Tudo fresquinho

por Márcia Luz

Se há uma coisa que considero fundamental para levar a sério um estabelecimento que serve comida é o frescor do que vêm à mesa. Basta desconfiar de uma alface desanimada na salada e todo o meu ser se enche de desprezo pelo lugar – pior ainda se for um restaurante caro.

Pois bem, esse definitivamente não é o problema da churrascaria Badida, tradicional restaurante de Curitiba, aberto há mais de duas décadas no bairro do Batel. Não costumo freqüentar a Badida, pela distância da minha casa e também porque sempre impliquei um pouco com o ambiente. O que é uma questão pessoal, obviamente. O ambiente me causa uma certa claustrofobia, poucas janelas, sempre fechadas (porém, devo ressaltar que o sistema de ar-condicionado é impecável), e também acho tudo muito branco, claro, antisséptico demais para uma adoradora de madeiras, verdes e afins. Bem, mas a comida compensa. E como.

É um dos restaurantes prediletos da minha mãe, e fazia muito tempo que não almoçávamos juntas na Badida. O Dia das Mães foi a ocasião perfeita para agradar família e paladar a um só tempo. O primeiro ponto favorável do restaurante é o serviço ágil. Mal o cliente senta-se à mesa, o garçom prontifica-se a fazer o pedido de bebidas. Mais alguns minutos, nos servem um esfuziante prato de salada – agrião bem verdinho, cenouras e pepinos crus cortados em palitos, alface americana no auge da crocância. É aqui que enfatizo a importância do frescor. Penso ouvir os gritinhos dos vegetais: acabamos de sair da horta! Estamos vivinhos! Imediatamente, todos estendem os dedos para o prato.

Junto vem uma cesta de pães quentíssimos – pães de queijo recém-saídos do forno e o pão da casa, macio, cortado em fatias grossas. Fácil esquecer que se está numa churrascaria e é necessário guardar espaço para uma generosa quantidade de carne. Bem, mas ainda estamos no couvert, que ainda inclui uma espécie de chutney de berinjela e as bolinhas de manteiga de sempre.

A Badida serve a la carte – poucas forças da natureza podem me fazer entrar num rodízio de qualquer espécie – mas a carne vem aos poucos, conforme o cliente vai consumindo, e pode-se escolher o ponto de cada pedaço. O pedido foi o seguinte: picanha para todos, ao ponto para mal passado. A família queria sangue! Também pedimos dois acompanhamentos, que considero obrigatórios para quem vai na Badida: alho no azeite, que consiste em uma grande porção de fatias crocantes de alho imerso em azeite quentíssimo, em uma pequena caçarola; e farofa de ovo, molhadinha e bem temperada.

A ogrice têm início, e todos seguem o mesmo ritual. O garçom traz as fatias de picanha, rigorosamente macias e suculentas, embora um pouco finas na minha opinião (gosto da peça mais alta). Cada um pega a sua, cobre-a com uma porção de alho, coloca mais alho sobre a farofa e em seguida comporta-se como um tigre faminto e sem escrúpulos. Picanha por picanha, alho por alho, tudo vai pro papo, o que não significa que as porções sejam pequenas.

No fim, espantamos a consciência pesada com uma tacinha de licor. Não há espaço para a sobremesa.

Rating: ★★★☆☆
Badida
Avenida Batel, 1486.
Tel: (41) 3243-0473