alto quando arrastadas para que as pessoas se sentassem ou levantassem, coisa que, ou é novidade, ou eu nunca havia reparado antes.

Só pode ter sido azar.

Bazzar
Rua Barão da Torre, nº 538 – Ipanema
www.bazzar.com.br