Você precisa mesmo de um decantador?
por Paulo Polzonoff Jr
Você precisa mesmo de um decantador? Tive esta dúvida outro dia, dentro do supermercado. Todo mundo que eu conheço tem um decantador. Ou decanter, como eles preferem. Será que eu precisava de um?
Ora, ninguém usava decantador há alguns anos. Eu nem ao menos sabia que existia isto. Só fui descobrir quando, durante um jantar no Terzeto, no Rio de Janeiro, lá veio o sommelier com aquele jarro de aspecto estranho. Achei que fosse apenas um modo peculiar de o restaurante servir o vinho.
De lá para cá pipocaram os decantadores. Mas eles são mesmo úteis?
Quem responde é meu amigo e enófilo Flávio Suplici Bin, da Porto a Porto de Curitiba. Resumindo o que ele me disse numa longa ligação: não. Um decantador não é essencial para a maioria dos bebedores ocasionais de vinho. E por um só motivo: bebedores ocasionais costumam beber vinhos jovens, que dispensam o acessório.
Mas para que serve o decantador, então?
Meu amigo explica que serve para duas coisas: para decantar, como o próprio nome diz (e você deve se lembrar das aulas de quÃmica do colégio), e para aerar, isto é, para pôr o vinho em contato com o ar.
Mas só há sentido em decantar vinhos antigos, como os vinhos do Porto, que deixam uma borra no fundo da garrafa. E só tem sentido aerar vinhos de guarda, que suportam armazenamento por mais de cinco anos. Neste caso, o contato com o ar fará com que o vinho expanda seus aromas.
Decantar vinhos jovens, o merlot nosso de cada dia, não vai piorá-lo, claro. E usar um decantador, nestes casos, pode até servir para impressionar convidados que se impressionam facilmente.
Cá entre nós, desconfio que esta seja a real função do decantador: impressionar. O sommelier do Terzeto que o diga.
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* A foto que ilustra este texto é de um decantador lindo, sem dúvida, que custa a bagatela de dois mil euros. Infelizmente perdi o link para a loja que o vende.
[bl]vinho, decantador, Vinho do Porto[/bl]
Comments
“Where did they all came from?”
Precisamos concordar que a maioria dos vinhos consumidos anos atrás no Brasil eram bem mais simples (para não citar outros adjetivos). E a quantidade de restaurantes era bem menor.
Hj a classe média e/ou novos ricos consomem glamour, muitos vinhos são decantados à toa. Mas o uso deles é bem útil em alguns casos (na minha opinião): safras antigas (borra), vinhos não filtrados (estão na moda) e vinhos “bons” que são ainda jovens (“abrem” em maior contato com oxigênio).
Concordo que existem restaurantes que decantam todos os vinhos servidos (tem um restaurante italiano bem famoso em São Paulo, que faz isso fora da visão do cliente), pura bobagem.
E qtas pessoas não bebem vinhos para impressionar?
abs.
eu ganhei um no ano passado e usei algumas vezes. uma com um vinho muito ruim que a sogra do meu filho trouxe. mas pra vinho ruim nada adianta, so mesmo uma varinha magica.
elisabeth, os bárbaros atacam de todos os lados.
Nina, há uma teoria um quanto exagerada de que todo mundo bebe vinho, hoje em dia, para impressionar.
Uma coisa que nunca vai virar moda neste mundo, por exemplo, é tirar o rótulo do vinho antes de servi-lo à mesa. Seria uma boa, não?
bjs
Fer, mas saiba que tem gente que usa o decantador até com Sangue de Boi – e acha que funciona!
bjs
Ao escritor,
O somellier do Terzetto era do Antiquarius. Além disso, participou de diversos cursos internacionais, inclusive como palestrante.
Discordo quanto à questão de aerar o vinho, não apenas os vinhos de guarda precisam ser aerados. Basta “cheirar” o vinho como se deve fazer e sua narina indicará se exista a necessidade de utilizar o decanter. Nestes casos, sente-se o álcool ainda muito presente.
abraço\
Thiago