Um risoto com potencial
Por Paulo Polzonoff Jr | 25 de Abril de 2008.
Estávamos numa semana de chocolate. O que é bastante raro. Não que eu não goste de chocolate. Gosto. Mas só amargo – e muito amargo, de preferência. E não é, como podem pensar alguns, influência da moda de chocolates gourmet. Desde criança eu gosto de chocolate amargo. Vai entender.
Coincidência ou não, dois dias depois de assistir a um documentário sobre chocolate, eis que me deparo com uma receita de risoto de chocolate com alecrim. Me parece uma boa idéia. E à Paula, que é a especialista em risotos da casa, também.
Chamamos um bom amigo para nos acompanhar nesta experiência e fomos às compras. Foi quando em deparei com um detalhe crucial: o arroz. Tínhamos duas caixas de arroz arbóreo em casa, mas a receita pedia arroz carnaroli. Qual a diferença? No supermercado, as caixas dos dois tipos de arroz eram idênticas. Nada, absolutamente nada, informava o consumidor das propriedades de um e de outro.
Optei pelo arbóreo mesmo. Só depois é que fui aprender que existe uma diferença algo sutil entre eles. O Carnaroli demora mais para cozinhar e, por isso, tende a ficar mais al dente. O arbóreo, por sua vez, e indicado para risoto com porções ricas de carne. Dizem.
Por falta de informação na hora da compra, fizemos o risoto com arbóreo mesmo.
Quando nosso amigo chegou, fomos logo avisando que, em caso de desastre – o que era bem possível em se tratando de um risoto de chocolate – pediríamos uma pizza. Não foi preciso.
Logo que o risoto ficou pronto, porém, a primeira constatação: não é um prato único. Desguarnecidos que estávamos, porém, acabou sendo. Com um gosto bem suave, com certo predomínio do leite (claro que o alecrim dava o ar da sua graça), o risoto possivelmente acompanharia bem uma carne. Fica para a próxima.
Abrimos um vinho simples, Cosecha Tarapacá, 2006. É o que eu chamo de vinho honesto e discreto: ele não interfene na comida e nem tampouco a comida interfere nele. Um não fica gritando que é mais gostoso do que o outro, entende? Juntos, formam um bom par.
Conversa vai, conversa vem, acabamos concluindo que o risoto de chocolate com alecrim impressiona mais pelo exotismo sugerido do que pelo sabor. Mas… Calma! Ele tem um bom potencial. E pode render uma refeição verdadeiramente deslumbrante. Pelo menos é o que nossa imaginação disse à mesa.
Nosso bom amigo sugeriu pato desfiado. E a Paula foi além dizendo que o risoto poderia ficar perfeito com um toque de mel. Alguém se atreve?
Nós nos atreveremos em breve. Enquanto isso, eis aqui a receita básica:
Ingredientes
- 1/2 cebola picada
- 25 g de manteiga
- 1 ramo de alecrim
- 300 g de arroz carnaroli (fizemos com arbóreo)
- 150 ml de vinho branco seco
- 1 e 1/2 litro de caldo de carne
- 4 colheres (sopa) de creme de leite
- 1 colher (sopa) de chocolate em pó amargo peneirado
- queijo parmesão ralado
Modo de preparo
Doure a cebola na manteiga. Junte o alecrim. Acrescente o arroz e mexa por alguns minutos. Junte o vinho e deixe evaporar. Acrescente o caldo de carne aos poucos, mexendo sempre até que o arroz esteja al dente. Enquanto isso, em outra panela, junte o creme de leite e o chocolate em pó e aqueça até o chocolate dissolver. Tire o arroz do fogo, junte o chocolate, tampe e deixe repousar durante dois minutos. Junte o queijo parmesão ralado e sirva.



Acho que nunca vi chocolate em pó amargo para vender. Não seria cacau em pó, por acaso?
Träsel,
A gente usou cacau em pó. Da próxima vez, vamos fazer com chocolate amargo mesmo, derretido. Depois eu conto o resultado, ok?
abs